Textos legais de políticas públicas educacionais
legais para quem?
DOI:
https://doi.org/10.15448/1981-2582.2025.1.47125Palavras-chave:
Base Nacional Comum Curricular, Educação Básica, Educação Mercadológica, Reforma do Ensino Médio, Segmentos PrivatistasResumo
O cenário educacional parece ser administrado pela ótica do fracasso, em que políticas nacionais e transnacionais agem de forma a desfavorecer professores e alunos, deterioram o espaço escolar e minam a confiança da sociedade na escola pública, sobretudo das Redes Estaduais e Municipais, em lógicas perversas de desserviço à sociedade e má gestão. A partir do consequente insucesso, justifica-se a necessidade da entrada do capital privado como forma – ainda que em promessa – para resolver todos os males educacionais. O cenário legal é apresentado e, nas considerações finais, enfatiza-se o posicionamento em favor das instituições públicas de Educação Básica, com considerações acerca do funcionamento dessas instituições, que segue sob o domínio de grupos transnacionais em um primeiro plano e nacionais em um segundo plano, com fortes interesses em manter a imagem da escola pública como uma instituição fracassada e, assim, justificar a permanência das vorazes intervenções por meio de grandes grupos empresariais e organizações de filantropia familiar que se aderem ao Estado, uma vez que ocupam, nas bases do governo, papel de articulação com Secretarias Municipais/Estaduais e com o MEC, tendo entrada alargada nas políticas e ações educacionais.
Downloads
Referências
Apple, M. W. (2005). A política do conhecimento oficial: faz sentido a ideia de um currículo nacional? In: A. F. Moreira, & T. T. Silva (Org.), Currículo, cultura e sociedade (pp. 59-91). Cortez.
Ball, S. J., & Olmedo, A. (2013). A “nova” filantropia, o capitalismo social e as redes de políticas globais em educação. In: V. M. V. Peroni (Org.), Redefinições das Fronteiras entre o Público e o Privado: implicações para a democratização da educação (pp. 33-47). Liver Libro.
Banco Mundial. (2011). Aprendizagem para todos: Estratégia 2020 para a Educação do Grupo Banco Mundial: Resumo Executivo. https://docplayer.com.br/24758-Aprendizagem-para-todos-investir-nos-conhecimentos-ecompetencias-das-pessoas-para-promover-o-desenvolvimento.html.
Barcellos, M. E., Fontana, L. R., Toledo, S. W., & Braga Junior, C. (2017). A reforma do ensino médio e as desigualdades no Brasil. Revista Brasileira da Educação Profissional e Tecnológica, 2(13), 118-136. https://doi.org/10.15628/rbept.2017.6127
Brasil. (2018). Base Nacional Comum Curricular. MEC. http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf.
Brasil. (2014). Plano Nacional de Educação 2014-2024: Lei n. 13.005, de 25 de junho de 2014, que aprova o Plano Nacional de Educação (PNE) e dá outras providências. http://www.proec.ufpr.br/download/ extensao/2016/creditacao/PNE%202014-2024.pdf. Acesso em: 4 nov. 2024.
Brum, E. (2018). Bolsonaro e a autoverdade. El País. https://brasil.elpais.com/brasil/2018/07/16/politica/1531751001_113905.html.
Caetano, M. R. (2018). Base Nacional Comum Curricular. Educação é a base? De qual base estamos falando? In: Anais da 4ª Conferência Estadual de Educação, Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Santa Catarina (SINTE/SC). https://sinte-sc.org.br/files/1081/Apresentacao%20IV%20Conferencia%20de%20Educacao%20%20BNCC%20-%20Prof%20Raquel.pdf.
Caetano, M. R. (2019). Reformas educacionais e a Base Nacional Comum Curricular (BNCC): relações entre o público e o privado. In: Anais 3ª Reunião Nacional da ANPED. http://39.reuniao.ANPEd.org.br/wp-content/uploads/sites/3/trabalhos/5010-TEXTO_PROPOSTA_COMPLETO.pdf. Acesso em: 4 nov. 2024.
Cury, C. R. J. (2019). O Ensino Médio sempre foi a pedra de toque da desigualdade social expressa na desigualdade educacional. [Entrevista cedida a] Cátia Guimarães. Revista Poli: Saúde, Educação e Trabalho, 11(62), 8-21. https://www.epsjv.fiocruz.br/sites/default/files/poli62.pdf
Deleuze, G., & Guattari, F. (1995). Mil Platôs: capitalismo e esquizofrenia. Ed. 34.
Ferreira, R. A. Educação, cinema, autonomia: diálogos com a história do anarquismo. In: S. Gallo, & R. A. Ferreira (Org.), Educação Anarquista: explorações contemporâneas (pp. 107-134). Pedro & João Editores.
Freitas, L. C. (2012). Os reformadores empresariais da educação: da desmoralização do magistério à destruição do sistema público de educação. Educação & Sociedade, 33(119), 379-404. https://www.scielo.br/j/es/a/PMP4Lw4BRRX4k8q9W7xKxVy/?format=pdf&lang=pt
Freitas, L. C. (2016). Três teses sobre as reformas empresarias da educação: perdendo a ingenuidade. Cadernos CEDES, 36(99), 137-153. https://www.scielo.br/pdf/ccedes/v36n99/1678-7110-ccedes-36-99-00137.pdf
Freitas, L. C. (2018). A reforma empresarial da educação: nova direita, velhas ideias. Expressão Popular.
Frigotto, G. (2016). Reforma de ensino médio do (des)governo de turno: decreta-se uma escola para os ricos e outra para os pobres. Movimento: Revista de Educação, 3(5), 329-332. https://periodicos.uff.br/revistamovimento/article/view/32621/18756
Frigotto, G. (2017). A gênese das teses do Escola sem Partido: esfinge e ovo da serpente que ameaçam a sociedade e a educação. In: G. Frigotto (Org.), Escola “sem” Partido: esfinge que ameaça a educação e a sociedade brasileira (pp. 17-34). LPP/UERJ.
Frigotto, G. (2018). Concepções e mudanças no mundo do trabalho e o ensino médio. CETEB. http://www.ia.ufrrj.br/ppgea/conteudo/conteudo-2008-2/Educacao-MII/2SF/2-Frigotto2008.pdf.
Frigotto, G., & Ciavatta, M. (2003). Educação básica no Brasil na década de 1990: subordinação ativa e consentida à lógica do mercado. Educação e Sociedade, 24(82), 93-130. https://www.scielo.br/j/es/a/fwBNt6pKWJKTdYrCkxHjPdQ/?format=pdf&lang=pt
Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP). (2021). Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB). https://www.gov.br/inep/pt-br/areas-de-atuacao/pesquisas-estatisticas-e-indicadores/ideb.
Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP). (2019). Censo da Educação Básica 2018: resumo técnico [recurso eletrônico]. https://download.inep.gov.br/educacao_basica/censo_escolar/resumos_tecnicos/resumo_tecnico_censo_educacao_basica_2018.pdf.
Lei n. 5.692, de 11 de agosto de 1971. (1971). Fixa Diretrizes e Bases para o ensino de 1° e 2º graus, e dá outras providências. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l5692.htm.
Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996. (1996). Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm.
Lei n. 9.790 de 23 de março de 1999. (1999). Dispõe sobre a qualificação de pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, como Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público, institui e disciplina o Termo de Parceria, e dá outras providências. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9790.htm.
Lei n. 11.161, de 5 de agosto de 2005. (2005). Dispõe sobre o ensino da língua espanhola. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2005/lei/l11161.htm.
Lei n. 13.415, de 16 de fevereiro de 2017. (2017). Altera as Leis n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, e 11.494, de 20 de junho 2007, que regulamenta o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação, a Consolidação das Leis do Trabalho - CLT, aprovada pelo Decreto-Lei n. 5.452, de 1º de maio de 1943, e o Decreto-Lei n. 236, de 28 de fevereiro de 1967; revoga a Lei n. 11.161, de 5 de agosto de 2005; e institui a Política de Fomento à Implementação de Escolas de Ensino Médio em Tempo Integral. https://legislacao.presidencia.gov.br/atos/?tipo=LEI&numero=13415&ano=2017&ato=115MzZE5EeZpWT9be
Lopes, S. F. (2022). A exoneração do Estado pelo livre mercado (ou será pelo próprio Estado?): reflexões de base discursivo-cartográfica sobre enunciados acerca da BNCC-EM. (Tese de Doutorado, Universidade Federal Fluminense). https://app.uff.br/riuff/bitstream/handle/1/25619/TESE%20-%20Shayane%20França.pdf?sequence=1&isAllowed=y
Organização das Nações Unidas (ONU). (2019). Secretário-geral e alta comissária dos Direitos Humanos estão entre os representantes da ONU que participarão; encontro reúne representantes das áreas política e económica para debater grandes questões mundiais. ONU News. https://news.un.org/pt/story/2019/01/1656222
Pinheiro, M. (2018). Brasil encara a batalha para prosperar no ensino médio. El País. https://brasil.elpais.com/noticias/reformaseducacion/
Pronko, M. A. (2015). O Banco Mundial no campo internacional da educação. In: J. M. M. Pereira, J. M. Mendes, & M. A. Pronko (Org.), A demolição de direitos: um exame das políticas do Banco Mundial para a educação e a saúde (1980-2013) (pp. 89-112). EPSJV.
Robertson, S., & Verger, A. (2012). A origem das parcerias público-privada na governança global da educação. Educação e Sociedade, 33(121), 1133-1156. https://www.scielo.br/pdf/es/v33n121/a12v33n121.pdf
Rocha, D. (2020). A autocrítica como desafio ético-político de resistência no contemporâneo. Letras & Letras, 36(1), 237-260. https://seer.ufu.br/index.php/letraseletras/article/view/50466/29234
Rossi, A. J., Bernardi, L. M., & Uczak, L. H. (2013). Relação público-privada no Programa de Desenvolvimento da Educação: uma análise do plano de ações articuladas. In: V. Peroni (Org.), Redefinições das fronteiras entre o público e o privado: implicações para a democratização da educação (pp. 115-124). Liber Livro.
Santos, M. L., & Silva, M. M. (2017). A filantropia e o silencioso processo de privatização da educação básica. In: Anais do 1º Seminário Nacional Redefinições das Fronteiras entre o Público e o Privado (pp. 104-108). https://www.ufrgs.br/gprppe/wp-content/uploads/2019/04/ANAIS-FINAL.pdf
Souza, A. M. R. (2019). Base nacional comum para quê/quem? Uma cartografia de conflitos discursivos na produção de um currículo oficial. (Tese de Doutorado, Universidade Federal Fluminense). https://app.uff.br/riuff/bitstream/handle/1/11599/tesefinal_AliceMoraes_set2019_completo.pdf?sequence=1&isAllowed=y
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 Shayane Lopes

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.

