Mestiços contramestiços e o papel das comissões de heteroidentificação racial no contexto das políticas de ações afirmativas no Brasil

Autores

DOI:

https://doi.org/10.15448/1984-7289.2025.1.47702

Palavras-chave:

Mestiçagem, Contramestiçagem, Comissões de Heteroidentificação racial, Pardos

Resumo

Mestiçagem e miscigenação, no Brasil, não apenas denotam o cruzamento entre indivíduos de grupos étnico-raciais diferentes, mas também apontam para as teorias do branqueamento e da democracia racial. Assim, a reivindicação por nome — ou categoria e autodeclaração — feita por povos negros, indígenas ou afroindígenas pode ser compreendida como um movimento de contramestiçagem, que retira o domínio branco das narrativas sobre mistura. Na medida em que o “pardo”, enquanto categoria censitária oficial brasileira, continua a reunir os povos marcados por esses encontros, seu significado e seu uso político estão em disputa. Busca-se analisar os discursos relativos à racialidade mestiça brasileira, tomando como material os estudos étnico-raciais, a atuação dos movimentos sociais, os discursos produzidos nas mídias sociais e o trabalho das comissões de heteroidentificação racial de seleções públicas.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Gabriela Machado Bacelar Rodrigues, Universidade de São Paulo (USP), São Paulo, SP, Brasil.

Doutoranda em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo (USP), São Paulo, SP, Brasil. Schorlaship Student of Afro-Latin American Research Institute at Harvard University, Boston, MA, EUA. Mestre em Antropologia pela Universidade Federal da Bahia (Ufba), Salvador, Brasil.

Referências

Bartolomé, Miguel A. 2006. As etnogêneses: velhos atores e novos papéis no cenário cultural e político. Mana 12 (1): 39-68. https://doi.org/10.1590/S0104-93132006000100002. DOI: https://doi.org/10.1590/S0104-93132006000100002

Brasil de Fato RJ. 2019. Cresce parcela da população que se declara negra no Brasil, segundo IBGE. Brasil de Fato RJ, 28 de maio de 2019. https://tinyurl.com/brasildefato2019.

Carneiro, Sueli. 2016. Negros de pele clara. CEERT. https://tinyurl.com/ceertsueli.

Castro, Fábio F. de. 2013. A identidade denegada: discutindo as representações e a autorrepresentação dos caboclos na Amazônia. Revista de Antropologia 56 (2): 431-75. https://doi.org/10.11606/2179-0892.ra.2013.82538.

Conrado, Mônica P., e Thiane de N. M. N. Barros. 2022. A categoria “afro-indígena” na Amazônia paraense: usos, confluências e ambivalências em debate acadêmico. Horizontes Antropológicos 28 (63): 227-46. https://doi.org/10.1590/s0104-71832022000200008.

Figueiredo, Ângela. 2005. Carta de uma ex-mulata à Judith Butler. Periódicus 1 (3): 152-69. https://doi.org/10.9771/peri.v1i3.14261. DOI: https://doi.org/10.9771/peri.v1i3.14261

Funes, Eurípedes A. 2012. Negro na Amazônia: recuperando sua história. Afro-Ásia (45): 195-200. https://doi.org/10.1590/S0002-05912012000100010. DOI: https://doi.org/10.1590/S0002-05912012000100010

G1. 2021. Candidatos reprovados em avaliação racial protestam contra decisão da Unifap. G1 Amapá, 6 de outubro de 2021. https://tinyurl.com/z8mc47ux.

Gilroy, Paul. 2007. Identidade, pertencimento e a crítica da similitude pura. In Entre campos: nações, cultura e o fascínio da raça. Annablume.

Goldman, Marcio. 2015. “Quinhentos anos de contato”: por uma teoria etnográfica da (contra)mestiçagem. Mana 21 (3): 641-59. https://doi.org/10.1590/0104-93132015v21n3p641. DOI: https://doi.org/10.1590/0104-93132015v21n3p641

Gomes, Nilma L. 2006. Sem perder a raiz: corpo e cabelo como símbolos da identidade negra. Autêntica.

Gonzalez, Lélia. 1988. A categoria político-cultural de amefricanidade. Tempo Brasileiro (92-93): 69-82. https://negrasoulblog.wordpress.com/wp-content/uploads/2016/04/a-categoria-polc3adtico-cultural-de-amefricanidade-lelia-gonzales1.pdf.

Guimarães, Antônio S. A. 2002. Classes, raças e democracia. Editora 34.

IBGE. 2022. Cor ou raça. IBGE Educa. https://tinyurl.com/educaibgegov.

Lehmann, David. 2017. A política do reconhecimento – teoria e prática. In Raça, racismo e genética, organizado por Maria G. Hita. Edufba.

MNU. 1988. 1978–1988: 10 anos de luta contra o racismo. Confraria do Livro.

Munanga, Kabengele. 1999. Rediscutindo a mestiçagem no Brasil: identidade nacional versus identidade negra. Vozes.

Munanga, Kabengele. 2009. O negro recusa a assimilação. In Negritude: usos e sentidos. Autêntica.

Neves, Paulo S. da C. 2005. Luta antirracista: entre reconhecimento e redistribuição. Revista Brasileira de Ciências Sociais 20 (59): 81-96. https://doi.org/10.1590/S0102-69092005000300006. DOI: https://doi.org/10.1590/S0102-69092005000300006

Nogueira, Oracy. 2006. Preconceito racial de marca e preconceito racial de origem: sugestão de um quadro de referência para a interpretação do material sobre relações raciais no Brasil. Tempo Social 19 (1): 287-308. https://doi.org/10.1590/S0103-20702007000100015. DOI: https://doi.org/10.1590/S0103-20702007000100015

Oliveira, João P. de. 1997. Pardos, mestiços ou caboclos: os índios nos censos nacionais no Brasil (1872-1980). Horizontes Antropológicos 3 (6): 61-84. https://doi.org/10.1590/s0104-71831997000200004.

Oliveira, João P. de. 1998. Uma etnologia dos “índios misturados”? Situação colonial, territorialização e fluxos culturais. Mana 4 (1): 47-77. https://doi.org/10.1590/S0104-93131998000100003. DOI: https://doi.org/10.1590/S0104-93131998000100003

Pace, Richard. 2006. Abuso científico do termo “caboclo”? Dúvidas de representação e autoridade. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas 1 (3): 79-92. https://doi.org/10.1590/S1981-81222006000300004. DOI: https://doi.org/10.1590/S1981-81222006000300004

Ramos, Alberto G. 1995. Patologia social do “branco” brasileiro. In Introdução crítica à sociologia brasileira. UFRJ.

Rios, Roger R. 2018. Pretos e pardos nas ações afirmativas: desafios e respostas da autodeclaração e da heteroidentificação. In Heteroidentificação e cotas raciais: dúvidas, metodologias e procedimentos, organizado por Gleidson R. M. Dias e Paulo R. F. Tavares Junior. IFRS Campus Canoas.

Rodrigues, Gabriela M. B. 2021. (Contra)mestiçagem negra: pele clara, anticolorismo e comissões de heteroidentificação racial. Dissertação em Antropologia, Universidade Federal da Bahia. https://repositorio.ufba.br/handle/ri/34195.

Salles, Vicente. 1971. O negro no Pará sob o regime da escravidão. Fundação Getulio Vargas.

Sampaio, Patrícia M., org. 2011. O fim do silêncio: presença negra na Amazônia. Açaí.

Silva, Ana C. da. 2017. Retrospectiva de uma trajetória de ações afirmativas precursoras à Lei nº 10.639/03. Hetera.

Skidmore, Thomas E. 1976. Preto no branco: raça e nacionalidade no pensamento brasileiro. Paz e Terra.

Telles, Edward E. 2003. Racismo à brasileira: uma nova perspectiva sociológica. Relume Dumará.

Telles, Edward E. 2014. Pigmentocracies: ethnicity, race, and color in Latin America. University of North Carolina Press.

Verán, Jean-François. 2010. “Nação mestiça”: as políticas étnico-raciais vistas da periferia de Manaus. Revista de Estudos de Conflito e Controle Social 3 (9): 21-60. https://revistas.ufrj.br/index.php/dilemas/article/view/7176.

Wade, Peter. 2018. Interações, relações e comparações afro-indígenas. In Estudos afro-latino-americanos: uma introdução, organizado por George R. Andrews e Alejandro de la Fuente. Harvard University.

Weschenfelder, Vanessa I. e Maria L. da Silva. 2018. A cor da mestiçagem: o pardo e a produção de subjetividades negras. Análise Social 53 (227): 308-30. https://doi.org/10.31447/AS00032573.2018227.03.

Downloads

Publicado

2026-01-22

Como Citar

Rodrigues, G. M. B. (2026). Mestiços contramestiços e o papel das comissões de heteroidentificação racial no contexto das políticas de ações afirmativas no Brasil. Civitas: Revista De Ciências Sociais, 26(1), e47702. https://doi.org/10.15448/1984-7289.2025.1.47702

Edição

Seção

Dossiê: As Ciências Sociais e o debate público sobre raça