Um leite invisível

os desafios de fazer-se lactante nas malhas da justiça criminal

Autores

DOI:

https://doi.org/10.15448/1984-7289.2025.1.47422

Palavras-chave:

Prisão preventiva, Gênero, Lactantes, Tráfico de drogas, Justiça criminal

Resumo

Neste artigo, foram analisadas decisões de juízas mulheres pela decretação de prisão preventiva de mulheres lactantes acusadas de tráfico de drogas. A partir da cartografia de documentos judiciais produzidos na Central de Audiência de Custódia de Benfica (RJ), visou-se compreender como, no processo de tomada de decisão e no registro documental da interação entre custodiada e juíza, a lactância aparece ou não como fator a ser considerado, bem como os sentidos atribuídos à maternidade e ao aleitamento. Observou-se que, apesar da legislação apontar em outro sentido, a maternidade é acionada como agravante e a amamentação não ganha destaque enquanto dado da realidade material das custodiadas. Conclui-se que as moralidades coloniais baseadas no gênero, na raça e na classe atravessam a tomada de decisão, inviabilizando o reconhecimento da alteridade, produzindo violências e impactando de forma relevante as experiências reprodutivas e familiares de mulheres lactantes e seus(uas) filhos(as).

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Biografia do Autor

Luisa Bertrami D'Angelo, Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

Pós-doutoranda na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Rio de Janeiro, RJ, Brasil. Mestre e doutora em Psicologia Social pela mesma instituição.

Jimena de Garay Hernández, Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

Professora associada na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Rio de Janeiro, RJ, Brasil. Doutora e mestre em Psicologia Social pela mesma instituição.

 

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Publicado

2025-12-19

Como Citar

D’Angelo, L. B., & Garay Hernández, J. de. (2025). Um leite invisível: os desafios de fazer-se lactante nas malhas da justiça criminal. Civitas: Revista De Ciências Sociais, 25(1), e47422. https://doi.org/10.15448/1984-7289.2025.1.47422

Edição

Seção

Justiça Reprodutiva: desigualdades, discriminações e violências