A unitas multiplex entre Frankl e Scheler
olhares à multidimensionalidade humana
DOI:
https://doi.org/10.15448/1984-6746.2026.1.44273Palavras-chave:
Unitas multiplex, ontologia dimensional, pessoa humana, autotranscendênciaResumo
O artigo tem por tema a unidade na multidimensionalidade humana desde a compreensão de dois pensadores contemporâneos, Max Scheler e Viktor Frankl. O texto explora a situação humana como uma unitas multiplex ao articular a antropologia filosófica com a ontologia dimensional, projetos filosóficos de cada um dos pensadores, respectivamente. Nosso problema é: como preservar a unidade antropológica sem reduzir as dimensões somática, psíquica e noética a um único aspecto? Como apresentamos, Frankl, a partir da interpretação de Scheler (para quem a pessoa é o centro irredutível dos atos espirituais), compreenderá o humano como capaz de autodistanciamento e autotranscendência, por meio das “leis” da projeção dimensional, pretendendo sustentar o papel unificador da pessoa espiritual. A contribuição dessa releitura de Scheler, feita por Frankl, é observada no sentido de um avanço teórico, à medida que as contradições encontradas ao se interpretar o fenômeno humano decorrem de projeções em níveis inferiores, mas se recompõem quando vistas a partir do nível noético. Depreendemos, portanto, que Frankl tem mérito em mostrar também que a liberdade e a responsabilidade emergem da situação espiritual de abertura ao mundo (Weltoffenheit), permitindo uma interpretação não reducionista do sofrimento humano e a busca por significado. Desde a visada da ontologia dimensional, é possível compreender, com Frankl, que o humano é uma abertura real, resultante de suas escolhas.
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