Marcas da poesia concreta na estética do cinema moderno brasileiro

Autores

DOI:

https://doi.org/10.15448/1980-3729.2026.1.47943

Palavras-chave:

cinema moderno, cinema marginal, poesia concreta, Júlio Bressane, Glauber Rocha

Resumo

O artigo busca investigar traços estéticos comuns entre o cinema brasileiro moderno e a poesia concreta. Metodologicamente, a análise das obras está no centro do trabalho, ancorada, de um lado, no cotejo com as bibliografias críticas dos dois campos, e, de outro lado, na verificação das relações dos cineastas com os poetas concretistas, sobretudo em como Bressane, Sganzerla e Glauber Rocha se referiram ao movimento concretista. Quanto aos procedimentos estéticos específicos da poesia concreta que surgem nos filmes, destacamos, em primeiro lugar, o interesse dos concretistas pelo mundo da imprensa e da publicidade, que repercute no viés paródico da estética do lixo no cinema. Em seguida, notamos como a estrutura rigorosa e geométrica dos poemas concretos foi absorvida pelo cinema para, por fim, sublinharmos como a lógica permutativa, tão cara aos concretistas, foi explorada pela montagem de alguns filmes.

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Biografia do Autor

Alexandre Wahrhaftig, Pesquisador independente.

Doutor em Meios e Processos Audiovisuais pela Universidade de São Paulo, com pesquisa sobre poéticas de repetição no cinema brasileiro. É também cineasta e montador. Dirigiu o longa-metragem “Panorama” e os curtas “E” e “O Castelo”.

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Referências filmográficas

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MANGUE Bangue. Direção: Neville d’Almeida. 1971. (62 min).

MEMÓRIAS de um estrangulador de loiras. Direção: Júlio Bressane. 1971. (71 min).

O BANDIDO da luz vermelha. Direção: Rogério Sganzerla. 1968. (92 min).

O HOMEM do pau-brasil. Direção: Joaquim Pedro de Andrade. 1981. (96 min).

O PADRE e a moça. Direção: Joaquim Pedro de Andrade. 1966. (95 min).

O PORNÓGRAFO. Direção: João Callegaro. 1970. (79 min).

O SEGREDO da múmia. Direção: Ivan Cardoso. 1982. (80 min).

SEM ESSA, Aranha. Direção: Rogério Sganzerla. 1970. (91 min).

PÁTIO. Direção: Glauber Rocha. 1959. (11 min).

VIDAS secas. Direção: Nelson Pereira dos Santos. 1963. (103 min).

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Publicado

2026-02-05

Como Citar

Wahrhaftig, A. (2026). Marcas da poesia concreta na estética do cinema moderno brasileiro. Revista FAMECOS, 33(1), e47943. https://doi.org/10.15448/1980-3729.2026.1.47943

Edição

Seção

Cinema e Audiovisual