Saber, abstração e poder na Dialética do esclarecimento: um comentário crítico

  • Verlaine Freitas UFMG
Palavras-chave: Abstração. Dialética do esclarecimento. Poder. Saber.

Resumo

Este artigo aborda criticamente alguns conceitos referentes ao vínculo entre racionalidade, abstração e poder, tomados em contraste com a noção de mímesis, tal como Adorno e Horkheimer concebem na Dialética do esclarecimento. Partindo da diferenciação de quatro conceitos de esclarecimento, procuramos demonstrar o caráter inadequado da equalização entre esclarecimento e exercício violento e ideológico do poder, mostrando como o conceito de abstração, que nos parece servir de base para o primeiro capítulo daquela obra, permite delinear melhor a cisão entre as formas de conhecimento miméticas e as que lhe sucederam, tomando como ponto de partida a concepção mítica grega arcaica.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Verlaine Freitas, UFMG
Professor Associado do Departamento de Filosofia da UFMG Doutor em Filosofia pela UFMG

Referências

ADORNO, Theodor Wiesengrund. Negative Dialektik. Gesammelte Schriften. Frakfurt: Suhrkamp, 1973. Vol. 6.

______. “Capitalismo tardio ou sociedade industrial”. Tradução de Flávio R. Kothe. In: COHN, Gabriel (Org.). Theodor W. Adorno. São Paulo: Ática, 1986.

______. “Razão e revelação”. In: Palavras e sinais. Modelos críticos 2. Tradução de Maria Helena Ruschel. Petrópolis: Vozes, 1995.

ADORNO. Theodor Wiesengrund & HORKHEIMER, Max. Dialética do esclarescimento. Tradução de Guido Antônio de Almeida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2006.

ALLKEMPER, Alo. Rettung und Utopie. Studien zu Adorno. München, Wien & Zürich: Ferdinand Schöning. Pederborn, 1981.

ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. Tradução de Leonel Vallandro e de Gerd Bornheim. São Paulo: Abril, 1984. p. 45-236.

BAUDRILLARD, Jean. A sociedade de consumo. Rio de Janeiro: Elfos, 1995.

BAUM, Klaus. Die Tranzendierung des Mythos. Zur Philosophie und Aeshetik Schellings und Adornos. Würzburg: 1988.

BENHABIB, Seyla. Critique, Norm and Utopia. A Study of the foundation of Critical Theory. New York: Columbia University Press, 1986.

BOLZ, Norbert. “Das Selbst und sein Preis”. In: Willem van Reijen & Gunzelin S. Noerr. Verizig Jahre Flaschenpost: “Dialektik der Aufklärung” 1947 bis 1987. Frankfurt a. M.: Fischer, 1987. p. 111-128.

BRUNKHORST, Hauke. “Die Welt als Beute. Rationalisierung und Vernunft in der Geschichte”. In: Willem van Reijen & Gunzelin S. NOERR Verizig Jahre Flaschenpost: “Dialektik der Aufklärung” 1947 bis 1987. Frankfurt a. M.: Fischer, 1987. p. 154-191.

CASSIRER, Ernst. Philosophie der symbolischen Formen. Berlin: Bruno Cassirer, 1925. Vol. II.

DUARTE, Rodrigo. A. P. Adornos. Nove ensaios sobre o filósofo frankfurtiano. Belo Horizonte: Editora UFMG, 1997.

______. Mimesis e Racionalidade. O conceito de domínio da natureza em Th. Adorno. São Paulo: Loyola, 1993.

ELIADE, Mircea. Mito e realidade. Tradução Pola Civelli. São Paulo: Brasiliense, 1984.

HABERMAS, Jürgen. The Theory of Communicative Action. Tradução de Thomas McCarthy. Boston, MA, 1984. Vol. 1.

HORKHEIMER, Max. “Teoria tradicional e teoria crítica”. In: Benjamin, Horkheimer, Adorno, Habermas. Tradução de Edgard a. Malagodi e Ronaldo Pereira Cunha. São Paulo: Abril Cultural, 1980.

JAMESON, Fredric. Marxismo tardio. Adorno, ou a persistência da dialética. Tradução de Luiz Paulo Rouanet. São Paulo: Unesp & Boitempo Editorial, 1996.

JARVIS, Simon. Adorno. A critical introduction. New York: Routledge, 1998.

JAY, Martin. As ideias de Adorno. Tradução de Adail Ubirajara Sobral. São Paulo: Cultrix, 1988.

JAY, Martin. Mimesis and Mimetology: Adorno and LacoueLabarthe. In: Tom Huhn & Lambert Zuidervaart (Org.). The semblance of subjectivity. Cambridge: MIT Press, 1997.

JIMENEZ, Marc. Para ler Adorno. Tradução de Roberto Ventura, Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1977.

KIPFER, Daniel. Individualität nach Adorno. Tübingen: Francke, 1999.

NHO, SoungSuk. Die Selbstkritik und Rettung der Aufklärung, Frankfurt am Main: Peter Lang, 2000.

NOBRE, Marcos. A Dialética negativa de Theodor W. Adorno. A ontologia do estado falso. São Paulo: Iluminuras, 1998.

PLATÃO. A república. Tradução de Carlos Alberto Nunes. Belém: Editora da Universidade do Pará, 1980.

Von REIJEN, Willem. “Die Dialektik der Aufklärung gelesen als Allegorie”. In: Willem van Reijen & Gunzelin S. Noerr. Verizig Jahre Flaschenpost: “Dialektik der Aufklärung” 1947 bis 1987. Frankfurt a. M.: Fischer, 1987. p. 192-209.

SCHMIDT, Friedrich. “Die Vergeblichkeit des Opfers und die Irrealität des Todes”. In: Willem van Reijen & Gunzelin S. Noerr. Verizig Jahre Flaschenpost: “Dialektik der Aufklärung” 1947 bis 1987. Frankfurt a. M.: Fischer, 1987. p. 142.

VEYNE, Paul. Acreditavam os gregos em seus deuses? Tradução de Horacio Gonzalez e Milton Meira Nascimento. São Paulo: Brasiliense, 1984.

WELLMER, Allbrecht. Zur Dialektik von Moderne und Postmoderne. Vernunftkritik nach Adorno. Frankfurt am Main: Suhrkamp, 1981.

Publicado
2015-03-25
Como Citar
Freitas, V. (2015). Saber, abstração e poder na Dialética do esclarecimento: um comentário crítico. Veritas (Porto Alegre), 59(2), e20-e45. https://doi.org/10.15448/1984-6746.2014.2.12252