Políticas do sofrimento e as narrativas de catástrofes naturais

  • Paulo Vaz Universidade Federal do Rio de Janeiro
  • Gaelle Rony Universidade Federal do Rio de Janeiro
Palavras-chave: Catástrofes, vítima virtual, mídia

Resumo

Este artigo elabora o conceito de vítima virtual, proposto como uma característica da subjetividade contemporânea. A vítima virtual emerge a cada vez em que indivíduos, diante dos meios de comunicação, apreendem a possibilidade de irrupção súbita de sofrimento em suas rotinas prazerosas. Na sua especificidade histórica, a vítima virtual provoca três transformações maiores na política da piedade, a forma moderna da política como reconhecimento do sofrimento do outro: 1) da desigualdade à rotina segura e prazerosa como lugar de se pensar o justo; 2) da piedade por uma “massa de miseráveis” à compaixão à distância por indivíduos; 3) da denúncia do Estado por perpetuar a desigualdade à indignação pela incompetência e imoralidade dos “políticos”. Para apresentá-las empiricamente, partimos das narrativas sobre a catástrofe recente em Angra dos Reis e analisamos suas diferenças com as narrativas de outras catástrofes naturais desde a década de 70 do século passado.

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Biografia do Autor

Paulo Vaz, Universidade Federal do Rio de Janeiro
Professor do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Gaelle Rony, Universidade Federal do Rio de Janeiro
Pós-doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

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Como Citar
Vaz, P., & Rony, G. (2011). Políticas do sofrimento e as narrativas de catástrofes naturais. Revista FAMECOS, 18(1), 212-234. https://doi.org/10.15448/1980-3729.2011.1.8808