Doce veneno do escorpião: problematizações sobre a economia do simbólico nos diários de Raquel Pacheco

Palavras-chave: Consumo. Comunicação. Campo literário.

Resumo

o artigo analisa as configurações da economia simbólica no campo literário brasileiro a partir das estratégias em torno do livro O doce veneno do escorpião, da escritora Raquel Pacheco. A obra suscita uma série de questionamentos em torno da escrita como expressão e simbolização, das relações entre pornografia, autoajuda e biografia, das instâncias de circulação e canais de visibilidade, provocando novos arranjos e posições nas relações de consumo do campo de produção simbólico. O trabalho parte dos referenciais de Pierre Bourdieu para investigar os discursos de algumas instâncias legitimadoras que se digladiam na batalha pelo (não) reconhecimento/distinção da obra de Raquel Pacheco no campo literário, com o intuito de esboçar as constelações de poderes que instituíram um novo filão no mercado editorial. A pesquisa também analisa, desse modo, os meios e as mediações empregados para a configuração da recém surgida literatura de programa.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Clovis Carvalho Britto, Universidade de Brasília
Pós-Doutor em Estudos Culturais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Doutor em Sociologia pela Universidade de Brasilia. Professor da Faculdade de Ciência da Informação da Universidade de Brasília

Referências

AMORIM, Galeno (Org.). Retratos da leitura no Brasil. São Paulo. Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, Instituto Pró-livro, 2008.

BAUMAN, Zygmunt. Vida Líquida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2007.

BOURDIEU, Pierre. A produção da crença: contribuição para uma economia dos bens simbólicos. São Paulo: Zouk, 2002.

BOURDIEU, Pierre. O poder simbólico. 2. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1998.

BOURDIEU, Pierre. As regras da arte: gênese e estrutura do campo literário. São Paulo: Companhia das Letras, 1996.

BOURDIEU, Pierre. Questões de sociologia. Rio de Janeiro: Marco Zero, 1983.

CARDELL O, Rafael; MATTOS, Laura. Para especialista, “Surfistinha é Paulo Coelho do sexo”. Folha Online, 3 set. 2006.

Disponível em: www1.folha.uol.com.br/ilustrada/ult90u64009.shtml. Acesso em: 10 jan. 2018.

CARDOSO, Marília Rothier. Retorno à biografia. In: OLINTO, Heidrun Krieger; SCHOLLH AMMER, Karl Erik (Orgs.). Literatura e mídia. Rio de Janeiro: PUC-Rio; São Paulo: Loyola, 2002.

DUQUE, Alejandra. A agenda de Virgínia: uma prostituta de luxo revela sua vida dupla. São Paulo: Planeta do Brasil, 2006.

FARIAS, Edson. Economia e cultura no circuito das festas populares brasileiras. Sociedade e Estado, Brasília, v. 20, n. 3, set./dez., 2005.

https://doi.org/10.1590/S0102-69922005000300007

FOUCAULT, Michel. A ordem do discurso. 15. ed. São Paulo: Loyola, 2007.

FOUCAULT, Michel. História da sexualidade I: a vontade de saber. 17. ed. São Paulo: Graal, 2006.

HERSCHMANN, Micael; PEREIRA, Carlos Alberto Messeder. O boom da biografia e do biográfico na cultura contemporânea. In: OLINTO, Heidrun Krieger; SCHOLLH AMMER, Karl Erik (Orgs.). Literatura e mídia. Rio de Janeiro: PUC-Rio; São Paulo: Loyola, 2002.

ROHTER, Larry. Aquela que controla seu corpo pode irritar seus compatriotas. Blog do The New York Times, São Paulo, 27 abr. 2006.

LAJOLO, Marisa; ZILBERMAN, Regina. O preço da leitura: leis e números por detrás das letras. São Paulo: Ática, 2001.

LEITÃO, Débora Krischke; MACHADO, Rosana Pinheiro. O luxo do povo e o povo do luxo: consumo e valor em diferentes esferas sociais. In: LEITÃO, Débora; NOGUEIRA, Diana; MACHADO, Rosana (Orgs.). Antropologia & Consumo: diálogos entre Brasil e Argentina. Porto Alegre: AGE, 2006.

LEITE JÚNIOR, Jorge. Das maravilhas e prodígios sexuais: a pornografia ‘bizarra’ como entretenimento. São Paulo: Annablume, 2006.

MARTIN-BARBERO, Jesús. Dos meios às mediações: comunicação, cultura e hegemonia. 5. ed. Rio de Janeiro: UFRJ, 2008.

MATTOS, Laura. Ex-prostituta Bruna Surfistinha deve lançar filme sobre sua vida. Folha Online, 8 abr. 2007.

Disponível em: www1.folha.uol.com.br/ilustrada/ult90u70086.shtml. Acesso em: 10 jan. 2018.

MATTOS, Laura. Diários de ex-prostitutas viram fenômenos de venda. Folha Online, 3 set. 2006.

Disponível em: www1.folha.uol.com.br/ilustrada/ult90u64007.shtml. Acesso em: 10 jan. 2018.

MORAES, Samantha. Depois do Escorpião: uma história de amor, sexo e traição. São Paulo: Seoman, 2006.

OLIVEIRA, Vanessa de. O diário de Marise: a vida real de uma garota de programa. São Paulo: Matrix, 2006.

PACHECO, Raquel. Na cama com Bruna Surfistinha: receitas de prazer e sedução. São Paulo: Panda Books, 2007.

PACHECO, Raquel. O que aprendi com Bruna Surfistinha: lições de uma vida nada fácil. São Paulo: Panda Books, 2006.

PERRONE-MOISÉS, Leyla. Altas literaturas: escolha e valor na obra crítica de escritores modernos. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.

RUBINSTEINN, Gabriel. Um blog, uma história e o sucesso literário. Oba, Oba, 2006.

Disponível em: http://www.obaoba.com.br/noticias/revistao/231/comportamento.asp. Acesso em: 10 jan. 2018.

SURFISTINHA, Bruna. O doce veneno do escorpião: o diário de uma garota de programa. São Paulo: Panda Books, 2005.

TELES, Gilberto Mendonça. O mercado do livro universitário. In: OLINTO, Heidrun Krieger; SCHOLLH AMMER, Karl Erik (Orgs.). Literatura e mídia. Rio de Janeiro: PUCRio; São Paulo: Loyola, 2002.

TELLES, Sérgio. Algumas ideias sobre os dois livros de Bruna Surfistinha. Mente & Corpo, n. 169, fev. 2007.

Publicado
2019-08-05
Como Citar
Britto, C. C. (2019). Doce veneno do escorpião: problematizações sobre a economia do simbólico nos diários de Raquel Pacheco. Revista FAMECOS, 26(1), e30666. https://doi.org/10.15448/1980-3729.2019.1.30666
Seção
Mídia e Cultura