Exu, o andrógino canibal: aproximações entre mitologia e imaginário antropófago brasileiro para pensar alteridade

  • Florence Dravet Universidade Católica de Brasília
Palavras-chave: Imaginário, cultura brasileira, antropofagia

Resumo

O presente artigo propõe explorar o mito de Exu e o imaginário antropófago brasileiro em suas concepções indígenas a fim de extrair uma proposta epistemológica para a comunicação que parta de uma metafísica canibal afro-brasileira. Após estudarmos o mito de “Exu come tudo”, e a interpretação indígena do fenômeno da antropofagia, fazemos uma releitura do Manifesto Antropófago modernista e, por aproximação, o atualizamos na mitologia afro-brasileira. Ao abordar essa realidade pelo viés do mito e do imaginário, propomos ultrapassar as barreiras das representações ocidentais em torno da antropofagia e contribuir para uma compreensão desta noção como a de um trajeto digestivo que permite construir-se através do outro. Desta forma, concluímos que o mito de Exu, enquanto andrógino canibal, pode permitir expressar as bases de uma episteme comunicacional própria, brasileira e contemporânea.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Florence Dravet, Universidade Católica de Brasília
Professora do Mestrado em Comunicação da Universidade Católica de Brasília

Referências

ANDRADE, Oswald de. Manifesto antropófago. In: TELES, G. M. Vanguarda européia e modernismo brasileiro: apresentação e crítica dos principais manifestos vanguardistas. Petrópolis: Vozes; Brasília: INL, 1976. Disponível em: http://www.ufrgs.br/cdrom/oandrade/oandrade.pdf. Acesso em: 25 jun. 2017.

BAITELLO Jr, N. A era da iconofagia. Ensaio de comunicação e cultura. São Paulo: Hacker editores, 2005.

COMO era gostoso o meu francês. Direção: Nelson Pereira dos Santos, Roteiro: Nelson Pereira dos Santos, Humberto Mauro, Elenco: Ana Maria Magalhães, Arduíno Colassanti, Eduardo Imbassahy Filho e José Kléber. Produção: Condor Filmes;

Produções Cinematográficas L. C. Barreto Ltda. Nova Iorque: 1973.

DELEUZE, G. GUATARRI, F. Mil platôs. Capitalismo e esquizofrenia. São Paulo: Editora 34, 1995.

DRAVET, F. Corpo, linguagem e real: o sopro de Exu Bará e seu lugar na comunicação, Ilha do Desterro v. 68, n. 3, p. 15-25, Florianópolis, set./dez. 2015.

DRAVET e outros. Pombagira. Encantamentos e abjeções. Brasília: Casa das Musas, 2016.

FERNANDES, F. A função social da guerra na sociedade Tupinambá. São Paulo: Pioneira/Edusp, 1970.

FERRAZ, M. C. F. Ruminações. Cultura letrada e dispersão hiperconectada. Rio de Janeiro: Garamond, 2015.

FOUCAULT, M. As palavras e as coisas. Uma arqueologia das ciências humanas. São Paulo: Martins Fontes, 2011.

FREUD, S. O mal-estar na civilização. São Paulo: Penguin e Companhia das Letras, 2011.

LEVI-STRAUSS, C. Postface, L’Homme, Paris, n. 154-155, p. 713-720, abr. set. 2000. Disponível em: http://lhomme.revues.org/57 Acesso em: 31 jan. 2017.

______, C. Race et histoire. Paris : Gallimard, 2007.

MAFFESOLI, M. O tempo retorna. Formas elementares da pós-modernidade. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2012.

NICOLESCU, B. Contradição, lógica do terceiro incluído e níveis de realidade, tradução de conferência proferida em 2009. Disponível em: www.cetrans.com.br. Acesso em: 20 jan. 2017.

PALAVRA (en)cantada. Direção e Roteiro: Helena Solberg. Produção: David Meyer. Brasil, Rio de Janeiro: Biscoito fino, 2008. 86 min.

PRANDI, R. Mitologia dos orixás. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.

SANTOS, B. S. e MENESES, M. P. Epistemologias do Sul. Coimbra: Almedina, 2009.

SANTOS, J. E. e SANTOS, D. M. (Mestre Didi Asipa). Èxú. Salvador: Corrupio, 2014.

SLOTERDIJK, P. Crítica da razão cínica. São Paulo: Estação Liberdade, 2012.

VIVEIROS DE CASTRO, E. Metafísicas canibais. São Paulo: Cosac Naify, 2015.

Publicado
2018-04-07
Como Citar
Dravet, F. (2018). Exu, o andrógino canibal: aproximações entre mitologia e imaginário antropófago brasileiro para pensar alteridade. Revista FAMECOS, 25(2), ID27839. https://doi.org/10.15448/1980-3729.2018.2.27839
Seção
Mídia e Cultura