Shakespeare, Kabbalah e a responsabilidade sobre o mistério das coisas

  • Carlos Roberto Bueno Ferreira Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
  • Claudio Levitan Newcastle University
Palavras-chave: Shakespeare, Kabbalah, Misticismo Judaico, Hamlet

Resumo

É possível traçar um paralelo entre a técnica literária de Shakespeare e os ensinamentos do misticismo judaico conhecido como Kabbalah? Esse é o foco deste ensaio. A arte de Shakespeare permite interpretações em diversos níveis de profundidade. O homem retratado por Shakespeare é um ser atormentado e dividido entre a luta contra suas próprias paixões e a busca de um significado maior para sua existência, atrelada à reconexão com uma realidade superior. O presente trabalho tenta apontar os possíveis paralelos entre a tradição mística da Kabbalah e algumas obras da maturidade de Shakespeare, na esperança de extrair as semelhanças entre as peças do dramaturgo inglês e modo de interpretação dos textos sagrados conforme certos simbolismos da Kabbalah, relativos a uma jornada de purificação espiritual. Nesse sentido, buscamos apontar que o conteúdo místico é parte fundamental da obra shakespeariana. Contudo, não se trata de exoterismo leviano e desmedido, mas um trabalho criterioso que considera uma genuína responsabilidade sobre o mistério das coisas.

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Referências

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Publicado
2016-12-31
Como Citar
Ferreira, C. R. B., & Levitan, C. (2016). Shakespeare, Kabbalah e a responsabilidade sobre o mistério das coisas. Letrônica, 9(2), 403-410. https://doi.org/10.15448/1984-4301.2016.2.23755