Ordens honoríficas e semipresidencialismo: a Ordem da Liberdade e os Presidentes da República Portuguesa (1976-2017)

  • Filipa Raimundo Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa e ISCTE-IUL
Palavras-chave: Ordens honoríficas, Memória, Semipresidencialismo, Portugal, Democracia

Resumo

Este artigo analisa a forma como os Presidentes da República Portuguesa (PR) têm usado o estatuto de grão-mestres da Ordem da Liberdade (OL), uma ordem honorífica criada com o fim da ditadura para homenagear quem lutou pela liberdade e pela democracia, com base nas 501 condecorações atribuídas entre 1977 e 2017. A pergunta a que o artigo se propõe responder é a seguinte: Será que a OL é usada pelos PR como recompensa política ou de forma meramente simbólica? Os resultados sugerem que a dimensão simbólica prevalece, mas a análise do perfil dos condecorados e dos mandatos presidenciais revela padrões que não permitem abandonar totalmente a hipótese da instrumentalização da ordem.

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Biografia do Autor

Filipa Raimundo, Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa e ISCTE-IUL
Doutora em Ciências Políticas e Sociais pelo Instituto Universitário Europeu de Florença

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Publicado
2017-12-04
Como Citar
Raimundo, F. (2017). Ordens honoríficas e semipresidencialismo: a Ordem da Liberdade e os Presidentes da República Portuguesa (1976-2017). Estudos Ibero-Americanos, 43(3), 654-666. https://doi.org/10.15448/1980-864X.2017.3.27847