O altersense do haicai

  • Ana Fernandes Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro
  • João Queiroz Universidade Federal de Juiz de Fora
Palavras-chave: Haicai, Altersense, Faneroscopia, Peirce

Resumo

O haicai tem sido alvo de uma enorme quantidade de análises. De Barthes a Leminski, de Haroldo de Campos a Octavio Paz, para mencionar apenas alguns dos mais conhecidos, as análises se concentram na forma justa e densamente estruturada do poema e na brevidade do acontecimento representado. Trata-se de uma ideia que já foi muito explorada, e da qual extraímos novas consequências. Em nossa descrição, baseada na faneroscopia de Charles S. Peirce, o haicai não é o signo de um acontecimento, mas do altersense do haijin, que é a “consciência de um presente diretamente outro, ou segundo” (CP 7.551) do poeta. De acordo com essa abordagem, o haicai é um signo, ao mesmo tempo icônico e indexical, que representa um “departamento da ação mental” (CP 7.539).

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Biografia do Autor

Ana Fernandes, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro

Ana Luiza Maia Gama Fernandes é doutoranda (bolsista modalidade GD – CNPq) no Departamento de Letras, Literatura, Cultura e Contemporaneidade, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, PUC-Rio, Rio de Janeiro, Brasil. E-mail: [email protected]

João Queiroz, Universidade Federal de Juiz de Fora

João Queiroz é professor do Instituto de Artes e Design, UFJF. Ele é membro da International Association for Cognitive Semiotics (IACS), membro do Linnaeus University Centre for Intermedial and Multimodal Studies, Vaxjo (Suécia), e pesquisador associado do Linguistics and Language Practice Department, University of the Free State (Africa do Sul). Site: www.semiotics.pro.br E-mail: [email protected]

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Publicado
2018-07-30
Como Citar
Fernandes, A., & Queiroz, J. (2018). O altersense do haicai. Letras De Hoje, 53(2), 297-305. https://doi.org/10.15448/1984-7726.2018.2.30083
Seção
Teoria e Prática da Biografia