Educação e inclusão digital: consistências e fragilidades no empoderamento dos grupos sociais

  • Lucila Maria Pesce Universidade Federal de São Paulo
  • Adriana Rocha Bruno Universidade Federal de Juiz de Fora
Palavras-chave: Educação. Inclusão digital. Empoderamento.

Resumo

O presente artigo integra o quadro teórico realizado para uma pesquisa em desenvolvimento sobre políticas de inclusão digital e seus desdobramentos na educação formal. Portanto, no tocante ao método, o artigo
apresenta-se como pesquisa bibliográfica. O texto busca evidenciar consistências e fragilidades, no âmbito da inclusão digital, mediante discussão centrada em dois campos conceituais: cibercultura e constituição dos sujeitos sociais; inclusão digital e empoderamento. Na argumentação, o artigo defende a ampliação do conceito de inclusão digital, que transcende a fluência tecnológica e o acesso aos recursos tecnológicos e à conexão em rede. A visão ampliada do conceito de inclusão digital ora proposta pertence ao campo mais amplo da inclusão social. Por essa razão, articula-se
ao conceito freireano de empoderamento dos grupos sociais, para que estes se percebam como leitores críticos de si e de suas circunstâncias, e possam nelas intervir, com mais consciência e consistência.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Lucila Maria Pesce, Universidade Federal de São Paulo

Doutora em Educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (São Paulo, SP, Brasil) e professora na Universidade Federal de São Paulo (São Paulo, SP, Brasil)

Adriana Rocha Bruno, Universidade Federal de Juiz de Fora

Doutora em Educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (São Paulo, SP, Brasil) e professora na Universidade Federal de Juiz de Fora (Juiz de Fora, MG, Brasil).

Referências

ALMEIDA JÚNIOR, João Baptista de. O estudo como forma de pesquisa. In: CARVALHO, Maria Cecília de. Metodologia científica, fundamentos e técnicas: construindo o saber. 12. ed. Campinas, SP: Papirus, 1989. p. 97-118.

BAQUERO, Rute. Empoderamento: instrumento de emancipação social? Uma discussão conceitual. Revista Debates (UFRGS), Porto Alegre, v. 6, n. 1, p. 173-187, jan.- abr. 2012. Disponível em: http://seer.ufrgs.br/debates/article/viewFile/26722/17099>. Acesso em: 13 abr. 2014.

BONILLA, Maria Helena. Políticas públicas para inclusão digital nas escolas. Motrivivência, ano XXII, n. 34, p. 40-60, jun. 2010. Disponível em: <http://www.periodicos.ufsc.br/index.php/motrivivencia/article/view/17135>. Acesso em: 13 abr. 2014.

BONILLA, Maria Helena; PRETO, Nelson (Org.). Inclusão digital: polêmica contemporânea. Salvador: EDUFBA, 2011. Disponível em: https://repositorio.ufba.br/ri/bitstream/ri/4859/1/repositorio-Inclusao%20digital-polemica-final.pdf>. Acesso em: 13 abr. 2014.

BRASIL. Parecer CNE/CP 09/2001, de 8 de maio de 2001. Institui as Diretrizes Curriculares Nacionais para a formação de professores de Educação Básica, em nível superior, curso de licenciatura, de graduação plena. Brasília, DF: Ministério da Educação, 8 maio 2001. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/009.pdf>. Acesso em: 13 abr. 2014.

BRASIL. Resolução CNE/CP 01/2006, de 16 de maio de 2006. Institui as Diretrizes Curriculares Nacionais para o curso de graduação em Pedagogia, licenciatura. Brasília, DF: Ministério da Educação, 16 maio 2006. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/rcp01_06.pdf>. Acesso em: 13 abr. 2014.

BRASIL. Plano Nacional de Educação – Projeto de Lei nº 8.035 de 2010. Aprova o Plano Nacional de Educação para o decênio 2011-2020 e dá outras providências. Brasília, DF: MEC, 2010. Disponível em: <http://www.camara.gov.br/sileg/integras/831421.pdf>. Acesso em: 13 abr. 2014.

BUZATO, Marcelo. Letramento digital abre portas para o conhecimento [11 jan. 2003]. Entrevistadora: Olivia Rangel Joffily. EducaRede. Disponível em: <http://www.educarede.org.br/educa/html/index_busca.cfm>. Acesso em: 13 abr. 2014. CASTELLS, Manuel. The rise of network society. Oxford: Blackwell Publishers, 1996.

CASTELLS, Manuel. Redes de indignación y esperanza: los movimientos sociales en la era de Internet. Tradução de Maria Hernández Díaz. Madrid: Alianza Editorial, 2012.

DIAS, Lia Ribeiro. Inclusão digital como fator de inclusão social. In: PRETO, Nelson; BONILLA, Maria Helena (Org.). Inclusão digital: polêmica contemporânea. Salvador: EDUFBA, 2011. p. 61-90. Disponível em: . Acesso em: 13 abr. 2014.

DUSSEL, Enrique. Ética da libertação na idade da globalização e da exclusão. Petrópolis: Vozes, 2000.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1981.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da esperança: um reencontro com a pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992.

FREIRE, Paulo; SHOR, Ira. Medo e ousadia: o cotidiano do professor. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1986.

HABERMAS, Jürgen. O caos da esfera pública. Jornal Folha de São Paulo, São Paulo, 13 ago. 2006. Caderno Mais, p. 4-5. HELOU, Ângela et al. Políticas públicas de inclusão digital. RENOTE - Revista Novas Tecnologias na Educação, Porto Alegre, v. 9, n. 1, p. 1-10, 2011. Disponível em: . Acesso em: 13 abr. 2014.

JOHNSON, Steven. Interface culture: how new technology transforms the way we create and communicate. New York (USA): Harper Edge (Harper Collins), 1997.

LEMOS, André (Ed.). Cidade digital: portais, inclusão e redes no Brasil. Salvador: Edufba, 2007.

LEMOS, André. Prefácio. In: PRETO, Nelson; BONILLA, Maria Helena (Org.). Inclusão digital: polêmica contemporânea. Salvador: EDUFBA, 2011. p. 15-21. Disponível em: <https://repositorio.ufba.br/ri/bitstream/ri/4859/1/repositorio-Inclusao%20digital-polemica-final.pdf>. Acesso em: 13 abr. 2014.

LÉVY, Pierre. Cyberculture. Paris: Éditions Odile Jacob, 1997.

MANOVICH, Lev. The language of new media. Cambridge: The MIT Press, 2001.

MATTOS, Fernando Augusto; CHAGAS, Gleidson José do Nascimento. Desafios para a inclusão digital no Brasil. Perspect. Ciênc. Inf., Belo Horizonte, v. 13, n. 1, p. 67-94, jan.-abr. 2008. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/pci/v13n1/v13n1a06.pdf>. Acesso em: 13 abr. 2014.

OLIVEIRA, Rita de Cássia. Cibercultura, cultura audiovisual e sensorium juvenil. In: LEÃO, Lucia. (Org.). O chip e o caleidoscópio: reflexões sobre as novas mídias. São Paulo: SENAC, 2005. p. 495-503.

PEREIRA, Potiguara Acácio. Considerações em torno a uma concepção do sujeito. In: MORENO, Leda Virgínia Alves; ROSITO, Margaréte May Berkenbrock (Org.). O sujeito na educação e saúde: desafios na contemporaneidade. São Paulo: Loyola, 2007. p. 179-195.

PRETO, Nelson; BONILLA, Maria Helena (Org.). Inclusão digital: polêmica contemporânea. Salvador: EDUFBA, 2011. p. 163-182. Disponível em: <https://repositorio.ufba.br/ri/bitstream/ri/4859/1/repositorio-Inclusao%20digital-polemicafinal.pdf>. Acesso em: 13 abr. 2014.

PRETO, Nelson; SOUZA, Joseilda Sampaio; ROCHA, Telma Brito. Tabuleiro digital: uma experiência de inclusão digital em ambiente educacional. In: PRETO, Nelson; BONILLA, Maria Helena (Org.). Inclusão digital: polêmica contemporânea. Salvador: EDUFBA, 2011. p. 163-182. Disponível em: <https://repositorio.ufba.br/ri/bitstream/ri/4859/1/repositorio-Inclusao%20digital-polemica-final.pdf>. Acesso em: 13 abr. 2014.

SANFELICE, José Luís. Dialética e pesquisa em educação. In: LOMBARDI, José Claudinei; SAVIANI, Dermeval (Org.). Marxismo e educação: debates contemporâneos. Campinas, SP: Autores Associados, 2005. p. 69-94.

SCHNITMAN, Dora Fried. Metáforas da mudança: terapia e processo. In: SCHNITMAN, Dora Fried (Org.). Novos paradigmas, cultura e subjetividade. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996. p. 244-253.

SCHWARTZ, Gilson. Educação como produção colaborativa de conteúdo. In: XI ENCONTRO NACIONAL DAS ESCOLAS DE GOVERNO, 11, 2010, São Paulo. Anais eletrônicos. São Paulo: Fundap, 2010. Disponível em: <http://www.fundap. sp.gov.br/egdialogal/pdf/Apresenta%C3%A7%C3%A3o%20 -%20texto%20Gilson%20Schuartz%2009_06.pdf>. Acesso em: 13 abr. 2014.

SERRES, Michel. Polegarzinha. Tradução de Jorge Bastos. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2013.

SILVA, Helena et al. Inclusão digital e educação para a competência informacional: uma questão de ética e cidadania. Ci. Inf., Brasília, v. 34, n. 21, p. 28-36, jan.-abr. 2005. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-19652005000100004&nrm=iso&tlng=pt>. Acesso em: 13 abr. 2014.

SILVEIRA, Sérgio Amadeu. A noção de exclusão digital diante das exigências de uma cibercidadania. In: HETKOWSKI, Tânia Maria (Org.). Políticas públicas & inclusão digital. Salvador: EDUFBA, 2008.

SOARES, Magda. Novas práticas de leitura e escrita: letramento na cibercultura. Revista Educação e Sociedade, Campinas, v. 23, n. 81, p. 143-160, 2002. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/es/v23n81/13935.pdf>. Acesso em: 3 abr. 2014.

TOURAINE, Alain. Nascimento do sujeito. In: TOURAINE, Alain. Crítica da Modernidade. 4ª ed. Petrópolis: Vozes, 1994. p. 211-370.

TRIVIÑOS, Augusto. O materialismo histórico. In: TRIVIÑOS, Augusto. Introdução à pesquisa em ciências sociais: a pesquisa qualitativa em educação. São Paulo: Atlas, 1987. p. 49-74.

WARSCHAUER, Mark. Tecnologia e inclusão social: a exclusão digital em debate. São Paulo: Editora Senac, 2006.

Publicado
2016-02-25
Como Citar
Pesce, L. M., & Rocha Bruno, A. (2016). Educação e inclusão digital: consistências e fragilidades no empoderamento dos grupos sociais. Educação, 38(3), 349-357. https://doi.org/10.15448/1981-2582.2015.3.21779
Seção
Dossiê - In/exclusão Digital e Educação