A construção de personagens femininas no romance de filiação Azul corvo, de Adriana Lisboa
DOI:
https://doi.org/10.15448/1984-4301.2025.1.48022Palavras-chave:
Romance de filiação, Personagem feminina, Guerrilha do Araguaia, Azul corvoResumo
A proposta deste artigo é analisar a construção de dois tipos de personagens femininas presentes no romance de filiação pós-ditatorial Azul corvo, de Adriana Lisboa, publicado em 2010: a personagem herdeira e as personagens guerrilheiras. Desse modo, a hipótese de leitura aqui levantada é a de que a reconstrução narrativa da personagem herdeira de memórias do trauma é um meio de resgate e de destaque da personagem guerrilheira, somada à noção de que tal reconstrução se faz possível pela via do romance de filiação. Para tanto, serão convocadas, como fundamentação teórica e crítica, as reflexões de Anne Muxel (1996), Berttoni Licarião (2023), Dominique Viart (2005), Eurídice Figueiredo (2017, 2020, 2024), Jeanne Marie Gagnebin (2006), Joël Candau (2011), entre outros.
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