Considerações sobre o conto “Mamãe”, de Lucia Berlin
DOI:
https://doi.org/10.15448/1984-4301.2025.1.48005Palavras-chave:
Autoficção, Narrativas de filiação, Criatividade, Tecnologia, Teoria literáriaResumo
Este artigo tem por objetivo apresentar algumas considerações acerca do conto “Mamãe”, de Lucia Berlin, inserido na coletânea Manual da faxineira, à luz de estudos sobre a autoficção; com destaque para o conceito de “narrativas de filiação”: um gênero voltado para a busca do eu, através da investigação da ancestralidade familiar. No conto analisado, podemos perceber a complexidade da figura materna, marcada pelo alcoolismo e pelo abuso psicológico, a partir do diálogo entre duas irmãs que buscam compreender a própria identidade, trocando histórias sobre a mãe. Ademais, procuramos discutir o papel da literatura na transmutação da vida em arte, além de estratégias para estabelecer conexões significativas entre autores e leitores. Abordamos, ainda, questões contemporâneas ligadas ao impacto da tecnologia na forma pela qual nos comunicamos, à solidão e ao narcisismo da era digital. Por fim, reiteramos a importância de uma valorização da singularidade e da criatividade, tanto na produção acadêmica quanto literária, sugerindo um diálogo mais amplo e acessível entre a sociedade não acadêmica e estudiosos de diferentes áreas do saber.
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