Memória e história das mulheres na ditadura do Brasil
O corpo interminável, de Cláudia Lage
DOI:
https://doi.org/10.15448/1984-4301.2025.1.48033Palavras-chave:
ditadura, literatura contemporânea, mulheres, pró-memória, resistênciaResumo
No presente texto, discute-se O corpo interminável, romance da literatura brasileira contemporânea que evidencia o papel das mulheres no âmbito da resistência contra a ditadura militar no Brasil, tomando-o como pró-memória representativa de uma das muitas formas de mediação com o passado de opressão e violência. Assim, discutem-se o processo narrativo, as personagens e as relações que vão se delineando na busca por respostas para fatos e informações apenas recuperáveis de forma lacunar, imprecisa, muitas vezes impossível de confirmação. Nesse caminho, busca-se evidenciar como o presente está continuamente sendo solicitado a se responsabilizar, a se posicionar, a exemplo da própria escrita do romance, como narrativa representativa tanto da necessidade de não deixar esquecer quanto da possibilidade de oferecer uma potente metáfora, corpo interminável, para a transferência transgeracional da memória traumática que habita atualmente um campo de embates e disputas no Brasil. Por meio de uma (auto)reflexão metaliterária que une história, realidade e imaginação, evidenciando os corpos femininos, Lage (2019) ressalta o caráter coletivo da herança a ser lembrada e transmitida às novas gerações.
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