Um grito que soma
Uma análise semiolinguística da canção Maria da Vila Matilde
DOI:
https://doi.org/10.15448/1984-4301.2021.4.39736Palavras-chave:
Semiolinguística, Discurso, Música brasileira, Violência domésticaResumo
Os crescentes índices de violência doméstica demonstram como o Brasil ainda se constitui a partir de uma cultura patriarcal, machista e racista, apoiada na concepção de mulher enquanto bela, recatada e do lar (VEJA, 2016). A partir da Teoria Semiolinguística proposta por Patrick Charaudeau (2008), realizamos neste trabalho uma análise dos atos de linguagem presentes na canção Maria da Vila Matilde, composta por Douglas Germano e interpretada por Elza Soares. A abordagem teórico-metodológica utilizada neste artigo está baseada na classificação do texto a partir dos Modos de organização do discurso, tendo o Modo Enunciativo como foco. Este trabalho é de cunho descritivo-analítico-interpretativo, o que esboçamos em um quadro elaborado a fim de organizar a música em virtude dos seus modos enunciativos. Logo após essa descrição feita por meio do quadro, analisamos e interpretamos de que maneira tais modos constituem sentido, especialmente o sentido de enfrentamento/empoderamento.
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