A figura de Débora

Uma análise sobre as memórias contidas em Juízes 4-5

Palavras-chave: Débora, Memórias, Juízes, Israel Norte

Resumo

As memórias de Débora contidas em Juízes 4-5 pertencem a dois conflitos diferentes sobre acontecimentos turbulentos do século 10 a.C, um na região do Monte Tabor e o outro no Vale de Jezrael. Com o advento da Escrita, Israel Norte produziu o que seria o livro dos “salvadores e libertadores” do povo, texto que posteriormente foi inserido na memória do Sul. Este trabalho, por meio de estudo bibliográfico, realizou uma análise sobre as memórias de Débora contidas neste antigo relato. Para alcançar o objetivo de analisar as recordações de Débora contidas em juízes 4-5 discutimos à luz dos referenciais teóricos sobre as imagens contidas no texto. As leituras apontaram para questões como o papel de Débora na sociedade de Israel Norte já que ela é chamada de mãe, profetiza, guerreira e juíza. Os simbolismos por trás do julgamento na montanha e debaixo de uma tamareira levam a perguntas sobre as formas de culto daquela época, também o simbolismo com o nome de “abelha” e o apiário em Tel Rehov. Os indícios levantam a hipótese de Débora ser uma representante do culto feminino ou até divindade feminina do antigo Israel.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Leide Jane Soares Dos Santos, Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU), São Paulo, SP, Brasil.

Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP), em São Bernardo do Campo, SP, Brasil.

Referências

ALMADA, S. Fazer justiça nos limites da anarquia – A profecia do livro dos Juízes. Revista de Interpretação Bíblica Latino-Americana/Ribla, Petrópolis, n. 60. p. 41-56, 2008.

BRENNER, Athalya (org.). Juízes a partir de uma leitura de Gênero. Trad. Fátima Regina Durães Marques. São Paulo: Paulinas, 2001. (Coleção A Bíblia: uma Leitura de Gênero)

CORDEIRO, A. L. A. Onde Estão as deusas? Asherá. A Deusa proibida, nas linhas e entrelinhas da Bíblia. São Leopoldo: CEBI, 2011.

CROATTO, S. A deusa Aserá no antigo Israel: A contribuição epigráfica da arqueologia. Revista de Interpretação Bíblica Latino-Americana, Petrópolis, n. 38, p. 32-44, 2002.

FINKELSTEIN, I.; SILBERMAN, N. A. A Bíblia não Tinha Razão. São Paulo: A Girafa Editora, 2003.

FINKELSTEIN, I. Compositional Phases, Geography and Historical Setting behind Judges 4-5 and the Location of Harosheth-ha-goiim. Scandinavian Journal of the Old Testament, v. 31, n. 1, p. 80-91, 2017. Disponível em: https://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/09018328.2017.1301639. Acesso em 10 dez. 2019. https://doi.org/10.1080/09018328.2017.1301639

KAEFER, J. A. A Arqueologia e os novos paradigmas Bíblicos. Caminhos, Goiânia, v. 14, n. 1, p. 129-141, jan./jun. 2016/b. https://doi.org/10.18224/cam.v14i1.4831

KAEFER, J. A. Arqueologias das Terras da Bíblia II: Entrevista com os arqueólogos Israel Finkelstein e Amihai Mazar. São Paulo: Paulus, 2016a.

KAEFER, J. A. As “tribos de Israel”! Memórias remanescentes em Jz 5,14-18. Revista de Interpretação Bíblica Latino-Americana/Ribla, Petrópolis, n. 75, 2017.

LAMONTAGNE, N. The Song of Deborah (Judges 5): Meaning and Poetry in the Septuagint. Dissertation (Masters) -- The Catholic University of America, Washington, 2013.

LANOIR, C. Juízes. In: RÖMER, T.; MACCHI, J.-D.; N., C. (ed.). Antigo Testamento - História, escritura e teologia. São Paulo: Loyola, 2010. p. 322-337.

MATTOS, S. M. A influência das Deusas Asherah e Ishtar na construção da imagem materna de Javé em DêuteroIsaísas. Âncora, [S. l.], v. ix, a. 9, mar. 2014.

MAYFIELD, T. The Accounts of Deborah (Judges 4 5) in Recent Research. Currents in Biblical Research, [S. l.], 7.3, 2009, p. 306-305. https://doi.org/10.1177/1476993X09104456

OTTERMANN, M. A Deusa Inana-Ishtar – uma rival de YHWH? Considerações feministas sobre as Deusasárvore e o Deus único da Bíblia Hebraica. Hermenêuticas Bíblicas. In: I CONGRESSO BRASILEIRO DE PESQUISA BÍBLICA. OIKOS/OCG; ABIB, 2006. p. 136-145. PAREDES, J. C. R. G. Mariologia: Síntese Bíblica, Histórica e Sistemática. São Paulo: Editora Ave Maria, 2011.

RAINEY, Anson F. (org.). The El-Amarna Correspondence: a new edition of the Cuneiform Letters from the site of El-Amarna based on collations of all extant tablets. Tradução de Anson F. Rainey. Edição de William M. Schniedewind. Leiden: Brill, 2015. https://doi.org/10.1163/9789004281547

RÖMER, T. A Chamada História Deuteronomista: Introdução sociológica, histórica e literária. Trad. Gentil Avelino Titton. Petrópolis: Vozes, 2008.

RÖMER, T. A origem de Javé: O Deus de Israel e seu nome. São Paulo: Paulus, 2016.

SCHMID, K. História da Literatura do Antigo Testamento: uma introdução. Tradução de Uwe Wegner. São Paulo: Edições Loyola, 2013.

SCHROER, S. A caminho para uma reconstrução feminista da história de Israel. In: SCHOTTROFF, L.; SCHROER, S.; WACKER, M. Exegese Feminista: Resultados de pesquisas Bíblicas a partir da perspectiva de mulheres. São Leopoldo: ASTE/CEBI/Sinodal, 2008. p. 81-151.

SPRONK, K. Deborah, a Prophetess: the Meaning and Background of Judges 4:4-5. In: J.C. de Moor (ed.). The Elusive Prophet (OTS 45). Leiden: [s. n.], 2001. p. 232-242. VAN SETERS, J. Em Busca da História: Historiografia no mundo antigo e as origens da história bíblica. São Paulo: EDUSP, 2008.

YOUNG, I. Biblical Texts Cannot be Dated Linguistically. Hebrew Studies, [S. l.], v. 46, p. 341-351, 2005. https://doi.org/10.1353/hbr.2005.0038

Publicado
2020-12-23
Seção
Artigos