Bem-estar psicológico, sintomas de depressão e forças do caráter em idosos da comunidade

Palavras-chave: envelhecimento positivo, forças do caráter, idosos, bem-estar, depressão

Resumo

Em um mundo com um número crescente de idosos, envelhecer bem se torna cada vez mais importante, e as forças do caráter podem contribuir para que isso seja alcançado. A fim de analisar forças na velhice, associando-as com sintomas depressivos e bem-estar psicológico, 188 idosos responderam às versões reduzidas e em português dos instrumentos Values-in-Action Inventory of Strengths, Escala de Depressão Geriátrica e Philadelphia Geriatric Center Morale Scale. As forças Amor, Esperança, Curiosidade, Perdão e Vitalidade se associaram tanto a níveis mais elevados de bem-estar psicológico quanto a mais baixos de sintomas depressivos. Foram obtidas correlações significativas entre seis forças e sintomas depressivos – negativas fracas – e entre 11 delas e bem-estar psicológico – positivas fracas. Os resultados deste estudo ampliam, ainda que limitadamente, o conhecimento sobre forças de idosos, especialmente como elas se relacionam com dois construtos que influenciam a velhice. Ademais, fornecem uma base para o desenvolvimento de intervenções futuras.

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Biografia do Autor

Eduarda Rezende Freitas, Universidade Católica de Brasília (UCB), Brasília, DF, Brasil.

Doutora e mestre em Psicologia pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), em Juiz de Fora, MG, Brasil. Professora da Universidade Católica de Brasília (UCB), em Brasília, DF, Brasil.

Altemir José Gonçalves Barbosa, Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Juiz de Fora, MG, Brasil.

Doutor em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC Campinas), em Campinas, SP, Brasil; mestre em Psicologia Escolar pela PUC Campinas. Professor da Universidade Federal de Juiz de Fora, em Juiz de Fora, MG, Brasil.

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Publicado
2022-05-02
Como Citar
Freitas, E. R., & Barbosa, A. J. G. (2022). Bem-estar psicológico, sintomas de depressão e forças do caráter em idosos da comunidade. Psico, 53(1), e36703. https://doi.org/10.15448/1980-8623.2022.1.36703