De Queer as Folk a Pose, 20 anos depois

As representações em disputa, da homofobia à transfobia

Palavras-chave: LGBTQIA , Queer as Folk, Pose

Resumo

Este trabalho visa apresentar um panorama diacrônico das abordagens de dois seriados veiculados em períodos distintos, num intervalo de duas décadas. O primeiro, intitulado Queer as Folk, de 2000, na TV por assinatura, aborda as vivências não normatizadas da sexualidade gay e lésbica, enquanto o segundo, Pose, mais recente, por streaming, avança nas representações de minorias transexuais e transgêneros, com cortes de raça e de classe social. Evidencia-se, a partir de um olhar sobre os estudos de gênero e da sexualidade, com aporte das representações sociais da psicologia social e dos estudos culturais, pela análise de conteúdo, como se dão as visibilidades das tensões e das negociações do que escapa da heteronormatividade nos limites da ficção seriada televisiva. Da visibilidade de uma hegemonia gay, branca, classe média com o mote da homofobia, duas décadas após, percebe-se as representações de pessoas negras e vulneráveis social e economicamente ao enfrentarem a transfobia.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

André Iribure Rodrigues, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Porto Alegre, RS, Brasil.

Doutor em Comunicação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em Porto Alegre, RS, Brasil. Professor da mesma universidade.

Referências

AMÍCOLA, José. Camp y posvanguardia. Manifestaciones culturales de un siglo fenecido. Buenos Aires: Editora

Paidós, 2000.

ALMEIDA NETO, Luiz Mello de. Família no Brasil dos anos 90: um estudo sobre a construção social da conjugalidade homossexual. 1999. Tese (Doutorado em Sociologia) – UnB, Brasília, 1999.

BAUER, Martin W. Análise de Conteúdo Clássica: uma revisão. In: BAUER, Martin; GASKELL, George (ed.). Pesquisa Qualitativa com Texto: imagem e som: um manual prático. Tradução de Pedrinho A. Guareschi. Petrópolis: Vozes, 2002. p. 189-217.

BOURDIEU, Pierre. A Dominação Masculina. Tradução de. Guacira Lopes Louro. Educação & Realidade, Porto Alegre, v. 20, n. 2, p. 133-184, jul./dez. 1995.

BUTLER, Judith. Problemas de gênero: Feminismo e subversão da identidade. 2. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2008. 236 p.

CRENSHAW, Kimberle. Demarginalizing the intersection of race and sex: a black feminist critique of antidiscrimination doctrine, feminist theory and antiracist politics. 1989. University of Chicago Forum, Chicago, v. 1989. n. 1, p. 139-167. Disponível em: https://chicagounbound.uchicago.edu/ cgi/viewcontent.cgi?Article=1052&context=uclf. Acesso em: 18 mar. 2019.

CRENSHAW, Kimberle. Documento para o encontro de especialistas em aspectos da discriminação racial relativos ao gênero. Estudos Feministas, Florianópolis, ano 10, v. 1, 2002. Disponível em http://www.scielo.br/pdf/ref/v10n1/11636.pdf. Acesso em: 18 mar. 2019.

DE FEIJTER, Dimph.; KHAN, Vassilis-Javed.; VAN GISBERGEN, Marnix. Confessions of a ‘guilty’ couch potato understanding and using context to optimize binge-watching behavior. In: 3rd ACM International Conference on Interactive Experiences for TV and Online Video (TVX 2016). Proceedings […]. Chicago: IIT Institute of Design, 2016. p. 59-67.

ELLSWORTH, Elizabeth. Modos de endereçamento: uma coisa de cinema. In: SILVA, Tomaz Tadeu da (org.). Nunca fomos humanos. Belo Horizonte: Autêntica, 2001. p. 7-76.

EPISODE Guide HTML. In: WIKIPEDIA: the free encyclopedia. [San Francisco, CA: Wikimedia Foundation, 2006]. Disponível em: http://www.tv.com/queer-as-folk/show/3177/episode_guide.html. Acesso em: 8 jul. 2006.

FACCHINI, Regina. Sopa de Letrinhas?: movimento homossexual e produção de identidades coletivas nos anos 1990. Rio de Janeiro: Garamond, 2005.

FRANÇA, Vera V. A televisão porosa: traços e tendências. In: FREIRE FILHO, João (org.). A TV em Transição: tendências de programaçã o no Brasil e no mundo. Porto Alegre: Sulina, 2009. p. 27-52.

GARCIA, Wilton. Homoerotismo & imagem no Brasil. São Paulo: U.N. Nojosa, 2004.

AMPARO, Thiago de Souza; CARVALHO, Lorraine; DUTRA, Nathalia; SANTIAGO, Natan. (Coord.). A Violência

LGBTQIA+ no Brasil. FGV, SP, 2020. Disponível em: https://www.fgv.br/mailing/2020/webinar/DIREITO/Nota_Tecnica_n.pdf. Acesso em: mar. 2021.

HALL, Stuart. A Questão da Identidade Cultural. Textos Didáticos, São Paulo: IFCH/UNICAMP, 1995.

HALL, Stuart. Representation. Cultural Representations and Signifying Pratices. London: Sage: Open University, 1997.

HENCKEN, Joel D. Homossexuality and Psychoanalisis: toward a mutual understanding. American Behavioral Scientist, Boston, v. 25, n. 4, p. 435-468, mar./abr. 1982.

LOPES, Denilson. Desafios dos Estudos Gays, Lésbicos e Transgêneros. Comunicação Mídia e Consumo – Corpo e sexualidade na mídia, São Paulo, v. 1, n. 1, p.63-73, 2004.

LOURO, Guacira. O cinema como pedagogia. In: LOPES, Eliane Marta T. e al (org.). 500 anos de educação no Brasil. Belo Horizonte: Autêntica, 2000. p. 423-446.

LOURO, Guacira.Teoria Queer: uma política pós-identitária para a educação. Estudos Feministas, ano 9, p. 541-553, 2º semestre 2001.

LOURO, Guacira. Um corpo estranho: ensaios sobre sexualidade e teoria queer. Belo Horizonte: Autêntica, 2004.

MEIMARIDIS, Melina. A Indústria das Séries Televisivas Americanas. Culturas Midiáticas, João Pessoa, v. 10, n. 1, jan./jun. 2017. Disponível em: https://periodicos.ufpb.br/index.php/cm/article/view/35037. Acesso em: out. 2021.

MORIGI, Valdir Jose. Teoria Social, Comunicação: Representações sociais, produção de sentidos e construção dos imaginários midiáticos. Revista Eletrônica E-compos, Brasília, v. 1, 2004.

MOSCOVICI, Serge. Representaçõ es Sociais: investigaçõ es em psicologia social. Tradução de Pedrinho A. Guareschi. Petrópolis: Vozes, 2003.

NUNAN, Adriana. Homossexualidade: do preconceito aos padrões de consumo. 1. ed. Rio de Janeiro: Caravansarai, 2003.

NICHOLSON, Linda. Interpretando o gênero. Estudos Feministas, Florianópolis, ano 8, p. 9-41, 2. sem. 2000. Disponível em: http://www.portalfeminista.org.br. Acesso em: 10 jan. 2006.

PONTES, Júlia Clara; SILVA, Cristiane Gonçalves. Cisnormatividade e Passabilidade: deslocamentos e diferenças nas narrativas de pessoas trans. Periódicus, Salvador, v. 1, n. 8, p. 396-417, nov. 2017/abr. 2018.

PARKER, Richard. Teorias de intervenção e prevenção do HIV/AIDS. In: PARKER, Richard; TERTO JÚNIOR, Veriano (org.). Entre homens: homossexualidade e aids no Brasil. 1. ed. Rio de Janeiro: ABIA, 1998. p. 101-109.

PARKER, Richard. Cultura, Economia Política e Construção Social da Sexualidade. In: LOURO, Guacira Lopes (org.). O Corpo Educado: pedagogias da sexualidade. Tradução de Tomaz Tadeu da Silva. Belo Horizonte: Autêntica, 1999.

PARKER, Richard. Abaixo do Equador. Tradução de Ryta Vinagre. Rio de Janeiro: Record, 2002.

PRECIADO, Paul Beatriz. Manifesto Contrassexual: políticas subversivas de identidade sexual. São Paulo: n-1 edições, 2014.

SANTOS, Henrique. A transnacionalização da cultura dos Ballrooms. 2018. Dissertação (Mestrado em Linguística Aplicada) – Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Estudos da Linguagem, Campinas, 2018.

SPENCER, Colin. Homossexualidade: uma história. Tradução de Rubem Mauro Machado. Rio de Janeiro: Record, 1996.

SILVA, Antônio Sidney da; LUNA, Moisés Saraiva de. Travestis e transgêneros e sua inserção no mercado formal de trabalho. Cadernos de Gênero e Tecnologia, Curitiba, v. 12, n. 39, p. 303-318, jan./jun. 2019.

SILVA, Marcel. Cultura das Séries: forma, contexto e consumo de ficção seriada na contemporaneidade. Galáxia, São Paulo, n. 27, p. 241-252, jun. 2014. Disponível em https://revistas.pucsp.br/index.php/galaxia/article/view/15810/14556. Acesso em: out. 2021.

SMITH; Stacy; CHOUEITI, Marc; PIEPER, Katherine. Inclusion ou Invisibility? Comprehensive Annenberg Report on Diversity in Entertainment. Institute for Diversity and Empowerment at Annenberg (IDEA). Los Angeles: USC Annenberg – School for Communication and Journalism, 2016. Disponível em: https://annenberg.usc.edu/sites/default/files/2017/04/07/mdsci_card_report_final_exec_summary.pdf. Acesso em: 21 mar. 2021.

SCOTT, Joan. Gênero: uma categoria útil de análise histórica. Educação e Realidade, Porto Alegre, v. 20, n. 2, p. 71-99, 1995.

SWAIN, Tânia Navarro. Para além do binário: os queers e o heterogênero. Gênero, Niterói, v. 2, n. 1, p. 87-98, 2. sem. 2001.

TV.com em EPISODE Guide HTML. In: WIKIPEDIA: the free encyclopedia. [San Francisco, CA: Wikimedia Foundation, 2006]. Disponível em: http://www.tv.com/queer-as-folk/show/3177/episode_guide.html . Acesso em: 08 jul. 2006.

WEINBERG, George. Society and the Healthy Homossexual. New York: St. Martin’s Press, 1972.

ZARFOLIN, Sofia. Rupturas Possíveis. São Paulo: Annablume, 2005.

Publicado
2021-12-14
Como Citar
Rodrigues, A. I. (2021). De Queer as Folk a Pose, 20 anos depois: As representações em disputa, da homofobia à transfobia. Revista FAMECOS, 28(1), e40929. https://doi.org/10.15448/1980-3729.2021.1.40929
Seção
Mídia e Cultura