A encarnação monstruosa

Um problema de figuração

Palavras-chave: Cinema, Corpo, Figura, Carne, Imagem

Resumo

Este artigo examina como a figuração do humano no cinema articula e tensiona as noções de carne, corpo, identidade, personagem, figura e imagem. Recorreremos ao monstro como uma figura que tanto explicita quanto perturba o funcionamento habitual da figuração, revelando cisões entre corpos e identidades e desinventando o corpo de modo a explicitar a realidade da carne. Para tanto, investigaremos, em particular, os conceitos de “figura” e de “carne”, que serão mobilizados na análise de três filmes de horror que colocam em jogo uma mesma sensação do infamiliar: Vampiros de almas (Don Siegel, 1956), O enigma de outro mundo (John Carpenter, 1982) e Corrente do mal (David Robert Mitchell, 2014).

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

João Vitor Leal, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, SP, Brasil.

Doutor em Meios e Processos Audiovisuais pela Universidade de São Paulo (USP), em São Paulo, SP, Brasil. Atualmente está em estágio pós-doutoral, com bolsa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP — processo nº 2019/25162-0), no Programa de Pós-Graduação em Multimeios da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), em Campinas, SP, Brasil.

Referências

ABIRACHED, Robert. La crise du personnage dans le théâtre moderne [1978]. Paris: Gallimard, 1994.

ARASSE, Daniel. Le détail: Pour une histoire rapprochée de la peinture. Paris: Flammarion, 1996.

AUBRAL, François. Variations figurales. In: AUBRAL, François; CHATEAU, Dominique. (Orgs.). Figure, figural. Paris: L’Harmattan, 1999, p. 197-243.

AUERBACH, Erich. Figura [1938]. São Paulo: Ática, 1997.

AUMONT, Jacques. Du visage au cinéma. Paris: Cahiers du cinéma, 1992.

AUMONT, Jacques. À quoi pensent les films. Paris: Séguier, 1996.

BELLOÏ, Livio. L’invention du personnage. Iris, n. 24, p. 59-76, 1997.

BLANCHOT, Maurice. O espaço literário [1955]. Rio de Janeiro: Rocco, 1987.

BORDWELL, David. Making meaning: Inference and rhetoric in the interpretation of cinema. Cambridge, Londres: Harvard University Press, 1989.

BRENEZ, Nicole. De la figure en général et du corps en particulier. Bruxelas: DeBoeck Université, 1998.

CANDIDO, Antonio; ROSENFELD, Anatol; PRADO, Décio A.; GOMES, Paulo E. S. A personagem de ficção [1964]. São Paulo: Perspectiva, 2011.

CARROLL, Noël. A filosofia do horror ou paradoxos do coração [1990]. Campinas: Papirus, 1999.

CLERGET, Sébastien. Le sur-monstre: John Carpenter, The thing. Admiranda, n. 5, p. 92-96, 1990.

CLOVER, Carol. Her body, himself: Gender in the slasher film. Representations, n. 20, p. 187-228, 1987. https://doi.org/10.2307/2928507

DELEUZE, Gilles. Francis Bacon: Logique de la sensation. Paris: La Différence, 1984.

DIDI-HUBERMAN, Georges. Fra Angelico: Dissemblance et figuration. Paris: Flammarion, 1995.

DIDI-HUBERMAN, Georges. Diante da imagem: Questão colocada aos fins de uma história da arte [1990]. São Paulo: Editora 34, 2013.

DOUGLAS, Mary. Pureza e perigo [1966]. São Paulo: Perspectiva, 1976.

DUBOIS, Philippe. 2012. Plasticidade e cinema: A questão do figural. In: HUCHET, Stéphane. (Org.). Fragmentos de uma teoria da arte. São Paulo: Edusp, 2012, p. 97-118.

FOUCAULT, Michel. Os anormais [1975]. São Paulo: Martins Fontes, 2001.

FREUD, Sigmund. O infamiliar [1919]. Belo Horizonte: Autêntica, 2018.

FROW, John. Character and person. Oxford: Oxford University Press, 2016.

GARNIER, Xavier. L’éclat de la figure: Étude sur l’antipersonnage de roman. Berlim, Berna, Bruxelas: PIE/ Peter Lang, 2001.

JAMES, William. The principles of psychology [1890]. Cambridge/Londres: Harvard University Press, 1981.

LEFEBVRE, Martin. Psycho, de la figure au musée imaginaire: Théorie et pratique de l’acte de spectature. Montréal, Paris: L’Harmattan, 1997.

LYOTARD, Jean-François. Discours, figure. Paris: Klincksieck, 1971.

MALABOU, Catherine. Plasticité surprise. In: MALABOU, Catherine. (Org.). Plasticité. Paris: Léo Scheer, 2000, p. 310-323.

MANZI FILHO, Ronaldo. Desconstruir a promiscuidade entre o ver e o ler: Reflexões da crítica de Lyotard à fenomenologia de Merleau-Ponty. Kínesis, n. 10, p. 69-83, 2013. https://doi.org/10.36311/1984-8900.2013.v5n10.4533

MARTIN, Adrian. Último dia todos os dias e outros escritos sobre cinema e filosofia. Nova York: Punctum Books, 2015.

MERLEAU-PONTY, Maurice. O visível e o invisível [1964]. São Paulo: Perspectiva, 2003.

MERLEAU-PONTY, Maurice. O olho e o espírito [1960]. São Paulo: Cosac Naify, 2004.

MICHAUD, Philippe-Alain. Théologie et cinéma: Le personnage incarné. Admiranda, n. 4, 1989, p. 17-21.

MICHAUD, Philippe-Alain. Filme: Por uma teoria expandida do cinema. Rio de Janeiro: Contraponto, 2014.

MIRANDA, José B. Corpo e imagem [2008]. São Paulo: Annablume, 2011.

PAVIS, Patrice. Le personnage romanesque, théâtral, filmique. Iris, n. 24, p. 171-183, 1997. https://doi.org/10.4000/books.septentrion.13729

PERRY, John. The problem of personal identity. In: PERRY, John. (Org.). Personal identity. Berkeley/Los Angeles: University of California Press, 1975, p. 3-30.

SOUTO, Mariana. Constelações fílmicas: um método comparatista no cinema. Galáxia, n. 45, p. 153-165, 2020. https://doi.org/10.1590/1982-25532020344673

VANCHERI, Luc. Les pensées figurales de l’image. Paris: Armand Colin, 2011.

WULFF, Hans. La perception des personages de film. Iris, n. 24, p. 15-32, 1997.

Publicado
2021-11-23
Como Citar
Leal, J. V. (2021). A encarnação monstruosa: Um problema de figuração. Revista FAMECOS, 28(1), e40124. https://doi.org/10.15448/1980-3729.2021.1.40124