Política da narrativa sobre o corpo feminino em programa especializado em saúde

Palavras-chave: Narrativa jornalística, Mulher, Biopolítica

Resumo

Este trabalho discute a política da narrativa sobre o corpo feminino no programa Bem Estar, da Rede Globo, especializado na cobertura de saúde. Voltado para um público majoritariamente composto por mulheres, é caracterizado por seu formato híbrido e pelo gênero utilitário, produzindo sentidos sobre o corpo, a saúde e a doença. A mulher, como centro destas matérias jornalísticas, surge com um corpo vigiado, tanto do ponto de vista ético, como estético, na perspectiva foucaultiana acerca do saber-poder da medicina e suas implicações na biopolítica. A partir da análise de dez edições do programa e de incursão etnográfica na redação, problematizamos três narrativas sobre o corpo feminino: a primeira mirando-o como objeto da higienização; a segunda como corpo suscetível à doença e a terceira como corpo materno. Conclui-se que a política da narrativa jornalística sobre o corpo feminino favorece o predomínio do discurso da ciência em detrimento de saberes outros, além de situar a mulher como eixo preferencial do biopoder.

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Biografia do Autor

Amanda Souza de Miranda, Universidade Federal do Paraná (UFPR), Curitiba, PR, Brasil.

Doutora em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Florianópolis, SC, Brasil. Pós-doutoranda na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (USP), São Paulo, SP, Brasil. Jornalista na Universidade Federal do Paraná, Curitiba, PR, Brasil.

Gislene Silva, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Florianópolis, SC, Brasil.

Professora titular do Departamento de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Florianópolis, SC, Brasil. Doutora em Ciências Sociais/Antropologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), São Paulo, SP, Brasil.

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Publicado
2020-12-22
Como Citar
de Miranda, A. S., & Silva, G. (2020). Política da narrativa sobre o corpo feminino em programa especializado em saúde. Revista FAMECOS, 27, e37504. https://doi.org/10.15448/1980-3729.2020.1.37504
Seção
Mídia e Cultura