Nambiquaras em paris: imagens de arquivo, deslocamentos e aparições

Palavras-chave: Rondon. Arquivo. Memória.

Resumo

Enfocando como estudo de caso uma seleção de imagens fotográficas encontradas nos arquivos da seção de cartografia da Biblioteca Nacional da França, este ensaio explora as relações conceituais entre imagens, contextos culturais, arquivos e as políticas da memória. Em 1925, um doador anônimo presenteou 120 fotografias feitas pela Comissão Rondon à Société de Géographie de Paris. Comandada pelo oficial militar positivista Candido Mariano Rondon (1865-1958), a Comissão Rondon produziu, nas suas expedições pelo Mato Grosso, uma copiosa quantidade de fotografias, entre as quais se destacam as imagens dos indígenas que habitavam aquelas regiões. Ao comentar a trajetória material e simbólica dessas fotografias, viso oferecer uma leitura crítica seletiva enfatizando os termos do pacto fotográfico, a escolha de códigos estéticos e as políticas de reconhecimento.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Beatriz Jaguaribe, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro (RJ)

Professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro − UFRJ. Pós-Doutorado em Comunicação pela Université de Cergy-Pontoise e Doutorado em Literatura Comparada pela Stanford University.

Referências

ABREU, Regina. Tal antropologia qual museu. Revista do Museu de Arqueologia e Etnologia, São Paulo, Suplemento 7, p.121-143, 2008. https://doi.org/10.11606/issn.2594-5939.revmaesupl.2008.113502

AIRD, Michael. Growing up with aborigines. In: PINNEY, Christopher, PETERSON, Nicolas (ed.). Photograpy´s Other Histories. Durham e Londres: Duke University Press, 2003. p. 23-39. https://doi.org/10.7202/011295ar

AZOULAY, Ariella. The civil contract of photography. Cambridge: The MIT Press, 2008.

BARBIO, Luciana Alves. Comissão Rondon e a representação da identidade Paresí: um diálogo através da fotografia. Revista Eletrônica de Comunicação, Informação e Inovação em Saúde, Rio de Janeiro, v. 5, n. 2, p. 27-43, jun. 2011. https://doi.org/10.3395/reciis.v5i2.495pt

BARTHES, Roland. Câmera clara. São Paulo: Ed. 70, 1989.

BIGIO, Eliás. A integração nacional. Rio de Janeiro: Contraponto, 2000.

BIGIO, Eliás. Linhas telegráficas e integração de povos indígenas: as estratégias políticas de Rondon (1889-1930). Brasília: Funai, 2003.

BRETÓN, Víctor. La politización de la etnicidad en la región andina: apuntes sobre un debate inconcluso, European Review of Latin American and Caribbean Studies, n. 100, p. 41-51, 2015. https://doi.org/10.18352/erlacs.10118

CAVIGNAC, Julie. L´Américanisme français au début du Xxème siècle: projets poliques, muséologie et terrains brésiliens.Virtual Brazilian Anthropology, v. 9, n. 1, p. 27-81, January to June 2012. https://doi.org/10.1590/s1809-43412012000100002

CONKLIN, Alice. In the Museum of Man: race, anthropology, and empire in France, 1850- 1950. Ithaca e Londres: Cornell University Press, 2013. https://doi.org/10.1086/683007

CRARY, Jonathan. Techniques of the observer. Cambridge: MIT Press, 1990.

CUNHA, Euclides da. Obra completa. Rio de Janeiro: Editora Nova Aguilar, 2009. v. 2.

DENIS, Pierre. Résultats géographiques des explorations du Colonel Rondon au Matto Grosso, Annales de Géographie, n.181, jan. 15, 1924. https://doi.org/10.3406/geo.1924.9752

DIACON, Todd. Stringing together a nation. Durham: Duke University Press, 2004.

DODEBEI, Vera; ABREU, Regina (ed.) E o patrimônio? Rio de Janeiro: Contracapa, 2008.

GUÉRIOS, Paulo Renato. Heitor Villa-Lobos e o ambiente artístico parisiense: convertendo- se em um músico brasileiro. Mana, Rio de Janeiro, v. 9, n. 1, p. 81-108, abril de 2003. https://doi.org/10.1590/s0104-93132003000100005

JÁUREGUI, Carlos. Canibalismo, Calibanismo, Antropofagía Cultural y Consumo em América Latina. Madrid: Iberoamericana, 2008. https://doi.org/10.31819/9783964562449

KINGMAN, Eduardo. Los usos ambiguos del archivo, la Historia y la memoria. Íconos, Revista de Ciencias Sociales, Quito, n. 42, p. 123-133, jan. 2012. https://doi.org/10.17141/iconos.42.2012.364

LASMAR, Denise Portugal. O acervo imagético da Comissão Rondon no Museu do Índio (1890-1938). Rio de Janeiro: Museu do Índio-Funai, 2011. https://doi.org/10.1590/s0101-47142012000200005

LÉVI-STRAUSS, Claude. Tristes trópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 1996.

LOISEAUX, Olivier. Tresors photographiques de la Sociéte de Géographie. Paris: Bibliothéque National de France/Glénant, 2006.

MACIEL Laura. A nação por um fio: caminhos, práticas e imagens da Comissão Rondon. São Paulo: Educ, Fapesp, 1998.

MILLER, Joana. Carteira de alteridade: transformações Mamaindê (Nambiquara). Mana, Rio de Janeiro, 21(3), p. 553-585, 2015. https://doi.org/10.1590/0104-93132015v21n3p553

MILLER, Joana. Nambikwara. Povos indígenas do Brasil. Disponível em: http://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Nambikwara. Acesso em: 5 nov. 2018.

OLIVEIRA, João Pacheco de. Hacia una antropología del indigenismo: estudios críticos sobre los procesos de dominación y las perspectivas actuales de los indígenas en Brasil. Rio de Janeiro/Lima: Contra Capa/Centro Amazónico de Antropología y Aplicación Práctica, 2006. https://doi.org/10.5380/cam.v11i1.17347

OLIVEIRA, João Pacheco de. O nascimento do Brasil e outros ensaios. Rio de Janeiro: Contra Capa, 2016.

OLIVEIRA, João Pacheco de. ¿Una etnología de los indios misturados? Identidades étnicas y territorialización en el Nordeste del Brasil. Desacatos, n. 33, mayo-agosto 2010. p. 13-32. https://doi.org/10.29340/33.352

RAMOS, Alcida Rita. O índio hiper-real. Revista Brasileira de Ciências Sociais, São Paulo, v. 28, n. 10, p. 5-14, 1995.

RANCIÉRE. Jacques. O destino das imagens. Rio de Janeiro: Contraponto, 2013.

RIBEIRO, Darcy. A política indigenista brasileira. Rio de Janeiro: Ministério da Agricultura, 1962.

REBUZZ I, Daniele da Costa. A aldeia Maracanã: um movimento contra o índio arquivado. Revista de Antropologia da UFSCAR, [email protected], São Carlos (SP), 6(2), p. 71-86, jul.-dez., 2014.

RIVET, Paul. La protection des indiens au Brésil. Journal de la Société des américanistes, t. 10, n. 2, p. 687-691, 1913.

RONDON, Candido Mariano da Silva. Relatório Geral, 1907-1910. Rio de Janeiro: Papelaria Luiz Macedo, 1910.

RONDON, Candido Mariano da Silva. Índios do Brasil. Rio de Janeiro: Conselho Nacional de Proteção aos Índios, 1946. v. 1.

SOUZA LIMA, Antonio Carlos. Sobre tutela e participação: Povos indígenas e formas de governo no Brasil, Séculos XX/XXI. Mana, Rio de Janeiro, 21(2), p. 425-457, 2015. https://doi.org/10.1590/0104-93132015v21n2p425

SOUZA LIMA, Antonio Carlos. Um grande cerco de paz: poder tutelar e indianidade, Petrópolis: Vozes, 1995. https://doi.org/10.1590/s0104-93131997000100013

TACCA, Fernando de. A imagética da Comissão Rondon. Campinas: Papirus, 2001.

TACCA, Fernando de. Major Thomaz Reis − Fotografia e cinematografia da Comissão Rondon. In: KURY, Lorelai & SÁ, Magali Romero (org.). Rondon: inventários do Brasil 1900-1930. Rio de Janeiro: Editora Andrea Jakobssson, 2017. p. 144-169.

TACCA, Fernando de. A imagética da Comissão Rondon. Campinas: Papirus, 2001.

TAGG, John. The burden of representation: Essays on photographies and histories. Minneapolis: University of Minnesota Press, 1988.

VIVEIROS DE CASTRO, Eduardo. Metafísicas canibais. São Paulo: Cosac & Naify, 2015. https://doi.org/10.1590/1809-43412015v12n2p594

WILLIAMS, Elizabeth. Art and artifact at the trocadero: Ars americana and the primitivst revolution. STOCKING, Jr., George W. (Eds.). In: Essays on museums and material culture. Madison: The University of Wisconsin Press, 1985.

Publicado
2019-12-18
Como Citar
Jaguaribe, B. (2019). Nambiquaras em paris: imagens de arquivo, deslocamentos e aparições. Revista FAMECOS, 26(2), e32704. https://doi.org/10.15448/1980-3729.2019.2.32704
Seção
Mídia e Cultura