Gestão Social da (in)disciplina na escola e a educação para a cidadania

  • Luciano Henrique Barcelos Centro Universitário UNA
  • Maria Lúcia Miranda Afonso Centro Universitário UNA
Palavras-chave: Educação para a cidadania. Gestão social. (In)Disciplina escolar.

Resumo

Este artigo discute as relações entre a gestão social da (in)disciplina na escola e a formação para a cidadania. Inicialmente, faz uma revisão de literatura sobre a (in)disciplina na escola e suas possíveis gêneses, do ponto de vista sociocultural, das interações entre família e escola, dos conflitos interpessoais e subjetivos. Defende que a educação para a cidadania e os direitos humanos constitui uma referência contemporânea fundamental para tal compreensão. Comenta o Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos e suas proposições para o ensino fundamental, considerando o seu impacto para a discussão da (in)disciplina na escola. Argumenta que a educação para a cidadania não pode se limitar ao âmbito pedagógico e à transmissão de informações e precisa ser efetivada como prática social. Assim, defende que a abordagem da (in)disciplina na escola seja realizada no bojo de uma gestão escolar que se constitua como gestão social, com ênfase na cidadania e na participação dos diversos atores sociais envolvidos no campo da educação.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Luciano Henrique Barcelos, Centro Universitário UNA
Pedagogo; Pós-Graduado em Psicopedagogia; MBA-Gestão de Instituições de Ensino; Mestrando em Gestão Social, Educação e Desenvolvimento Local (Centro Universitário UNA/MG); Diretor do Colégio Maximus BH-MG; Diretor do Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais; Diretor Suplente da Federação Regional dos Estabelecimentos de Ensino de Minas Gerais.
Maria Lúcia Miranda Afonso, Centro Universitário UNA
Psicóloga social e clínica; Mestre e Doutora em Educação, Professora do Mestrado em Gestão Social, Educação e Desenvolvimento Local (Centro Universitário UNA/MG).

Referências

AFONSO, M. L. M.; ABADE, F. L. Jogos para pensar: Educação em Direitos Humanos e formação para a cidadania. Belo Horizonte: Autêntica, 2013.

ANDRADE, Marcelo. A banalidade do mal e as possibilidades da educação moral: contribuições arendtianas. Revista Brasileira de Educação, v. 15, n. 43, jan.-abr. 2010, p. 109-125. <http://dx.doi.org/10.1590/S1413-24782010000100008>.

AQUINO, J. G. Indisciplina na escola: alternativas teóricas e práticas. São Paulo: Summus, 1996.

org/10.1590/S0102-25551998000200011>.

AQUINO, J. G. Da (contra)normatividade do cotidiano escolar: problematizando discursos sobre a indisciplina discente. Cadernos de Pesquisa, v. 41, n. 143, p. 456-484, 2011. <http://dx.doi.org/10.1590/S0100-15742011000200007>.

BOARINI, M. L. Indisciplina escolar: uma construção coletiva. Psicologia Escolar e Educacional, v. 17, n. 1, p. 123-131, jun. 2013. <http://dx.doi.org/10.1590/S1413-85572013000100013>.

BOBBIO, N.; MATTEUCCI, N.; PASQUINO, G. Dicionário de política I. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1998.

BOURDIEU, P. Capital simbólico e classes sociais. Novos estudos CEBRAP [online], n. 96, p. 105-115, 2013. <http://dx.doi.org/10.1590/S0101-33002013000200008>.

BRASIL. Constituição Federal Brasileira 1988. Brasília, 1988.

BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm>. Acesso em 15/11/2013.

BRASIL. Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos. Brasília: Secretaria Especial dos Direitos Humanos, Ministério da Educação, Ministério da Justiça, UNESCO, 2006a.

BRASIL. Plano Nacional de Promoção, Proteção e Defesa dos Direitos das Crianças e Adolescentes à Convivência Familiar e Comunitária. Brasília: CONANDA, 2006b.

BRASIL. Lei 8.069 de 13 de julho de 1990, que dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente. Brasília, 1990.

BRASIL. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Diretrizes Nacionais para a Educação em Direitos Humanos. Brasília, 2012.

CANÇADO, A. C.; TENÓRIO, F. G.; PEREIRA, J. R. P. Gestão social: reflexões teóricas e conceituais. Cadernos EBAPE.BR, Rio de Janeiro, v. 9, n. 3, p. 681-703, set. 2011.

CANDAU, V. M. F. Direitos humanos, educação e interculturalidade: as tensões entre igualdade e diferença. Revista Brasileira de Educação, v. 13, n. 37, p. 45-56, abr. 2008. <http://dx.doi.org/10.1590/S1413-24782008000100005>.

CARVALHO, M. do C. B. Alguns apontamentos para o debate. In: RICO, E. de M.; RAICHELIS, R. (Org.). Gestão Social: uma questão para o debate. São Paulo: Educ/IEE/PUCSP, 1999. p. 19-29.

CASTRO, J. M.; REGATTIERI, M. (Org.). Interação escola-família: subsídios para práticas escolares. Brasília: UNESCO, MEC, 2009.

CECCON, C. et al. Conflitos na escola: modos de transformar – dicas para refletir e exemplos de como lidar. São Paulo: CECIP – Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2009. 208 p.

CUNHA, M. de F. P. C.; VALENTIN, A. S.; LISBOA, D. C. S.; MONTEIRO, E. C. M.; XANDER, P. Indisciplina e a noção de justiça em adolescentes escolares. Educação em Revista, n. 35, p. 197-210, 2009. <http://dx.doi.org/10.1590/S0104-40602009000300015>.

CHRISPINO, Á. Gestão do conflito escolar: da classificação dos conflitos aos modelos de mediação. Ensaio: avaliação e políticas públicas em educação [online], v. 15, n. 54, p. 11-28, 2007. <http://dx.doi.org/10.1590/S0104-40362007000100002>.

sociedad civil en tiempos de globalización. Caracas: FACES, Universidad Central de Venezuela, 2004. p. 95-110.

FREIRE, P. Educação como prática da liberdade. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1967.

FREIRE, P. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. 27. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2003.

GADOTTI, M. Boniteza de um sonho: ensinar-e-aprender com sentido. São Paulo: Livraria e Instituto Paulo Freire, 2008.

Iamamoto, M. V. A questão social no capitalismo. Revista Temporalis, n. 03, jan.-jun. 2001.

IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa nacional por amostra de domicílios (PNAD). Brasília, 2009.

KLEBA, J. B. Tecnologia, ideologia e periferia: um debate com a filosofia da técnica de Álvaro Vieira Pinto. Convergencia, Universidad Autónoma del Estado do México, v. 13, n. 42, p. 73-93, set. 2006.

LAFER, C. A reconstrução dos direitos humanos: a contribuição de Hanna Arendt. Estudos Avançados, v. 11, n. 30, p. 55-65, maio-ago. 1997.

LOUREIRO, A. C. A. M.; QUEIROZ, S. S. de. A concepção de violência segundo atores do cotidiano de uma escola particular: uma análise psicológica. Psicologia: ciência e profissão, v. 25, n. 4, p. 546-557, 2005.

LÜCK, H. A evolução da gestão educacional a partir de mudança paradigmática 2009. Disponível em: <http://progestaoead.files.wordpress.com/2009/09/a-evolucao-da-gestaoeducacional-hluck.pdf>. Acesso em: 17 nov. 2013.

LÜCK, H. Dimensões de gestão escolar e suas competências. Curitiba: Editora Positiva, 2009.

MAIA, M. Gestão social: reconhecendo e construindo referenciais. Revista Virtual Textos & Contextos, n. 4, ano IV, dez. 2005.

MILANI, C. R. S. O princípio da participação social na gestão de políticas públicas locais. RAP, Rio de Janeiro, v. 42, n. 3, p. 551-579,

maio-jun. 2008.

NOGUEIRA, C. M. M.; NOGUEIRA, M. A. A sociologia da educação de Pierre Bourdieu: limites e contribuições. Educação e Sociedade [online], v. 23, n.78, p. 15-35, 2002. <http://dx.doi.org/10.1590/S0101-

>.

PELOSO, F. C.; PAULA, E. M. A. T. de. A educação da infância das classes populares: uma releitura das obras de Paulo Freire. Educação em Revista [online], v. 27, n. 3, p. 251-280, 2011.

<http://dx.doi.org/10.1590/S0102-46982011000300013>.

RATTO, A. L. S. Disciplina, vigilância e pedagogia. Cadernos de Pesquisa, São Paulo, v. 37, n. 131, p. 481-510, 2007. <http://dx.doi.org/10.1590/S0100-15742007000200012>.

RUOTTI, C. Violência em meio escolar: fatos e representações na produção da realidade. Educação e Pesquisa, v. 36, n. 1, p. 339-355, 2010. <http://dx.doi.org/10.1590/S1517-97022010000100010>.

SNYDERS, G. Escola, classe e luta de classes. São Paulo: Centauro, 2005.

SOUZA, L. G. S.; QUEIROZ, S. S. de; MENANDRO, M. C. S. E quando os estudantes pedem mais disciplina? Estudo de caso e reflexões sobre autonomia e vida escolar. Psicologia: ciência e profissão [online], v. 30, n. 3, p. 524-539, 2010.

TENÓRIO, F. G. (Re)Visitando o conceito de gestão social. In: SILVA Jr, J.; MÂSIH, R. et al. (Org.). Gestão social: práticas em debate, teorias em construção. Fortaleza: Imprensa Universitária, 2008.

UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. Alto Comissariado das Nações Unidas para Direitos Humanos (ACNUDH). Plano de Ação: Programa Mundial de Educação em Direitos Humanos. Primeira Fase. Brasília, 2012 a. Disponível em: <http://unesdoc.unesco.org/images/0014/001478/147853por.pdf>.

Acesso em: 12 dez. 2013.

UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. Alto Comissariado das Nações Unidas para Direitos Humanos (ACNUDH). Plano de Ação: Programa Mundial de Educação em Direitos Humanos. Segunda Fase. Brasília, 2012b. Disponível em: <http://unesdoc.unesco.org/images/0021/002173/217350por.pdf>. Acesso em: 12 dez. 2013.

VARES, S. F. de. Reprodução social e resistência política na escola capitalista: um retorno às teorias reprodutivistas. Revista Reflexão e Ação, Santa Cruz do Sul, v. 20, n. 2, p. 309-326, jul.-dez.2012.

VASCONCELLOS, C. dos S. Planejamento: Projeto de ensino aprendizagem e Projeto Político Pedagógico – elementos metodológicos para elaboração e realização. São Paulo: Libertad, 1999.

VASCONCELLOS, M. D. O trabalho pedagógico na construção social da excelência escolar. Educação e Sociedade, v. 27, n. 97,

p. 1089-1112, dez. 2006. <http://dx.doi.org/10.1590/S0101-73302006000400002>.

Publicado
2015-04-23
Como Citar
Barcelos, L. H., & Afonso, M. L. M. (2015). Gestão Social da (in)disciplina na escola e a educação para a cidadania. Educação Por Escrito, 6(1), 98-117. https://doi.org/10.15448/2179-8435.2015.1.17843
Seção
Artigos