Feminismo, vegetarianismo e antivivisseccionismo em Maria Lacerda de Moura

Palavras-chave: Maria Lacerda de Moura, feminismo, vegetarianismo, antivivisseccionismo

Resumo

A História das mulheres tem evidenciado as múltiplas experiências das mesmas, no passado, e o caráter plural e multifacetado de suas lutas. No final do século XIX e início do XX, as mulheres, feministas ou não, aderiram a diferentes pautas que iam além da reivindicação por direitos femininos, tais como o republicanismo e o abolicionismo.  A empatia pelos animais não humanos, vítimas de experimentos científicos e usados como cobaias pela indústria, nesse período, também levou muitas delas a se tornarem vegetarianas e aderirem à luta antivivisseccionista; no Brasil, a intelectual feminista e anarquista Maria Lacerda de Moura foi uma dessas mulheres. Nesse artigo buscamos entender suas posições e sua relação com essas lutas, a partir da análise da sua obra “Civilização Tronco de Escravos”, publicada em 1931.

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Biografia do Autor

Patrícia Lessa, Universidade Estadual de Maringá (UEM), Maringá, PR, Brasil.

Doutora em História pela Universidade de Brasília (UnB), em Brasília, DF, Brasil; professora da Universidade Estadual de Maringá (UEM), em Maringá, PR, Brasil.

Claudia Maia, Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), Montes Claros, MG, Brasil

Pós-doutora em História pela Universidade Nova de Lisboa (UNL), em Lisboa, Portugal; doutora em História pela Universidade de Brasília (UnB), em Brasília, DF, Brasil; professora da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), em Montes Claros, MG, Brasil.

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Publicado
2021-04-26
Como Citar
Lessa, P., & Maia, C. (2021). Feminismo, vegetarianismo e antivivisseccionismo em Maria Lacerda de Moura. Estudos Ibero-Americanos, 47(1), e37718. https://doi.org/10.15448/1980-864X.2021.1.37718
Seção
Dossiê: História das Mulheres, das relações de gênero e das sexualidades dissidentes - Vol. 47, n. 1