Cidade, vampiros e identidade

Uma leitura de “A noite não me deixa dormir”, de Camila Fernandes

Palavras-chave: Conto, Literatura Contemporânea, Identidade

Resumo

Em uma leitura sociológica de “A noite não me deixa dormir” (2018), exploraremos a ambiguidade presente no conto que, assim como Piglia (2004) aponta como característica marcante do gênero, narra duas histórias, ao mesclar o real com o fantástico, indo desde um amante frustrado pelo abandono até o portador de uma misteriosa maldição. Para analisar o jogo verbal, assim como observado por Bosi (1974), presente na narrativa, que atualiza o arquétipo vampiresco de acordo com a permutabilidade do tema (HUMPHREYS, 2018), recorreremos a visão de Hall (1992) sobre a fragmentação da identidade do sujeito pós-moderno, a Bauman (2004), em referência aos relacionamentos sexuais conturbados presentes na narrativa, além de Augé (1994) e Benjamin (1987), nas discussões sobre os espaços e a representação destes nos conflitos autodiegeticamente narrados no conto.

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Biografia do Autor

Marcio Roberto Pereira, Universidade Estadual Paulista (UNESP), Assis, SP, Brasil.

Pós-doutorado em Letras pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP), em Araraquara, SP, Brasil. Doutor e mestre em Letras pela UNESP, em Assis, SP, Brasil. Professor na UESP, em Assis, SP, Brasil, na área de Literatura Portuguesa. Membro do BRASA - Brazilian Studies Association e da AIL – Associação Internacional de Lusitanistas. Vice-líder do Grupo de Pesquisa “Memória e Representação Literária”. Pesquisador associado à Sociedade Brasileira de Estudos do Oitocentos (SEO) e à Associação Brasileira de Literatura Comparada (ABRALIC).

Ana Paula Vicente Carneiro, Universidade Estadual Paulista (UNESP), Assis, SP, Brasil.

Graduanda no Curso de Letras (Português-Italiano), desde o primeiro semestre de 2019, na Universidade Estadual de São Paulo “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP), em Assis, SP, Brasil. Bolsista pela FAPESP com vigência de dez./2019 a nov./2021.

Referências

AUGÉ, Marc. Dos lugares aos não-lugares. In: AUGÉ, Marc. Não-lugares: introdução a uma antropologia da supermodernidade. Tradução de Maria Lúcia Pereira. Campinas: Papirus, 1994. p. 71-105.

BAUMAN, Zygmunt. Amor líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos. Tradução de Carlos Alberto Medeiros. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2004.

BENJAMIN, Walter. A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica. In: BENJAMIN, Walter. Obras escolhidas: magia e técnica, arte e política. Tradução de Sergio Paulo Rouanet. 3. ed. São Paulo: Brasiliense, 1987. p. 165-196.

BOSI, Alfredo. O conto brasileiro contemporâneo. São Paulo: Editora Cultrix, 1974.

FERNANDES, Camila. A noite não me deixa dormir. São Paulo: Dandelion, 2018.

HALL, Stuart. A identidade cultural da pós-modernidade. Tradução de Tomaz Tadeu da Silva e Guacira Lopes Louro. Rio de Janeiro: DP&A, 1992.

HUMPHREYS, Julia Porto Chacon. O vampiro na literatura: um estudo sobre a constituição da performance da personagem através da permutabilidade do tema. Revista de Letras Juçara, Caxias, v. 2, n. 1, p. 312-331, jul. 2018.

PIGLIA, Ricardo. Formas breves. Tradução de José Marcos Mariani de Macedo. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.

Publicado
2021-11-09
Como Citar
Pereira, M. R., & Carneiro, A. P. V. (2021). Cidade, vampiros e identidade: Uma leitura de “A noite não me deixa dormir”, de Camila Fernandes. Letras De Hoje, 56(2), 262-271. https://doi.org/10.15448/1984-7726.2021.2.40173
Seção
O Conto Brasileiro Contemporâneo de Autoria Feminina