Articulando o lugar da resistência na Dialética do esclarecimento e em Lélia Gonzalez

Palavras-chave: Teoria crítica, Resistência, Teoria social, Racismo e antirracismo, Formas de dominação

Resumo

Este artigo se propõe a pensar o lugar da resistência, em sentido teórico-conceitual, articulando, para tanto, a assim chamada teoria crítica da sociedade, aqui tomada a partir de algumas reflexões de Max Horkheimer e Theodor W. Adorno, e a teoria social de Lélia Gonzalez. Ao fundamentar o olhar nessas duas perspectivas teóricas, gestadas em contextos históricos e sociais bastante distintos, busco apontar como podem se complementar e, desse modo, enriquecer a visada crítica sobre as manifestações contemporâneas do autoritarismo. Está pressuposto, portanto, que apesar das diversas mudanças ocorridas nas últimas décadas, há alguns elementos-chave constitutivos de como as formas de repressão e marginalização atuam no capitalismo, (re)produzindo uma miríade de desigualdades, sobretudo as de cunho étnico-racial. Consequentemente, fomentar a resistência permanece traço vital que deve estar no horizonte da prática intelectual das ciências sociais. 

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Biografia do Autor

Stefan Klein, Universidade de Brasília (UnB), Brasília, DF, Brasil.

Doutor em Sociologia pela Universidade de São Paulo (USP), São Paulo, SP, Brasil. Professor do Departamento de Sociologia, da Universidade de Brasília (UnB), em Brasília, DF, Brasil.

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Publicado
2022-07-12
Como Citar
Klein, S. (2022). Articulando o lugar da resistência na Dialética do esclarecimento e em Lélia Gonzalez. Civitas - Revista De Ciências Sociais, 22, e41421. https://doi.org/10.15448/1984-7289.2022.1.42421
Seção
Dossiê: Teorias críticas sobre o autoritarismo