São Tomé e Príncipe: reflexões sobre alguns aspectos de sua história agrícola no pós-independência
DOI:
https://doi.org/10.15448/1980-864X.2016.3.23107Palavras-chave:
São Tomé e Príncipe, Nacionalização das terras, Reforma Agrária, IndependênciaResumo
O artigo proposto para o dossiê apresenta reflexões sobre aspectos da história agrícola do país no momento da independência e no pós-independência. A perspectiva escolhida apresentou-se como pertinente para refletir sobre a política do país durante as décadas que seguiram a Independência. As relações estabelecidas entre os membros do governo independente e os trabalhadores agrícolas, as ambivalências do discurso político governamental no momento da nacionalização das terras e sua distribuição são abordados aqui para um balanço sobre a Independência com data oficial de comemoração em 12 de julho de 1975. Procuro demonstrar que as diversas propostas políticas aplicadas ao setor agrícola levaram a uma acentuação da invisibilidade de minorias – principalmente a mão de obra imigrante – que são eventualmente reconhecidas como atores chaves da história agrícola de São Tomé e Príncipe. A gestão da distribuição da terra após a nacionalização do território provocou tensões sociais que acirraram reivindicações identitárias e evidenciaram a consolidação de determinados atores sociais na esfera do poder político. Notas de trabalhos de campo efetuados em 1999-2000 e 2003-2004 e algumas fontes primárias e secundárias enriquecem o texto de informações e auxiliam na argumentação das principais ideias.
Downloads
Referências
ANDRADE, PINTO (DE), Mário. Origens do Nacionalismo Africano. Lisboa: Dom Quixote, 1997.
BARROS, V. A. R. Reforma agrária e suas perspectivas em São Tomé e Príncipe. In: Comum, IICT, Série Ciências Agrárias, n. 19, p. 241-248, 1995.
BERTHET, M. Ceux qui sont de passage et ceux qui restent. L’émigration capverdienne à São Tomé et Príncipe. In:
BARROS, Denise Dias; BERTHET, Marina; ABDALLA, Mustafa (Org.). New Perspectives on Migration in African Settings. Cologne: Rudiger Koppe Verlag, 2014. Vol. 35, p. 1-205.
______. Projet de développement et communautés rurales dans la réforme foncière à São Tomé et Príncipe. DEA en Sciences Sociales. Marseille: EHESS, 1999.
______. Reflexões sobre as roças de São Tomé e Príncipe. Estudos históricos, FGV Rio, 2º sem. 2012.
CARREIRA, António. Migrações nas ilhas de Cabo Verde. Cabo Verde: Instituto Cabo-verdeano do Livro, 1977.
CEITA, Maria Nazaré. A reforma agrária em São Tomé e Príncipe: período póscolonial. Tese (Doutorado em História da África) – Faculdade de Letras, Universidade de Lisboa, 2001.
ELLISON, Ralph. The invisible man. New York: Random House, 1952.
ESPÍRITO SANTO, Carlos. Almas de elite santomenses. Lisboa, 2000.
EYZAGUIRE, Pablo. Small Farmers and Estates in São Tomé, West Africa. Tese (Doutorado) – Yale University, 1986.
______. Competing Systems of Land Tenure in an African Plantation Society. In: DOWNS, R.; REYNA, S. (Eds.). Land
and Society in Contemporary Africa. Hannover: N.H., University Press of New England, 1988. p. 340-361.
______. The Independence of São Tomé e Príncipe and Agrarian Reform. In: The jornal of Modern African Studies, n. 27, v. 4, p. 671-679, 1989.
GONÇALVES, Manuel Joaquim Sobral. Angolares: uma aproximação antropológica. In: Geographica. Revista da Sociedade de Geografia de Lisboa, v. IX, n. 34, p. 77-94, 1973.
HENRIQUES, Isabel Castro. São Tomé e Príncipe – A invenção de uma Sociedade. Lisboa: Vega, 2000.
HONNETH, Axel. Invisibilité: sur l’épistémologie de la “reconnaissance”. In: Réseaux, v. 129/130, n. 1-2 (Visibilité/Invisibilité), p. 39-57, 2005.
HODGES, Tony, MALYN, Newitt. São Tomé and Príncipe. From Plantation Colony to Microstate. Londres: Westview, 1998.
KEESE, Alexander. Early Limits of Local Decolonization in São Tomé and Príncipe: From Colonial Abuses to Postcolonial Disappointment, 1945-1976. In: International Journal of African Historical Studies, v. 44, n. 3, p. 373-392, 2011.
LE BLANC, Guillaume. L’invisibilité sociale. Paris: PUF, 2009.
MAINO, Elisabetta. À propos de “l'africanité” de São Tomé et Principe (On the “Africanicity” of São Tomé and Príncipe). In: Cahiers d’Études africaines, v. 42, p. 385-396, jan. 2001.
MANTERO, Francisco. Mão d’obra em S. Tomé e Príncipe. Lisboa: [s.n.], 1910.
MASSA, Françoise et Jean-Michel. Fablier de São Tomé. Paris: Edicef, 1984.
MATA, Inocência Diálogo com as Ilhas – sobre cultura e literatura de São Tomé. Lisboa: Edições Colibri. 1998.
NARTEY, Robert Nii. From slave to serviçal: Labor in the plantation economy of São Tomé and Principe. Chicago: Univ. Illinois, 1986.
NASCIMENTO, Augusto. Mutações sociais e políticas em São Tomé e Príncipe nos séculos XIX-XX: uma síntese interpretativa. Comunicação apresentada no Centro Cultural Português de São Tomé e Príncipe. São Tomé e Príncipe, 2001.
______. Poderes e Quotidiano nas Roças de S. Tomé e Príncipe de finais de oitocentos a meados de novecentos, Lousã: Apoio de Sociedade de Promoção de Investimentos, 2002.
RELATÓRIO do Movimento de Libertação. República de São Tomé e Príncipe, 1ª Assembleia do MLSTP, Relatório do Bureau Político, 1978.
ROMANA, Heitor, A. C. São Tomé e Príncipe. Elementos para uma análise antropológica das suas vulnerabilidades. Lisboa: Instituo Superior de Ciências Políticas, Universidade técnica, 1997.
SANTOS, Catarina Madeira. A formação das estruturas fundiárias e a territorialização das tensões sociais: São Tomé, primeira metade do século XVI. In: Studia, n. 54/55, p. 51-91, 1996.
SEIBERT, Gerhard. Camaradas, Clientes e Compadres. Lisboa: Vega, 1999.
______. The Bloodless Coup of July 16 in São Tomé e Príncipe. In: Lusotopie. Paris, Karthala, 2003. p. 245-260.
______. A Verdadeira Origem do Célebre Rei Amador, líder da revolta dos escravos em 1595. Piá, São Tomé e Príncipe, v. 26, p. 10-11, 2005.
______. São Tomé and Príncipe. Recent History. In: Africa South of the Sahara. Londres: Routledge, 2007. p. 972-987.
TEMUDO, Marina. De serviçal a camponês. A persistência das desigualdades sociais em São Tomé e Príncipe In: Lusotopie. XV/2, Histoires d’Asie, 2008.
TRAJANO Filho, Wilson. Invisíveis e Liminares – a sociedade crioula e seus heróis. In: Soronda: revista de estudos Guineenses, n. 18, p. 77-113, jul. 1994.
VALVERDE, Paulo. Máscara, Mato e Morte em São Tomé. Oeiras: Celta, 2000.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2016 Marina Annie Martine Berthet Ribeiro
Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Direitos Autorais
A submissão de originais para a Estudos Ibero-Americanos implica na transferência, pelos autores, dos direitos de publicação. Os direitos autorais para os artigos publicados nesta revista são do autor, com direitos da revista sobre a primeira publicação. Os autores somente poderão utilizar os mesmos resultados em outras publicações indicando claramente a Estudos Ibero-Americanos como o meio da publicação original.
Licença Creative Commons
Exceto onde especificado diferentemente, aplicam-se à matéria publicada neste periódico os termos de uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional, que permite o uso irrestrito, a distribuição e a reprodução em qualquer meio desde que a publicação original seja corretamente citada.