Olhos de cigana oblíqua e antropofágica
a poética transcultural em Capitu
DOI:
https://doi.org/10.15448/1984-7726.2025.1.48313Palavras-chave:
Poética transcultural, Relações interartísticas, Adaptação televisiva, CapituResumo
Partindo da formulação modernista de antropofagia cultural (Andrade, 1990) e do sensível diálogo entre as artes gerais (Clüver, 1997), tecemos considerações acerca das poéticas interartes operantes na microssérie Capitu (2008), de Luiz Fernando Carvalho, com vistas a processos autofágicos de transconstrução (Amorim, 2018), estabelecendo relações de proximidade com o romance Dom Casmurro (1899), de Machado de Assis. Tem-se como escopo evidenciar, pelo exame crítico, a forma pela qual os elementos estéticos sinalizam a contemporaneidade da obra televisiva, bem como a apropriação de recursos estilísticos mediante a relação “autofágica” de aspectos da cultura brasileira e estrangeira. Nessa intenção, analisamos o tecido da construção da imagem em fotogramas que justificam a continuidade da feitura machadiana, com requeridas discussões teóricas que se fazem ora em justificação da análise, ora em celebração de um pensamento complexo que envolve as camadas de (re)leitura do romance, início provocador do imaginário artístico e criativo da produção perscrutada. Arranjamos a estrutura do artigo de modo que análise e teorização engendram-se como em uma unidade que observa, no formato crítico comparativo, a dialogicidade das artes entre si, sem ignorar a memória, a história e as microinfluências que afetam e transformam o eu e os modos de estar no mundo, isso posto porque entendemos as escolhas que permeiam o processo e a construção de sentido da “arte nova” constituídos a partir de onde pisam os pés do criador, do ponto de onde se encerra sua cultura. Com efeito, a noção de transconstrução alicerça as reflexões que tomam Capitu como um caso frutífero de expansão contemporânea do literário, isto é, uma adaptação híbrida, plural e transcultural.
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