O escatológico na obra da moçambicana Deusa d’África

corpo-abjeto e corpo-fim

Autores

DOI:

https://doi.org/10.15448/1984-7726.2025.1.48179

Palavras-chave:

Escatologia, Grotesco, devir-limite, Deusa d’África, literatura moçambicana

Resumo

Este artigo investiga a função e o impacto das imagens escatológicas na obra da escritora moçambicana Deusa d’África, compreendendo-as como uma articulação entre a finitude do corpo e a fragmentação social. A partir de uma abordagem analítico interpretativa, foram examinadas obras fundamentais da autora, como A Voz das Minhas Entranhas (2014a), Ao Encontro da Vida ou da Morte (2014b), Cães à Estrada e Poetas ao Morgue (2022) e Metamiserismo (2024), privilegiando a análise de poemas e trechos que evidenciam o uso de imagens corporais, coprológicas e visceralmente subversivas. A metodologia consistiu na análise de tais imagens à luz de conceitos teóricos sobre escatologia, mobilizando referenciais, em especial de Francisco Noa. Como resultado, constatou-se que Deusa d’África constrói uma poética escatológica marcada pela ambivalência entre a destruição e a criação, em que o grotesco e o abjeto são transmutados em potência estética e política. Sua escrita revela uma literatura de resistência, que subverte convenções e denuncia as violências coloniais, patriarcais e sociais, transformando o corpo e seus fluidos em alegorias críticas da desintegração identitária e social, mas também em matrizes para novas formas de subjetividade, promovendo uma reinvenção estética e existencial da literatura moçambicana contemporânea.

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Biografia do Autor

Silvio Ruiz Paradiso, Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), Dourados, Mato Grosso do Sul, Brasil.

Professor (Adjunto C2) do Curso de Letras/EAD e do PPG-Letras da Universidade Federal de Grande Dourados (UFGD), Mato Grosso do Sul. Pós-doutorado em Letras/Literatura (Brown University, USP e UFPB). Doutor em Letras com ênfase em Estudos Literários, pela Universidade Estadual de Londrina (UEL); membro da Associação Internacional de Estudos Literários e Culturais Africanos (Afrolic). Foi professor da graduação e pós-graduação do Centro Universitário de Maringá (Unicesumar) e da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). Desde 2009, coordenador do grupo de pesquisa LITERÁFRIKA – Literaturas Africanas, História e Pós-Colonialismo. Consultor ad hoc sobre Religiões Africanas da Brown University e da Kansas University. Trabalha nas seguintes áreas das Letras: Literaturas Estrangeiras Modernas, Religião e Literatura, Texto Dramático. É avaliador do MEC/INEP na área de Letras e membro da equipe de Elaboradores BNI-Enade. Possui publicações na área em revistas científicas nacionais e internacionais. Atua como consultor ad hoc e avaliador de revistas científicas das áreas Humanas. Tem mais de oito anos de experiência no Ensino a Distância (materiais, aulas, tutorias). Autor de mais de dez livros na área de Letras, como Letras Diaspóricas: tessituras literárias entre Brasil e África (2014) e Religião e Religiosidade nas Literaturas Africanas Pós-Coloniais: Um olhar em Achebe e Mia Couto (2019). É escritor e ator. 

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Publicado

2025-11-24

Como Citar

Ruiz Paradiso, S. (2025). O escatológico na obra da moçambicana Deusa d’África: corpo-abjeto e corpo-fim. Letras De Hoje, 60(1), e48179. https://doi.org/10.15448/1984-7726.2025.1.48179