Narrativas de resistência (pós-)coloniais
algumas reflexões sobre Essa Dama Bate Bué!
DOI:
https://doi.org/10.15448/1984-7726.2026.1.48149Palavras-chave:
Narrativa pós-colonial, Opressão, Interseccionalidade, Essa Dama Bate Bué!, Yara MonteiroResumo
Este artigo propõe uma leitura crítica da narrativa Essa Dama Bate Bué!, de Yara Monteiro, a partir de uma perspectiva pós-colonial interseccional que articula os marcadores sociais de classe, raça, gênero e sexualidade. O texto é analisado como um espaço de denúncia e resistência às múltiplas formas de opressão que atravessam a vida das personagens femininas, em especial no contexto angolano, ainda marcado pelos resquícios do colonialismo e pelos traumas da guerra civil. A partir das reflexões de Maria Lugones (2020), discute-se a ausência da mãe como uma ferida colonial, atravessada por processos que afetam a construção identitária da protagonista. As situações de violência, racismo e guerra são examinadas com base nos aportes teóricos de Gloria Anzaldúa (2019), Grada Kilomba (2019) e Joana Gorjão Henriques (2017), que permitem compreender as estratégias narrativas que expõem as feridas abertas pela colonização e pelo patriarcado. As implicações sociais do gênero são debatidas com apoio nas formulações de Judith Butler (2018), Silvia Federici (2019) e Teresa de Lauretis (2019), destacando como as estruturas de poder moldam e limitam as vidas das mulheres nas diferentes camadas da sociedade. Além disso, são discutidas as concepções de sexualidade, heterossexualidade compulsória e continuum lésbico, com base em Adrienne Rich (2010), Gayle Rubin (2017), Grada Kilomba (2019) e Judith Butler (2018), revelando como a narrativa tensiona normatividades sexuais e propõe possibilidades de existência dissidente. O romance de Yara Monteiro, nesse sentido, não apenas visibiliza a complexidade das experiências de mulheres angolanas, mas também contribui para o debate crítico sobre as heranças (pós-)coloniais e a força das narrativas de resistência.
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Referências
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