Arquitetura do desejo
o influxo urbano e a sublimação da arte na construção da masculinidade moderna de Oscar Wilde e Marcel Proust
DOI:
https://doi.org/10.15448/1984-7726.2025.1.48090Palavras-chave:
Urbanismo, Arte, Sexualidade, Oscar Wilde, Marcel ProustResumo
Neste texto, de caráter ensaístico, investiga-se como as transformações urbanas e artísticas do final do século XIX influenciaram a construção da masculinidade moderna nas obras O retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde, e À la recherche du temps perdu, de Marcel Proust. O objetivo é analisar como a fruição estética, a dissidência erótica e o deslocamento do lar para a cidade permitiram novas formas de subjetivação masculina, distintas do ideal vitoriano patriarcal. A metodologia adota a análise comparativa da crítica literária, com base em autores como João Pedro Vala (2021), John Tosh (2007), Julia Kristeva (1982) e Walter Benjamin (2015). Os resultados do estudo indicaram que Wilde e Proust, ao retratar personagens dândis e flâneurs, desestabilizam os paradigmas tradicionais ao associar masculinidade à sensibilidade artística, ao hedonismo e à errância citadina. Em Proust, a arte conduz à autocompreensão e à maturidade do narrador, enquanto em Wilde, a estetização da existência leva à autodestruição. Os personagens centrais experienciam a cidade como espaço erótico e sensorial, contrastando com a domesticidade imposta ao homem burguês. Conclui-se que, nessas obras, a arte não apenas reflete o desejo: age como meio de expressão sexual e subjetiva, configurando-se como força estética, simbólica e libertadora. Logo, a modernidade imbricada na cidade, em vez de reafirmar o lar como centro da masculinidade e, deste modo, reiterar uma dominação patriarcal, emerge como palco de novos modos de vida, em que o prazer sensorial e o deslocamento simbólico são motores de autoconhecimento e ruptura com as convenções.
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