Tecnocapitalismo e expansão corporativa na governança das tecnologias educacionais
parcerias, limites e rearranjos do público
DOI:
https://doi.org/10.15448/1981-2582.2026.1.50058Palavras-chave:
Tecnocapitalismo, educação digital, tecnologia educacional, parcerias público-privadas, políticas educacionaisResumo
Este estudo examina como atores corporativos têm se tornado cada vez mais incorporados à governança das políticas de tecnologia educacional nas redes públicas estaduais de ensino no Brasil e problematiza os limites e deslocamentos que essa dinâmica impõe às chamadas parcerias público-privadas. Embora as políticas de educação digital sejam frequentemente enquadradas por discursos de inovação, colaboração e cooperação técnica, empresas de tecnologia educacional, plataformas digitais e consultorias privadas têm paulatinamente se tornado agentes estruturantes na implementação das políticas educacionais. Fundamentado no conceito de tecnocapitalismo, este artigo compreende a educação digital como uma fronteira estratégica para a reconfiguração da esfera pública por meio de lógicas orientadas pelo mercado. O estudo baseia-se em entrevistas com representantes de 23 secretarias estaduais de educação e na análise de seus respectivos Planos de Educação Digital e Inovação Pedagógica, combinando análise de conteúdo com uma abordagem crítico-discursiva para examinar como a participação corporativa é legitimada e normalizada nos discursos institucionais. A análise evidencia como atores corporativos passam a ser posicionados como mediadores essenciais das políticas de educação digital, influenciando estruturas de governança, conhecimentos técnicos especializados e os limites entre responsabilidades públicas e privadas. O artigo argumenta que esses arranjos ultrapassam as compreensões convencionais de parcerias público-privadas e refletem transformações tecnocapitalistas mais amplas na governança educacional contemporânea.
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