Cartografia em educação
método ou política de pesquisa?
DOI:
https://doi.org/10.15448/1981-2582.2025.1.48582Palavras-chave:
Cartografia, Educação, Subjetividade, MetodologiaResumo
Este artigo apresenta uma reflexão teórico-metodológica fundamentada na abordagem cartográfica de pesquisa, inspirada na obra Mil Platôs, de Deleuze e Guattari, como alternativa crítica às metodologias tradicionais em Educação. Problematizam-se os limites da pesquisa moderna, que tende à objetivação e à linearidade, propondo a cartografia como uma política de pesquisa que acolhe o imprevisível, o sensível e o movimento dos processos educativos. A cartografia é defendida como um modo de pesquisar que rompe com a lógica representacional e oferece abertura à multiplicidade e à invenção. A pesquisa se ancora em uma atenção flutuante e sensível, que se deixa afetar pelas práticas cotidianas escolares e propõe deslocamentos no modo de habitar o espaço-tempo da escola. O texto propõe uma crítica contundente às formas de controle e normatização educacional, valorizando práticas pedagógicas inventivas, menores e insurgentes. Com consistência teórica e densidade analítica, o artigo se insere no campo da Educação ao propor uma reconfiguração ética, política e epistemológica da pesquisa e das práticas escolares, contribuindo para avanços no debate contemporâneo sobre metodologias qualitativas em contextos escolares.
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