Cartografia em educação

método ou política de pesquisa?

Autores

DOI:

https://doi.org/10.15448/1981-2582.2025.1.48582

Palavras-chave:

Cartografia, Educação, Subjetividade, Metodologia

Resumo

Este artigo apresenta uma reflexão teórico-metodológica fundamentada na abordagem cartográfica de pesquisa, inspirada na obra Mil Platôs, de Deleuze e Guattari, como alternativa crítica às metodologias tradicionais em Educação. Problematizam-se os limites da pesquisa moderna, que tende à objetivação e à linearidade, propondo a cartografia como uma política de pesquisa que acolhe o imprevisível, o sensível e o movimento dos processos educativos. A cartografia é defendida como um modo de pesquisar que rompe com a lógica representacional e oferece abertura à multiplicidade e à invenção. A pesquisa se ancora em uma atenção flutuante e sensível, que se deixa afetar pelas práticas cotidianas escolares e propõe deslocamentos no modo de habitar o espaço-tempo da escola. O texto propõe uma crítica contundente às formas de controle e normatização educacional, valorizando práticas pedagógicas inventivas, menores e insurgentes. Com consistência teórica e densidade analítica, o artigo se insere no campo da Educação ao propor uma reconfiguração ética, política e epistemológica da pesquisa e das práticas escolares, contribuindo para avanços no debate contemporâneo sobre metodologias qualitativas em contextos escolares.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Leiliane Domingues da Silva, Universidade Federal Fluminense (UFF), Niterói, RJ, Brasil.

Doutora em Ciências, Tecnologias e Inclusão pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Professora substituta da Faculdade de Formação de Professores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (FFP/UERJ).

Dagmar de Mello e Silva, Universidade Federal Fluminense (UFF), Niterói, RJ, Brasil.

Professora Associada da Universidade Federal Fluminense – Faculdade de Educação/SFP. Professora permanente dos programas de Pós-graduação Doutorado em Ciências, Tecnologia e Inclusão (PGCTIn) e de Pós-graduação Doutorado em Educação (PPGE).

Referências

Barros, L. P., & Kastrup, V. (2017). Cartografar é acompanhar processos. In E. Passos, V. Kastrup, L. Escóssia (Eds.), Pistas do método da cartografia: Pesquisa-intervenção e produção da subjetividade (pp. 35-56). Sulina.

Benjamin, W. (1995). O flâneur. In W. Benjamin, Obras escolhidas III: Charles Baudelaire – Um lírico no auge do capitalismo (p. 33-34). Brasiliense.

Blanchot, M. (2007). A conversa infinita: A experiência limite. Escuta.

Certeau, M. (2014). A invenção do cotidiano: Artes de fazer. Vozes.

Certeau, M., Giard, L., & Mayol, P. (2013). A invenção do cotidiano: Morar, cozinhar. Vozes.

Citton, I. (2018). Da economia à ecologia da atenção. AYVU – Revista de Psicologia, 5(1), 13-41.

Costa, L. A., Angeli, A. A. C., & Fonseca, T. M. G. (2015). Cartografar. In T. M. G. Fonseca, M. L. Nascimento, & C. Maraschin (Eds.), Pesquisar na diferença: Um abecedário (pp. 39-50). Sulina.

Costa, L. B. (2014). Cartografia: Uma outra forma de pesquisar. Revista Digital do LAV, 7(2), 65-76. https://doi.org/10.5902/1983734815111

Deleuze, G. (2009). Lógica dos sentidos. Perspectiva.

Deleuze, G. (2022). Proust e os signos. Editora 34.

Deleuze, G. (1990) ¿Qué es un dispositivo? In P. Macherey (Ed.), Michel Foucault, filósofo (pp. 155-161). Gedisa.

Deleuze, G. & Guattari, F. (1995) Mil platôs e capitalismo e esquizofrenia (Vol. 2). Ed. 34.

Deleuze, G., & Guattari, F. (2011). Mil platôs: Capitalismo e esquizofrenia (Vol. 1). Ed. 34.

Ewald, F. (2011). [Texto na orelha de]. In G. Deleuze, & F. Guattari, Mil platôs: Capitalismo e esquizofrenia (Vol. 1). Ed. 34.

Foucault, M. (2012). Ditos e escritos: Ética, sexualidade e política (Vol. V). Forense Universitária.

Foucault, M. (2020). História da sexualidade 2: O uso dos prazeres. Paz e Terra.

Freud, S. (1996). Obras completas de Sigmund Freud (Vol. 12). Imago. (Original publicado em 1912).

Gallo, S. (2002). Em torno de uma educação menor. Educação & Realidade, 27(2), 169-178. https://seer.ufrgs.br/index.php/educacaoerealidade/article/view/25926

Giard, L. (2014) História de uma pesquisa. In M. De Certeau, A invenção do cotidiano: Artes de fazer (pp. 9-32). Vozes.

Haraway, D. J. (2023). Ficar com o problema: Fazer parentes no Chthulucene. N-1 Edições.

Heckert, A. L. C. (2015). Xeretar. In T. M. G. Fonseca, M. L. Nascimento, & C. Maraschin (Eds.), Pesquisar na diferença: Um abecedário (pp. 123-135). Sulina.

Husserl, E. (2012). Ideias para uma fenomenologia pura e para uma filosofia fenomenológica. Ideias & Letras. (Original publicado em 1913).

Husserl, E. (1991). Idées directrices pour une phénoménologie. Gallimard.

Kastrup, V., Tedesco, S., & Passos, E. (2015). Políticas da cognição. Sulina.

Larrosa, J. (2014). Experiência. In J. Larrosa, L. C. Santos, & I. Mészáros (Eds.), Pedagogia profana: Danças, piruetas e mascaradas (5. ed., pp. 133-155). Autêntica.

Linhares, C. F. S. (Ed.). (1988). A escola e seus profissionais: Tradições e contradições. Agir.

Marton, S. L., & Silva, D. M. (2014). Escutando crianças: O que elas nos deram a pensar? Childhood & Philosophy, 10(20), 267-282. https://doi.org/10.12957/childphilo.2014.10204

Nietzsche, F. (2017). Crepúsculo dos ídolos: Ou como filosofar com o martelo. Companhia de Bolso.

Oliveira Júnior, W. M. (2009). Grafar o espaço, educar os olhos: rumo a geografias menores. Pro-posições, 20(3), 17-28. https://doi.org/10.1590/S0103-73072009000300002

Paraíso, M. A. (Ed.). (2014). Metodologias de pesquisas pós-críticas em educação. Mazza Edições.

Passos, E., Kastrup, V., & Escóssia, L. (2017). Pistas do método da cartografia: Pesquisa-intervenção e produção da subjetividade. Sulina.

Pocahy, F. A. (2006). A pesquisa fora do armário: Ensaio de uma heterotopia [Dissertação de mestrado, Universidade Federal do Rio Grande do Sul]. Lume Repositório Digital. http://hdl.handle.net/10183/8367

Rolnik, S. (2016). Cartografia sentimental: Transformações contemporâneas do desejo. Sulina.

Stengers, I. (2018). Compor com o mundo: Ensaio de uma ecologia política. Autêntica.

Downloads

Publicado

2025-11-24

Como Citar

Domingues da Silva, L., & de Mello e Silva, D. (2025). Cartografia em educação: método ou política de pesquisa?. Educação, 48(1), e48582. https://doi.org/10.15448/1981-2582.2025.1.48582