GPS Docente
Prescrição Digital, Currículo e Redes Políticas Digitais em Disputa
DOI:
https://doi.org/10.15448/1981-2582.2025.1.48572Palavras-chave:
Currículo, Prescrição Digital, GPS Docente, Redes Políticas Digitais, Tecnologia Educacional, BNCCResumo
Este artigo investiga como guias, plataformas e programas digitais articulados à Base Nacional Comum Curricular (BNCC) operam como estratégias de prescrição da prática docente, produzindo sentidos de qualidade e tecnologia na forma de uma “prescrição digital”. A partir da problematização do conceito de GPS docente, propõe-se compreender essas tecnologias como dispositivos discursivos que pretendem guiar, controlar e orientar o trabalho pedagógico, sustentados por um discurso de evidências científicas e de governança educacional. O estudo se fundamenta em uma abordagem pós-estruturalista, dialogando com Jacques Derrida (desconstrução e aporia), Stephen Ball (redes políticas) e Elizabeth Macedo (currículo como prática cultural e discursiva). A pesquisa mobiliza análise documental de plataformas, guias e programas vinculados ao Ministério da Educação e a parceiros privados, compreendidos como redes políticas digitais, que moldam uma narrativa de currículo regulado, instrumental e orientado por métricas. Argumenta-se que tais políticas reforçam um modelo prescritivo, que tende a reduzir a docência a um percurso previamente traçado, tensionando a imprevisibilidade, a autonomia e a inventividade do trabalho pedagógico. O artigo defende, por fim, o deslocamento da tecnologia como mera ferramenta para entendê-la como prática discursiva, inseparável dos jogos de poder e das disputas de significação que constituem o currículo.
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