Instrução formal tocantinense
uma análise arqueogenealógica sobre a repercussão de dados do IBGE 2022
DOI:
https://doi.org/10.15448/1981-2582.2025.1.47706Palavras-chave:
escolarização, Tocantins, mídia, Análise do Discurso, relações de poder-saberResumo
Este artigo objetiva examinar, segundo a análise arqueogenealógica do discurso, as relações de poder-saber presentes na notícia “IBGE aponta: Tocantinenses estudaram, em média, 9,3 anos; pessoas sem instrução e fundamental incompleto são 33,2%”, publicada em 26 de fevereiro de 2025, no periódico virtual Gazeta do Cerrado. Além disso, o artigo busca preencher lacunas na literatura acadêmica, já que estudos sobre educação no Tocantins ainda são escassos e frequentemente restritos a diagnósticos técnicos, sem articulação com teorias críticas como a aqui convocada à ação. Para tanto, o empreendimento investigativo recorre às noções de formação discursiva, enunciado, dispositivo e episteme. Como resultado obtido, a investigação revelou como a objetivação estatística da população, operada por meio de categorias quantificáveis (faixas etárias, raça/cor, níveis de instrução), consolida uma lógica biopolítica (Foucault, 2008b) que transforma indivíduos em “casos” administráveis pelo Estado, hierarquizando corpos sociais, naturalizando desigualdades estruturais e reforçando mecanismos de exclusão.
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IBGE aponta: Tocantinenses estudaram, em média, 9,3 anos; pessoas sem instrução e fundamental incompleto são 33,2%.(2025). Gazeta do Cerrado. https://gazetadocerrado.com.br/tocantins/ibge-aponta-tocantinenses-estudaram-em-media-93-anos-pessoas-sem-instrucao-e-fundamental-incompleto-sao-332/#:~:text=Censo-,IBGE%20aponta%3A%20Tocantinenses%20estudaram%2C%20em%20m%C3%A9dia%2C%209%2C3,fundamental%20incompleto%20s%C3%A3o%2033%2C2%25&text=O%20Instituto%20Brasileiro%20de%20Geografia,%3A%20resultados%20preliminares%20da%20amostra%E2%80%9D.
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