CHAMADA PARA ARTIGOS
O método etnográfico se constitui de vários momentos: o pleno conhecimento da teoria antropológica, a elaboração de um plano de pesquisa consistente, a formulação de boas questões investigativas, a condução da pesquisa de campo, o domínio de todas as diversas técnicas de coleta de dados e a produção da escrita. É o que evidencia a nossa originalidade e nos constitui como antropólogas(os). Essa última etapa, a escrita, embora já tenha merecido a atenção de autores clássicos como por exemplo Clifford Geertz e James Clifford que se debruçaram em explorar a atuação do antropólogo como autor, a escrita etnográfica pode ganhar mais relevo nos estudos acadêmicos e nos encontros de cursos de antropologia. A escrita etnográfica é de suma importância pois é através do processo de descrição densa que a(o) antropóloga(o) costura seus retalhos de informações, une falas e cenas, confere sentido a elementos isolados na perspectiva da sua experiência vivida em campo, dos seus pressupostos teóricos, científicos e ideológicos e até mesmo pessoais. Isso, implica em uma capacidade de escrever não só dados reais, mas verossímeis e reflexivos. Assim, a escrita etnográfica é um processo criativo na mesma perspectiva que o literário. Ou seja, relacionar a escrita etnográfica com a literatura permite evidenciar a sensibilidade criativa do autor. Por essa razão, os debates sobre os desafios e as possibilidades da escrita etnográfica como um gênero literário, com suas características distintas e suas próprias estratégias de fabulação, podem e devem ganhar mais fôlego nos debates e cursos de antropologia. A proposta desse dossiê pretende enfatizar as peculiaridades da escrita etnográfica no campo antropológico, refletir sobre seus percursos criativos, estilos narrativos, sua relação com a literatura e propostas didáticas para a formação de antropólogas(os).





