Economias Esotéricas
Intercâmbio e Reciprocidade Ritual no Brasil e no Senegal
DOI:
https://doi.org/10.15448/1984-7289.2025.1.47086Palavras-chave:
Sacrifício, Troca ritual, Oikonomia e oikologia, Religião afro-brasileira, Islã da África OcidentalResumo
Este artigo introduz o conceito de “economias esotéricas” para analisar como as práticas de sacrifício religioso no Brasil e no Senegal incorporam lógicas econômicas alternativas que coexistem com o capitalismo de mercado. Por meio de um estudo etnográfico comparativo das práticas religiosas afro-brasileiras e dos rituais divinatórios senegaleses, os autores demonstram como esses sistemas rituais codificam e promulgam diferentes lógicas de troca, priorizando a reciprocidade de longo prazo, a mutualidade e o bem-estar comunitário. No Brasil, o panteão duplo de orixás e exus representa estruturas econômicas concorrentes: os orixás incorporam uma economia doméstica de reciprocidade generalizada, codificada como moral, enquanto os exus refletem a lógica transacional da troca capitalista, codificada como imoral. No Senegal, a prática de sadaa (doações rituais realizadas no contexto de consultas divinatórias) estende a doação a redes sociais mais amplas. Em vez de ver essas práticas pelas lentes convencionais da troca transacional do-ut-des, os autores propõem que elas operem por meio de uma lógica filial de reciprocidade enraizada em uma oikologia de fruição. Essa análise revela como as economias rituais servem não apenas como reflexos de sistemas econômicos mais amplos, mas como intervenções neles, oferecendo aos praticantes estratégias flexíveis para lidar com a precariedade econômica e, ao mesmo tempo, manter formas valiosas de conexão social.
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