Consciência fonológica e língua estrangeira: um estudo acerca da aprendizagem de espanhol por falantes brasileiros

Fabiana Soares da Silva, Susiele Machry da Silva

Resumo


Este artigo apresenta os resultados obtidos em uma dissertação de Mestrado* (SILVA, 2014). Partindo do pressuposto de que falantes nativos do português, quando expostos ao ensino formal do espanhol, costumam encontrar dificuldade para reconhecer as diferenças entre as possibilidades fonológicas e alofônicas de ambas as línguas (COSTA, 2013; GOMES, 2013; MIRANDA, 2001; SILVEIRA e SOUZA, 2011), investigou-se se falantes brasileiros, aprendizes de espanhol como língua estrangeira, seriam capazes de reconhecer diferenças entre os sons /s/ - /z/; /l/ - /w/ e /R/ - /r/. Para tanto, foram aplicados dois testes de percepção. O primeiro teste abarcou o reconhecimento de frases (produzidas em uma única língua ou mescladas); já o segundo, consistiu na discriminação de sons em pares de palavras, seguido por uma tarefa de identificação do idioma (espanhol ou português). A seguir, realizou-se uma entrevista com cada informante, a fim de verificar se esse seria capaz de justificar suas respostas. Para a realização da análise estatística, utilizou-se o programa SPSS. Com relação à análise qualitativa, realizou-se uma adaptação dos níveis de Representação Mental propostos por Karmiloff-Smith (1992). A análise estatística evidenciou não haver diferença significativa no desempenho dos informantes no que tange às variáveis observadas.


Palavras-chave


Consciência Fonológica; Representação Mental; Percepção de sons em língua estrangeira; Ensino e aprendizagem de língua estrangeira.

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DOI: http://dx.doi.org/10.15448/1984-4301.2017.2.26423

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