Além da Dádiva ou da Conquista: as interpretações da questão social no Chile e no Brasil

Alexis Cortés

Resumo


Como as ciências sociais compreenderam a questão social no Chile e no Brasil durante o século XX? No campo historiográfico, nestes países latinoamericanos, inicialmente foram produzidas interpretações opostas para compreender o desenvolvimento da questão social. Se no Chile foi interpretada como uma conquista operária resultante da força do movimento político-sindical; no Brasil, pelo contrário, o mesmo fenômeno foi entendido como uma “dádiva” estatal-populista, produto da passividade operária. Posteriormente, estas leituras clássicas foram questionadas por perspectivas que mostraram uma relação entre movimento operário e Estado muito mais complexa que terminou por redefinir ambos os termos. Assim, revisitar criticamente estas interpretações é um exercício que permite uma aproximação ao como as ciências sociais formam parte das lutas que elas descrevem.


Palavras-chave


questão social; Chile; Brasil; ciências sociais

Texto completo:

PDF

Referências


BARRÍA, Jorge. El movimiento obrero en Chile: síntesis histórico-social. Santiago de Chile: Ediciones Universidad Técnica del Estado, 1971a.

BARRÍA, Jorge. Historia de la CUT. Santiago de Chile: Prensa Latinoamericana, 1971b.

BOURDIEU, Pierre. Intelectuales, política y poder. Buenos Aires: Eudeba, 1999.

CARDOSO, Adalberto. A Construçao da Sociedade do Trabalho no Brasil: Una investigaçao sobre a persistência secular das desigualdades. Rio de Janeiro: FGV, 2010a.

______. Uma utopia brasileira: Vargas e a construção do estado de bem-estar numa sociedade estruturalmente desigual. Dados, v. 53, n. 4, p. 775-819, 2010b. http://dx.doi.org/10.1590/S0011-52582010000400001

CARDOSO, Fernando Henrique. Proletariado no Brasil: Situação e Comportamento social. Revista Brasiliense, n. 41, p. 98-122, maio 1962.

CARDOSO, Ruth Corrêa Leite. Movimentos Sociais na América Latina. Revista Brasileira de Ciências Sociais, v. 1, n. 3, p. 27- 37, 1987.

CASTEL, Robert. Las metamorfosis de la cuestión social: una crónica del salariado. Buenos Aires: Paidós, 2004.

COLLIER, Ruth; COLLIER, David. Shaping the Political Arena. Princeton: Princeton University Press, 1991.

DEVÉS VALDÉS, Eduardo. La cultura obrera ilustrada chilena y algunas ideas en torno al sentido de nuestro quehacer historiográfico. Mapocho: Revista de Humanidades y Ciencias Sociales, n. 30, p. 127-133, 1991.

DIAS, Everardo. História das lutas sociais no Brasil. São Paulo: Edaglit, 1962.

DÍAZ, Francisco. La reducción naturalista de lo popular en la Nueva Historia Social. Renovación historiográfica en tiempos de Dictadura. Revista Izquierdas, n. 21, p. 152-177, 2014.

DOS SANTOS, Theotônio. O Movimento Operário no Brasil. Revista Brasiliense, n. 39, p. 100-118, jan. 1962.

DURHAM, Eunice Ribeiro. Movimentos Sociais: A construção da cidadania. Novos Estudos CEBRAP, n. 10, p. 24-30, out. 1984.

FAUSTO, Boris. Trabalho Urbano e Conflito Social (1890- 1920). São Paulo: Difel, 1977.

FERNÁNDEZ, Enrique. Estado y Sociedad en Chile 1891-1931: El Estado excluyente, la lógica estatal oligárquica y la formación de la sociedad. Santiago: LOM, 2003.

FRENCH, John. Afogados em leis: A CLT e cultura política dos trabalhadores brasileiros. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 2001.

GOMES, Ângela de Castro. A invenção do Trabalhismo. Rio de Janeiro: IUPERJ/ Vértice, 1988.

GREZ, Sergio. Escribir la historia de los sectores populares ¿Con o sin la política incluida? A propósito de dos miradas a la historia social (Chile, siglo XIX). Política, v. 44, p. 17-31, out. 2005.

JOBET, Julio César. Ensayo crítico del desarrollo económico-social de Chile. Santiago de Chile: Editorial Universitaria, 1951.

______. Luis Emilio Recabarren: los orígenes del movimiento obrero y del socialismo chilenos. Santiago de Chile: Prensa Latinoamericana, 1955.

LANZARA, Arnaldo Provasi. A construção histórica do Estado Social no Brasil e no Chile: do mutualismo ao seguro. 2012. Tese (Doutorado em Ciência Política) – IESPUERJ, Rio de Janeiro, 2012.

LOPES, José Sergio Leite; PESSANHA, Elina; RAMALHO, José Ricardo. Esboço de uma história social da primeira geração de sociólogos do trabalho e dos trabalhadores no Brasil. Educação & Sociedade, v. 33, n. 118, p. 115-129, mar. 2012. http://dx.doi.org/10.1590/S0101-73302012000100008

LOYOLA, Manuel. Gabriel Salazar En el nombre del poder popular constituyente (Chile, siglo XXI). Cuadernos de historia, Santiago, n. 36, p. 183-185, 2012.

MASSARDO, Jaime. La formación del imaginario político de Luis Emilio Recabarren: Contribución al estudio crítico de la cultura política de las clases subalternas de la sociedad chilena. Santiago: LOM, 2008.

MORAES FILHO, Evaristo. O problema do sindicato único no Brasil: seus fundamentos sociológicos. São Paulo: Alfa-Ômega, 1978

ORTIZ LETELIER, Fernando. El Movimiento Obrero en Chile (1981-1919). Santiago: LOM, 2005.

PAOLI, Maria Celia; SÁDER, Eder; TELLES, Vera da Silva. Pensando a Classe Operária: Os trabalhadores sujeitos ao imaginário acadêmico. Revista Brasileira de História, v. 3, n. 6, p. 129-149, 1984.

PINHEIRO, Paulo Sérgio. Política e trabalho no Brasil. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1975.

PINTO, Julio. Movimiento social popular: ¿hacia una barbarie con recuerdos? Proposiciones, n. 24, p. 214-219, 1998.

PINTO, Julio; CANDINA, Azun; LIRA, Robinson. Historia Contemporánea de Chile II: Actores, Identidad y Movimiento. In: SALAZAR, Gabriel; PINTO, Julio (Org.). Historia Contemporánea de Chile. Santiago: LOM, 1999.

PONCE, José Ignacio; PÉREZ, Aníbal. La revitalización de la historiografía política chilena. Polis, Santiago, v. 12, n. 36, p. 453-476, dez. 2013. http://dx.doi.org/10.4067/ S0718- 65682013000300020

RAMÍREZ NECOCHEA, Hernán. Historia del Movimiento Obrero en Chile: Antecedentes Siglo XIX. In: RAMÍREZ NECOCHEA, HERNÁN (Org.). Obras escogidas. Santiago: LOM, 2007a. Vol. I.

______. Origen y Formación del Partido Comunista de Chile. In: RAMÍREZ NECOCHEA, HERNÁN (Org.). Obras escogidas. Santiago: LOM, 2007b. Vol. II.

RODRIGUES, José Albertino. Sindicato e desenvolvimento no Brasil. São Paulo: Difusão Européia do Livro, 1968.

ROJAS, Jorge. Los trabajadores en la historiografía chilena: balance y proyecciones. Revista de Economía & Trabajo, n. 10, p. 47-117, 2000.

SADER, Eder. Quando Novos Personagens Entraram em Cena: Experiências e lutas dos trabalhadores da grande São Paulo 1970-1980. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2010.

SALAZAR, Gabriel. Labradores, peones y proletarios: formación y crisis de la sociedad chilena del siglo XIX. Santiago de Chile: LOM, 2000.

SALAZAR, Gabriel; MANCILLA, Arturo; DURÁN, Carlos. Estado, legimitidad, ciudadanía. In: JULIO, PINTO (Org.). Historia Contemporánea de Chile. Santiago: LOM, 1999. Vol. I.

SANTANA, Marco Aurélio. O “Novo” e o “Velho” Sindicalismo: análise de um debate. Revista de Sociologia e Política, v. 10/11, p. 19-35, 1998.

SANTOS, Wanderley Guilherme Dos. A Práxis Liberal e a Cidadania Regulada. In: SANTOS, WANDERLEY GUILHERME DOS (Org.). Décadas de Espanto e uma Apologia Democrática. Rio de Janeiro: Rocco, 1998. p. 63-114.

SEGALL, Marcelo. Desarrollo del capitalismo en Chile: cinco ensayos dialécticos. Santiago de Chile: Del Pacífico, 1953.

SIMÃO, Azis. Sindicato e Estado. São Paulo: Dominus, 1966. TELLES, Vera da Silva. Movimentos sociais: reflexões sobre a experiência dos anos 70. In: SCHERER-WARREN, ILSE; KRISCHKE, PAULO (Org.). Uma Revolução no Cotidiano? Os novos movimentos sociais na América do Sul. São Paulo: Brasiliense, 1987. p. 54-81.

THIELEMANN, Luis. El Movimiento Popular y la historiografía en Chile: Elementos para un balance a 40 a-os del Golpe de Estado. Revista de Historia y Geografía UCSH, n. 29, p. 105-130, jul. 2013.

TOURAINE, Alain. Industrialization et Conscience Ouvrière à São Paulo. Sociologie du Travail, v. 3, n. 4, p. 75-95, out. 1961.

VIANNA, Oliveira. Direito do Trabalho e Democracia Social: o problema da incorporação do Trabalhador no Estado. Rio de Janeiro: José Olympio, 1951.

WEFFORT, Francisco. O populismo na política brasileira. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1978.

______. Sindicatos e Política. 1970. Livre Docência – USP, São Paulo, 1970.

Werneck VIANNA, Luiz. Liberalismo e Sindicato no Brasil. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1976.




DOI: http://dx.doi.org/10.15448/1980-864X.2016.3.22922

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.

e-ISSN: 1980-864X | ISSN-L: 0101-4064

Este periódico é membro do COPE (Committee on Publication Ethics) e adere aos seus princípios - www.publicationethics.org



AVALIAÇÃO QUALIS CAPES - 2016 
ÁREA CAPES - História
CLASSIFICAÇÃO - A2

INDEXADORES E PORTAIS

  • Web of Science - Master Journals List (Clarivate Analytics)
  • SSCI - Social Sciences Citation Index (Clarivate Analytics)
  • AHCI - Arts and Humanities Citation Index (Clarivate Analytics)
  • Scopus (Elsevier)
  • SJR - ScIMAGO Journal & Country Rank (Elsevier)
  • Historical Abstracts with Full Text (EBSCO)
  • Academic Search Premier (EBSCO)
  • Fonte Acadêmica (EBSCO)
  • Fuente Academica (EBSCO)
  • CLASE - Citas Latinoamericanas en Ciencias Sociales y Humanidades
  • DOAJ - Directory of Open Access Journals
  • LATINDEX - Sistema Regional de Información en Línea para Revistas Científicas de América Latina, el Caribe, España y Portugal
  • REDALYC - Red de Revistas Científicas de América Latina y el Caribe, España y Portugal
  • Portal CAPES

FATOR DE IMPACTO NO SJR (SCImago Journal & Country Rank)

SCImago Journal & Country Rank

Licença Creative Commons OriginalityCheck®
Licença Creative Commons
Exceto onde especificado diferentemente, a matéria publicada neste periódico é licenciada sob forma de uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional. 
TurnITin
Todos os artigos são submetidos ao software Turnitin, antes de iniciar qualquer tipo de avaliação.
Diadorim  Open Access 
Diretório de Políticas Editoriais das Revistas Científicas Brasileiras. Disponibilidade para depósito: Azul. 
 

Copyright: © 2006-2019 EDIPUCRS