Cristianismo, secularização e a condição democrática

caminhos para a modernidade em Nietzsche e Tocqueville

Autores

DOI:

https://doi.org/10.15448/1984-6746.2025.1.47110

Palavras-chave:

Religião, Política, Teologia Política, Igualdade, Niilismo

Resumo

Este artigo analisa o problema da secularização da moral cristã como fonte dos ideais políticos modernos, no pensamento de Nietzsche e Tocqueville. Ambos compreenderam a democracia moderna como uma versão secularizada da moral cristã e reconheceram os desafios que ela apresenta para a condição humana. Mas suas posturas diante disso diferiram muito: Tocqueville buscou aconselhar a democracia, promovendo o respeito pela religião e pelo cristianismo, enquanto Nietzsche adotou uma retórica radical contra a democracia, defendendo uma revolução de valores. O objetivo deste estudo é investigar e confrontar como esses  autores construíram seus diagnósticos e prognósticos para a modernidade democrática, com foco no papel da religião, pretendendo contribuir para os estudos de teoria política e social.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Iann Endo Lobo, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Florianópolis, Santa Catarina, Brasil.

Doutor em Sociologia e Ciência Política – UFSC

Jean Gabriel Castro da Costa, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Florianópolis, Santa Catarina, Brasil.

Doutor em Ciência Política – USP; Professor Associado do Departamento de Sociologia e Ciência Política da UFSC e do Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Ciência Política da UFSC (PPGSP).

Victor Wolfgang Kegel Amal, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Florianópolis, Santa Catarina, Brasil.

Doutorando em História – UFSC.

Referências

ACAMPORA, Christa. As Disputas de Nietzsche. Florianópolis: EdUFSC, 2018.

ACAMPORA, Christa. Demos Agonistes Redux: Reflections on the Streit of Political Agonism. Nietzsche-Studien, Berlin, v. 32, p. 373-389, 2003.

ALMOND, Gabriel; VERBA, Sidney. The civic culture. Princeton: Princeton University Press, 1963.

APPEL, Fredrick. Nietzsche contra Democracy. Ithaca: Cornell University Press, 1999.

ARATO, Andrew; COHEN, Jean. Civil society and political theory. Cambridge: MIT Press, 1992.

ARON, Raymond. As etapas do pensamento sociológico. Tradução de Sérgio Bath. São Paulo: Martins Fontes, 2000.

ARONOWITZ, Stanley. On left-nietzscheanism. Critical Sociology, London, v. 45, n. 2, p. 281-283, 2018.

ASTOR, Dorian. Nietzsche e o liberalismo. Estudos Nietzsche, São Paulo, v. 8, n. 1, p. 9-25, 2017.

BAUMAN, Zygmunt. Modernidade Líquida. Tradução Plínio Dentzien. Rio Janeiro: Jorge Zahar, 2001.

BENOIT, Blaise. A justiça como problema. Cadernos Nietzsche, São Paulo, n. 26, p. 53-71, 2010.

BROBJER, Thomas. The Absence of Political Ideals in Nietzsche’s Writings. Nietzsche-Studien, Berlin, n. 27, p. 300-318, 1998.

BURKE, Edmund. Reflections on the Revolution in France. New York: Dover Publications, 2016.

CEIKA, Jonas. How to Philosophize with a Hammer and Sickle: Nietzsche and Marx for the 21st Century Left. London: Repeater Books, 2021.

COLSON, Daniel. Nietzsche e o anarquismo: uma relação ambígua. Revista de Filosofia, Natal, v. 10, n. 2, p. 55-72, maio 2018.

CONNOLLY, William E. The nobility of democracy. In: FRANK, Jason; TAMBORNINO, John (org.). Vocations of Political Theory. Minneapolis: University of Minnesota Press, 2000.

COSTA, Jean Gabriel Castro da. Laisser aller e respeito agonístico: considerações sobre as apropriações agonísticas da filosofia de Nietzsche. Política & Sociedade, Florianópolis, v. 19, n. 46, p. 357-386, set./dez. 2020.

DETWILER, B. Nietzsche and the Politics of Aristocratic Radicalism. Chicago: University of Chicago Press, 1990.

DOMBOWSKY, Don. Nietzsche’s Machiavellian Politics. New York: Palgrave Macmillan, 2004.

ESCOBAR, Carlos Henrique de. Marx Trágico: o marxismo de Marx. Rio de Janeiro: Taurus, 1993.

FOUCAULT, Michel. Nietzsche, a genealogia e a história. In: MACHADO, Roberto (org.). Microfísica do poder. Rio de Janeiro: Graal, 1979. p. 15-38.

FRANCO, Paul. Tocqueville and Nietzsche on the problem of human greatness in democracy. The Review of Politics, Cambridge, v. 76, n. 3, p. 439-467, 2014.

FREIRE, Alyson. O trágico nas sociologias de Georg Simmel e Max Weber. Sociologias, Porto Alegre, v. 20, n. 48, p. 212-244, 2018.

HABERMAS, Jürgen. O discurso filosófico da modernidade. Tradução de Luiz Sérgio Repa e Rodnei Nascimento. São Paulo: Martins Fontes, 2002.

HATAB, Lawrence. A Nietzschean Defense of Democracy: An Experiment in Postmodern Politics. Chicago: Open Court, 1995.

HATAB, Lawrence. Prospects for a Democratic Agon: Why We Can Still Be Nietzscheans. The Journal of Nietzsche Studies, New York, Issue 24, p. 132-147, Fall 2002.

KAUFMANN, Walter. Nietzsche: Philosopher, Psychologist, Antichrist. New Jersey: Princeton University Press, 1974.

KRAYNACK, Robert. Nietzsche, Tocqueville, and Maritain: On the Secularization of Religion as the Source of Modern Democracy. Interpretation, Arlington, v. 43, n. 1, p. 57-89, 2016.

LAMPERT, Laurence. Nietzsche's Philosophy and True Religion. In: PEARSON, Keith Ansell (ed.). A Companion to Nietzsche. New Jersey: Blackwell, 2006. p. 133-147.

LÜCHMANN, Lígia Helena Hahn. Abordagens teóricas sobre o associativismo e seus efeitos democráticos. Revista Brasileira de Ciências Sociais, São Paulo, v. 29, n. 85, p. 159-226, 2014.

LYOTARD, Jean-François. A condição pós-moderna. Tradução de Ricardo Corrêa Barbosa. Rio de Janeiro: José Olympio, 1998.

MANENT, Pierre. An intellectual history of liberalism. Tradução de Rebecca Balinski. Princeton: Princeton University Press, 1995.

MANENT, Pierre. Tocqueville and the Nature of Democracy. Tradução de John Waggoner. Maryland: Rowman & Littlefield Publishers, 1996.

MANSFIELD, Harvey C.; WINTHROP, Delba. Introduction. In: TOCQUEVILLE, Alexis de. Democracy in America. Chicago: The University of Chicago Press, 2000.

MÉLONIO, Françoise. Tocqueville et les Français. Paris: Aubier, 1993.

MOHLER, Armin. Die Konservative Revolution in Deutschland 1918–1932. Darmstadt: Wissenschaftliche Buchgesellschaft, 1989.

MONTESQUIEU, Charles de Secondat. O espírito das leis. São Paulo: Abril Cultural, 1973.

MONTINARI, Mazzino. Interpretações nazistas. Cadernos Nietzsche, São Paulo, v. 7, p. 55-77, 1999.

MOUFFE, C. Por um modelo agonístico de democracia. Revista de Sociologia e Política, Curitiba, n. 25, p. 11-23, nov. 2005.

NIETZSCHE, Friedrich. Além do Bem e do Mal . Tradução de Paulo Souza. São Paulo: Cia das Letras, 2016.

NIETZSCHE, Friedrich. Assim falou Zaratustra. Tradução de Paulo Souza. São Paulo: Cia das Letras, 2011.

NIETZSCHE, Friedrich. Crepúsculo dos ídolos. Tradução de Paulo Souza. São Paulo: Cia das Letras, 2006.

NIETZSCHE, Friedrich. Ecce Homo. Tradução de Paulo Souza. São Paulo: Cia das Letras, 2013.

NIETZSCHE, Friedrich. Genealogia da moral. Tradução de Paulo Souza. São Paulo: Cia das Letras, 1998.

NIETZSCHE, Friedrich. Kritische Gesamtausgabe: Werke und Briefe. Organizado por Giorgio Colli e Mazzino Montinari. Editado por Paolo D’Iorio. Disponível em: www.nietzschesource.org/eKGWB. Acesso em: 7 fev. 2024.

NIETZSCHE, Friedrich. Humano, demasiado humano II: O andarilho e sua sombra. Tradução de Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2017.

NIETZSCHE, Friedrich. O Nascimento da Tragédia. Tradução de J. Guinsburg. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.

RORTY, Richard. Contingência, ironia e solidariedade. Tradução de Pedro Sette-Câmara. São Paulo: Martins Fontes, 1995.

RORTY, Richard. Nietzsche, Socrates, and Pragmatism. South African Journal of Philosophy, Pretória, v. 3, n. 10, 1991.

SCHMITT, Carl. Politische Theologie: Vier Kapitel zur Lehre von der Souveränität. Berlin: Duncker & Humblot, 2021.

SCHRIFT, Alan. A disputa de Nietzsche: Nietzsche e as guerras culturais. Cadernos Nietzsche, São Paulo, v. 7, p. 3-26, 1999.

SENNET, Richard. A Corrosão do caráter: conseqüências pessoais do trabalho no novo capitalismo. Tradução Marcos Santarrita. Rio de Janeiro: Record, 1999.

SHAW, Tamsin. Nietzsche’s Political Skepticism. New Jersey: Princeton University Press, 2007.

SHEIKH, Haroon. Nietzsche and the Neoconservatives: Fukuyama's Reply to the Last Man. Journal of Nietzsche Studies, Texas, n. 35/36, p. 28-47, 2008.

SIEMENS, Herman. Nietzsche contra Liberalism on Freedom. In: PEARSON, Keith Ansell. A Companion to Nietzsche. Oxford: Blackwell Publishing Ltd, 2006.

SIEMENS, Herman. Nietzsche’s Political Philosophy: A Review of Recent Literature. Nietzsche-Studien, Berlin, v. 30 , p. 508-526, 2001.

SIEMENS, Herman. Reassessing Radical Democratic Theory in the Light of Nietzsche’s Ontology of Conflict. In: ANSELL-PEARSON, Keith. (org.). Nietzsche and Political Thought. London: Bloomsbury Academic, 2013. p. 83-105.

STRAUSS, Leo. German Nihilism. Interpretation, Arlington, v. 26, n. 3, p. 353-378, 1999.

TOCQUEVILLE, Alexis de. A Democracia na América, livro I. Tradução de Eduardo Brandão. São Paulo: Martins Fontes, 2005.

TOCQUEVILLE, Alexis de. A Democracia na América, livro II. Tradução de Eduardo Brandão. São Paulo: Martins Fontes, 2004.

TOCQUEVILLE, Alexis de. O Antigo Regime e a Revolução. Tradução de Yvonne Jean. Brasília: UnB, 1997.

TOCQUEVILLE, Alexis de. The European Revolution and the Correspondence with Gobineau. Tradução de John Lukas. New York: A Double Day Anchor, 1974.

WENMAN, Mark. Agonistic democracy: constituent power in the era of globalisation. Cambridge: Cambridge University Press, 2013.

WOTLING, Patrick. Quando a potência dá prova de espírito: origem e lógica da justiça segundo Nietzsche. Cadernos Nietzsche, São Paulo, v. 32, 2013.

Downloads

Publicado

2025-11-13

Como Citar

Endo Lobo, I., Castro da Costa, J. G., & Wolfgang Kegel Amal, V. (2025). Cristianismo, secularização e a condição democrática: caminhos para a modernidade em Nietzsche e Tocqueville. Veritas (Porto Alegre), 70(1), e47110. https://doi.org/10.15448/1984-6746.2025.1.47110

Edição

Seção

Ética e Filosofia Política