Da narrativa à ação em Hannah Arendt
por uma dimensão ética da narr[a]tividade
DOI:
https://doi.org/10.15448/1984-6746.2025.1.45983Palavras-chave:
Narratividade, Ética, Política, Ação, Hannah ArendtResumo
Este artigo tem como objetivo buscar uma possível dimensão ético-política da narr[a]tividade em Hannah Arendt. Para tanto, as questões que nos orientam são: existe um distanciamento entre discurso e narrativa na obra de Arendt? Como se daria a passagem da narrativa à ação e por que contar estórias se demuda em uma dimensão ética da narr[a]tividade? Nessa direção, abordaremos a narrativa como constituição intersubjetiva da narr[a]tividade. Na tentativa de resposta, buscamos compreender o que distancia a narrativa do discurso nas obras de Hannah Arendt, ao envolver a narrativa como um meio que consente durabilidade aos eventos que, entre a vida e a morte, são breves, efêmeros, momentâneos e só podem ser convertidos em estórias ao final da ação. Intitulamos por narr[a]tividade a trama das relações humanas que, dada a fragilidade transitória das ações e dos discursos, torna as estórias uma espécie de exercício que permanece no tempo, no mesmo instante em que chamamos de dimensão ética o desejo de, a cada novo começo e sem resultados previsíveis, lançar luz ao pensamento de quem ouve e age em sua livre responsabilidade de continuar, por amor, a cuidar do mundo.
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