Da narrativa à ação em Hannah Arendt

por uma dimensão ética da narr[a]tividade

Autores

DOI:

https://doi.org/10.15448/1984-6746.2025.1.45983

Palavras-chave:

Narratividade, Ética, Política, Ação, Hannah Arendt

Resumo

Este artigo tem como objetivo buscar uma possível dimensão ético-política da narr[a]tividade em Hannah Arendt. Para tanto, as questões que nos orientam são: existe um distanciamento entre discurso e narrativa na obra de Arendt? Como se daria a passagem da narrativa à ação e por que contar estórias se demuda em uma dimensão ética da narr[a]tividade? Nessa direção, abordaremos a narrativa como constituição intersubjetiva da narr[a]tividade. Na tentativa de resposta, buscamos compreender o que distancia a narrativa do discurso nas obras de Hannah Arendt, ao envolver a narrativa como um meio que consente durabilidade aos eventos que, entre a vida e a morte, são breves, efêmeros, momentâneos e só podem ser convertidos em estórias ao final da ação. Intitulamos por narr[a]tividade a trama das relações humanas que, dada a fragilidade transitória das ações e dos discursos, torna as estórias uma espécie de exercício que permanece no tempo, no mesmo instante em que chamamos de dimensão ética o desejo de, a cada novo começo e sem resultados previsíveis, lançar luz ao pensamento de quem ouve e age em sua livre responsabilidade de continuar, por amor, a cuidar do mundo.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Luiz Paulo Matias, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Florianópolis, Santa Catarina, Brasil.

Doutorando em Educação no Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE) pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Florianópolis, SC, Brasil.  Mestrado em Filosofia pela Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), Chapecó, SC, Brasil. Graduação em Filosofia pela Universidade Metropolitana de Santos (UNIMES), Santos, SP, Brasil. Bolsista pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (FAPESC).

Elsio José Corá, Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), Chapecó, Santa Catarina, Brasil.

Pós-doutor em Filosofia pela Universidade do Porto (Portugal) e doutor pela PUC/RS, com período de estudos na Università degli Studi di Napoli Federico II (Itália). Possui mestrado e graduação em Filosofia pela UFSM. Docente do Curso de Graduação em Filosofia e do Programa de Pós-graduação Stricto Sensu (Mestrado) em Filosofia da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS). Entre 2015 e 2016, atuou como Coordenador Geral do Ensino Fundamental no Ministério da Educação (MEC), foi Diretor de Políticas de Graduação da UFFS de 2011 a 2015 e Pró-reitor de Graduação de 2023 a 2025. Lidera o Grupo de Pesquisa Filosofia e Temas Contemporâneos (UFFS). Atua nas áreas de Hermenêutica, Ética, Formação de Professores, Educação Integral, Base Nacional Comum Curricular e Novo PAR, refletindo o compromisso com a reflexão crítica e a promoção de práticas educativas e de gestão inovadoras.

Referências

AGUIAR, Odilio Alves. Pensamento e narração em hannah Arendt. In: MORAES, Eduardo Jardim de; BIGNOTTO, Newton (org.). Hannah Arendt: diálogos, reflexões, memórias. Belo Horizonte: UFMG, 2001. p. 215-226.

ALMEIDA, Vanessa Sievers de. Educação em Hannah Arendt: entre o mundo deserto e o amor ao mundo. São Paulo: Cortez, 2011.

ARENDT, Hannah. A condição humana. Tradução Roberto Taposo; revisão técnica e apresentação Adriano Correia. 13. ed. rev. reimp. Rio de janeiro: Forense Universitária, 2020.

ARENDT, Hannah. A dignidade da política: ensaios e conferências. Tradução Helena Martins. Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 1993.

ARENDT, Hannah. A promessa da política. 5. ed. Organização e introdução de Jerome Kohn; tradução Pedro Jorgensen Jr. Rio de Janeiro: Difel, 2013.

ARENDT, Hannah. A vida do espírito: o pensar, o querer, o julgar. 3. ed. Tradução Antonio Abranches, César Augusto R. de Almeida e Helena Martins. Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 1995.

ARENDT, Hannah. Compreender. Ensaios; Franz Kafka, uma Reavaliação. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.

ARENDT, Hannah. Diário filosófico: 1950-1973. Tradução Raúl Gabás. Barcelona: Herder, 2006.

ARENDT, Hannah. Entre o passado e o futuro. 6. ed. Tradução Mauro W. Barbosa. São Paulo: Perspectiva, 2011.

ARENDT, Hannah. Homens em Tempos Sombrios. Tradução Denise Bottmann. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.

ARENDT, Hannah. Origens do totalitarismo. Tradução Roberto Raposo. São Paulo: Companhia das Letras, 2012. Originalmente publicado em 1951.

ARENDT, Hannah. Pensar sem corrimão: compreender 1953-1975. Organização e apresentação Jerome Kohn; tradução Beatriz Andreiuolo et al. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2021.

ARENDT, Hannah. Rahel Varnhagen: a vida de uma judia alemã na época do Romantismo. Tradução Antônio Trânsito e Gernot Kludasc. Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 1994.

ARENDT, Hannah. Responsabilidade e julgamento. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.

ARENDT, Hannah. Sobre a Violência. Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 1994.

ARENDT, Hannah. The Origins of Totalitarianism. New York: Harcourt Brace Jovanovich Publishers, 1973.

ARENDT, Hannah. Eichmann em Jerusalém: um relato sobre a banalidade do mal. Tradução José Rubens Siqueira. São Paulo: Companhia das Letras, 1999.

ASSY, Bethânia. Ética, responsabilidade e juízo em Hannah Arendt. São Paulo: Perspectiva: Instituto Noberto Bobbio, 2015.

BENHABIB, Seyla. The Reluctant Modernism of Hannah Arendt. Lanham: Rowman & Littlefield, 2003.

BENJAMIN, Walter. Sobre o conceito de história. In: WALTER Benjamin: obras escolhidas. Tradução de Sergio Paulo Rouanet. São Paulo. Brasiliense, 1985.

BIGNOTTO, Newton. Totalitarismo e liberdade no pensamento de Hannah Arendt. In: MORAES, Eduardo Jardim de; BIGNOTTO, Newton (org.). Hannah Arendt: diálogos, reflexões, memórias. Belo Horizonte: UFMG, 2001. p. 111-123.

BRUEHL, Elisabeth Y. “Hannah Arendt’s Storytelling.” Social Research, [s. l.], v. 44, n. 1, p. 183-90, 1977. Disponível em: http://www.jstor.org/stable/40970279. Acesso em: 5 set. 2022.

BRUEHL, Elisabeth Y. Por amor ao mundo: a vida e a obra de Hannah Arendt. Tradução Antônio Trânsito. Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 1997.

CORREIA, Adriano (coord.). Transpondo o abismo: Hannah Arendt entre a filosofia e a política. São Paulo: Forense, 2002.

CORREIA, Adriano; ROCHA, Antonio Glauton Varela; MÜLLER, Maria Cristina; AGUIAR, Odilio Alves (org.). Dicionário Hannah Arendt. São Paulo: Unesp, 2022.

CRIVORNCICA, Roberta. As narrativas da Vida do Espírito e educação em Hannah Arendt. 2017. Tese (Doutorado em Educação) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2017. Orientador: José Sergio Fonseca de Carvalho.

Disponível em: https://doi.org/10.11606/T.48.2018.tde-05112018-160155. Acesso emAcesso em: 1 fev. 2023.

DI PIEGO, Anabella. La identidad narrativa en Hannah Arendt: Una crítica de la interpretación de Paul Ricoeur. In: Magalhaes De Almeida, Maria Zeneide C. et al. Educacao & memórias. Narrativas e oralidades. Goiânia: Editora Espaço Acadêmico, 2018. p. 19-23. Disponível em: https://www.memoria.fahce.unlp.edu.ar/libros/pm.675/pm.675.pdf. Acesso em: 15 fev. 2023.

DI PIEGO, Anabella. La revelación del quién en el mundo contemporáneo. Consideraciones a partir de las concepciones de Hannah Arendt y de Paul Ricoeur. Revista de Filosofia y Teoría Político, [s. l.], n. 43, p. 45-78, 2012.

DINESEN, Isak. A Festa de Babette e Outras Anedotas do Destino. Tradução Isabel Paquete de Araripe. São Paulo: Círculo de Fogo, 1986.

DUARTE, André. Hannah Arendt entre Heidegger e Benjamin. In: MORAES, Eduardo Jardim de; BIGNOTTO, Newton (org.). Hannah Arendt: diálogos, reflexões, memórias. Belo Horizonte: UFMG, 2001. p. 63-89.

ECCEL, Daiane. Natalidade. In: CORREIA, Adriano; ROCHA, Antonio Glauton Varela; MÜLLER, Maria Cristina; AGUIAR, Odilio Alves (org.). Dicionário Hannah Arendt. São Paulo: Unesp, 2022.

GADAMER, Hans-Georg. Verdade e método I: traços fundamentais de uma hermenêutica filosófica. Tradução Flávio Paulo Meurer. Petrópolis: Vozes, 1997.

GUERRA, Elizabete Olinda. O fenômeno da vontade em Hannah Arendt. 2013. 221 f. Tese (Doutorado em Filosofia) – Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2013. Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/107451. Acesso em: 12 ago. 2024.

HEIDEGGER, Martin. Conferências e escritos filosóficos. São Paulo: Nova Cultural, 1989.

JARDIM, Eduardo. Hannah Arendt: pensadora da crise e de um novo início. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2011.

KUNDERA, Milan. A arte do romance (ensaio). Tradução Teresa Bulhões C. da Fonseca e Vera Mourão. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2016.

LAFER, Celso. A Reconstrução dos Direitos Humanos: um diálogo com o pensamento de Hannah Arendt. 7. reimp. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.

LAFER, Celso. Experiência, ação e narrativa: reflexões sobre um curso de Hannah Arendt. Estudos Avançados, São Paulo, n. 60, 2007. Disponível em https://www.scielo.br/j/ea/a/WNYNFTHYL9FnwYkKdsXSQQn/?lang=pt#. Acesso em: 5 nov. 2022.

LAFER, Celso. Posfácio Hannah Arendt: vida e obra. In: ARENDT, Hannah. Homens em Tempos Sombrios. Tradução Denise Bottmann. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.

LISPECTOR, Clarice. A hora da estrela. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.

LOYOLA, Paulo Ricardo Gontijo. O que estamos fazendo? Da atualidade de A condição humana, de Hannah Arendt. 2009. 153 f. Dissertação (Mestrado em Filosofia) – Universidade Federal de Goiás, Goiânia, 2009. Disponível em: https://repositorio.bc.ufg.br/tedeserver/api/core/bitstreams/e7a21b71-390e-47f7-9ec9-3ffb89def9d5/content Acesso em: 9 jan. 2023.

MATOS, Olgária Chain Féres. O storyteller e o flâneur – Hannah Arendt e Walter Benjamin. In: MORAES, Eduardo Jardim de; BIGNOTTO, Newton (org.). Hannah Arendt: diálogos, reflexões, memórias. Belo Horizonte: UFMG, 2001. p. 90-96.

MERLEAU-PONTY, Maurice. Fenomenologia da percepção. São Paulo: Martins Fontes, 2011.

MONTI, Gil Moraes. Compreensão e Política em Hannah Arendt. 2017. 113 f. Dissertação (Mestrado em Filosofia) – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2017. Disponível em: https://lume.ufrgs.br/handle/10183/172914. Acesso em: 8 jan. 2023.

MORELLO, Eduardo; CORÁ, Élsio. Recém-chegados, Apátridas e Refugiados: Os Modos de Aparecer do “Estranho” na Obra de Hannah Arendt (Newcomers, Stateless, and Refugees: Ways of Appearing of the “Stranger" in Hannah Arendt’s Work). Critical Hermeneutics, [s. l.], v. 2, n. 1, p. 81-104, 2018.

MORELLO, Eduardo. Hannah Arendt: por uma ética dos começos. 2021. 148 f. Tese (Doutorado em Filosofia) – Universidade federal de Santa Maria, Santa Maria, 2021. Disponível em: https://repositorio.ufsm.br/handle/1/23318. Acesso em: 5 jan. 2023.

NASCIMENTO, Carlos Eduardo Gomes. Hannah Arendt: uma narradora entre o passado e o futuro. Princípios. Revista da Filosofia, Natal, v. 25, n. 48, p. 281-306, set./dez. 2018.

NOVAES, Adriana Carvalho. Pensar sem apoios: Hannah Arendt e a vida do espírito como política do pensar. 2017. 137 f. Tese (Doutorado em Filosofia) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2017. Orientador: Prof. Dr. Maurício Cardoso Keinert. Disponível em: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8133/tde-02062017-095237/publico/2017_AdrianaCarvalhoNovaes_VCorr.pdf. Acesso em: 8 jan. 2023.

PLATÃO. República. Tradução Enrico Corvisieri. Rio de Janeiro: Best Seller, 2002.

PORCEL, Beatriz. Pescando pérolas: Hannah Arendt e a ruptura da tradição. In: ENCONTRO HANNAH ARENDT, 5. O futuro entre o passado e o presente. Anais [...]. Passo Fundo: Ifibe, 2012. p. 49-61.

PORCEL, Beatriz; MARTÍN, Lucas. Vocabulário Arendt. Compilado por Beatriz Porcel e Lucas Martin. Rosario: Homo Sapiens Ediciones, 2016.

SCHIO, Sonia Maria. A atualidade do pensamento político de Hannah Arendt. In: BRESOLIN, Keberson; BARBOSA, Evandro (org.). Temas de filosofia política contemporânea. Caxias do Sul: Educs, 2017.

SCHIO, Sonia Maria. Hannah Arendt: História e Liberdade (da Ação à Reflexão). Porto Alegre: Clarinete, 2012.

WALKER, Hill M. Sobre Hannah Arendt. Inquietude, Goiânia, v. 1, n. 2, p. 122-163, ago./dez. 2010. Tradução Adriano Correia. Disponível em: https://www.anpof.org/periodicos/revista-inquietude--revista-dos-estudantes-de-filosofia-da-ufg/leitura/1064/29338. Acesso em: 26 jan. 2023.

WALL, Alan. Reflections on Walter Benjamin 7: Baudelaire, Allegory and the Aura. The Fortnightly Review, [s. l.], 21 jun. 2015. Disponível em: https://fortnightlyreview.co.uk/2015/06/reflections-benjamin-7/. Acesso em: 16 ago. 2025.

Downloads

Publicado

2025-11-12

Como Citar

Paulo Matias, L., & Corá, E. J. (2025). Da narrativa à ação em Hannah Arendt: por uma dimensão ética da narr[a]tividade. Veritas (Porto Alegre), 70(1), e45983. https://doi.org/10.15448/1984-6746.2025.1.45983

Edição

Seção

Moral & Political Philosophy