Tendência temporal da toxoplasmose em gestantes e congênita no Brasil durante a pandemia da covid-19

análise nacional por região (2019-2024)

Autores

DOI:

https://doi.org/10.15448/1980-6108.2026.1.49115

Palavras-chave:

Incidência, Toxoplasma gondii, Saúde materno-infantil, Covid-19

Resumo

Objetivo: Analisar a tendência temporal da toxoplasmose em gestantes e da toxoplasmose congênita, entre os anos de 2019 a 2024, estratificando os dados por regiões. Métodos: Estudo ecológico de série temporal, com dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) e Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos (SINASC), utilizando regressão joinpoint para estimar a Variação Percentual Anual – Annual Percent Change (APC) – e a Variação Percentual Anual Média – Average Annual Percent Change (AAPC). As taxas de incidência foram calculadas por 100 mil mulheres em idade fértil (toxoplasmose gestacional) e por 10 mil nascidos vivos (toxoplasmose congênita). Resultados: Os resultados evidenciaram aumento significativo em todas as regiões, sendo mais acentuado na toxoplasmose congênita, com destaque para o Norte (AAPC = 46,3%). A análise segmentada mostrou incremento abrupto entre 2022 e 2024 nessa região (APC = 85,0%; p < 0,001). As regiões Sul e Nordeste também apresentaram elevação expressiva, relacionada a fatores socioambientais, falhas na cobertura do pré-natal e eventos climáticos extremos. A inclusão da toxoplasmose no Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN) evidenciou subnotificação prévia, ampliando a detecção de casos recentes. Conclusão: A vigilância epidemiológica integrada, que inclui, dentre outras iniciativas, fortalecimento do pré-natal e da triagem neonatal, é necessária para o fortalecimento no diagnóstico e controle da toxoplasmose materno-infantil no Brasil, sobretudo em cenários de crise sanitária e ambiental.

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Biografia do Autor

Filipe Augusto de Freitas Soares, Escritório Técnico Regional Fiocruz Piauí, Teresina, Piauí, Brasil.

Graduação em Enfermagem pela Faculdade Estácio de Teresina. Doutorando e mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Medicina Tropical (IOC/Fiocruz).

Kerla Joeline Lima Monteiro, Escritório Técnico Regional Fiocruz Piauí, Teresina, Piauí, Brasil.

Graduação em Medicina Veterinária pela Universidade Federal do Piauí. Mestre e doutora em Medicina Tropical pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz). É pesquisadora bolsista e exerce gestão de projetos de pesquisa e atividades laboratoriais no Escritório Técnico Regional Fiocruz Piauí.

Beatriz Fátima Alves de Oliveira, Escritório Técnico Regional Fiocruz Piauí, Teresina, Piauí, Brasil.

Pesquisadora em Saúde Pública do Escritório Técnico Regional da Fiocruz Piauí. Mestre e doutora em Saúde Pública e Meio Ambiente pela Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz. 

 

Maria Regina Reis Amendoeira, Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), Rio de Janeiro, Brasil.

Doutora em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Pesquisadora titular em Saúde Pública e chefe substituta do Laboratório de Protozoologia do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) no Rio de Janeiro.

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Publicado

2026-04-14

Como Citar

Soares, F. A. de F., Monteiro, K. J. L., Oliveira, B. F. A. de, & Amendoeira, M. R. R. (2026). Tendência temporal da toxoplasmose em gestantes e congênita no Brasil durante a pandemia da covid-19: análise nacional por região (2019-2024). Scientia Medica, 36(1), e49115. https://doi.org/10.15448/1980-6108.2026.1.49115

Edição

Seção

Artigos Originais