Elastografia por ressonância magnética e alteração morfológica do parênquima hepático

Autores

DOI:

https://doi.org/10.15448/1980-6108.2025.1.48061

Palavras-chave:

Elastografia, Fígado, Fibrose hepática.

Resumo

Introdução e Objetivo: A elastografia por ressonância magnética demonstrou ser um método não invasivo eficaz para a detecção da fibrose hepática. O objetivo deste estudo foi avaliar a relação entre dados demográficos e clínicos, rigidez hepática e alteração morfológica do parênquima hepático, bem como os fatores preditivos associados às alterações morfológicas do parênquima hepático.

Métodos: Trata-se de um estudo transversal. Foram avaliados os dados dos prontuários eletrônicos desses pacientes. A elastografia por ressonância magnética foi realizada em aparelho de 1,5 T, utilizando uma sequência de pulso gradient-recalled-echo, e analisada por dois avaliadores independentes e cegos. Foi realizada uma análise de modelo linear generalizado, ajustada por idade, para avaliar os possíveis fatores preditivos de alteração morfológica do parênquima hepático.

Resultados: Cento e vinte e três (123) indivíduos foram avaliados retrospectivamente, com média de idade de 52,8 ± 12,7 anos, predominando o sexo masculino, com 73 indivíduos (59,3%). O valor médio de rigidez hepática foi de 2,9 kPa (IC 95%: 2,7 – 3,1). O coeficiente kappa de Cohen demonstrou excelente concordância de 0,931 (IC 95%: 0,95–0,97) entre os leitores R1 e R2 para os valores de rigidez hepática mensurados. Os indivíduos com alteração morfológica hepática apresentaram média de rigidez hepática significativamente maior (4,10 ± 1,45 kPa) em comparação com aqueles sem alteração morfológica do parênquima hepático (2,48 ± 0,53 kPa, p < 0,001).

Conclusões: Nossos resultados encontraram uma relação significativa entre a morfologia do parênquima hepático e o alcoolismo, comorbidades hepáticas e a rigidez hepática. Além disso, observamos que o alcoolismo, a hepatite C e a cirrose foram fatores independentes associados às alterações morfológicas do parênquima hepático

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Biografia do Autor

João Paulo Leal Schambeck, Programa de Pós-graduação em Medicina e Ciências da Saúde, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul

João Paulo Leal Schambeck: Mestre em Medicina pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, onde atua como Médico Radiologista

Gabriele Carra Forte, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Porto Alegre, RS, Brazil.

Doutora em Ciências Pneumológicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e Pós-doutora em Pediatria e Saúde da Criança e Medicina e Ciências da Saúde pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), onde atualmente atua como acadêmica de Medicina.

João Bruno Fachinetto Kotlinski, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Porto Alegre, RS, Brazil.

Graduado em Medicina pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.

Guilherme Stuker, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Porto Alegre, RS, Brazil.

Atualmente exerce medicina radiológica no Hospital São Lucas - PUCRS com enfoque em radiologia de emergência e radiologia abdominal.

Pedro Simões dos Santos Pilau , Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Porto Alegre, RS, Brazil.

Acadêmico de Medicina da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.

 

 

Cristina Carra Forte, Hospital Moinhos de Vento, Porto Alegre, RS, Brazil.

Nutricionista clínica do Ambulatório de Oncologia do Hospital Moinhos de Vento de Porto Alegre.

Angela de Figueiredo Pinto Agostini, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Porto Alegre, RS, Brazil.

Médica Radiologista da Hospital São Lucas da PUCRS

Luis Carlos Anflor Junior, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Porto Alegre, RS, Brazil.

Médico radiologista e preceptor da residência médica de radiologia da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e do Hospital São Lucas da Puc-RS/Inscer.

Fernando Ferreira Gazzoni , Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Porto Alegre, RS, Brazil.

Médico radiologista do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, do Hospital São Lucas da PUCRS e InsCer-PUCRS.

Rubens Gabriel Feijó Andrade, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Porto Alegre, RS, Brazil.

Radiologista, professor e Preceptor de Residência Médica no Hospital São Lucas da PUCRS e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Bruno Hochhegger, Departamento de Radiologia, Universidade da Flórida, Flórida, Estados Unidos.

Atualmente é Pesquisador do Instituto DOR e Clinical Professor of Radiology na University of Florida. Professor colaborador de Diagnóstico por Imagem da Pontifícia Universidade Católica de Porto Alegre. 

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Publicado

2025-12-22

Como Citar

Leal Schambeck, J. P., Carra Forte, G., Fachinetto Kotlinski, J. B., Stuker, G., Simões dos Santos Pilau , P., Carra Forte, C., … Hochhegger, B. (2025). Elastografia por ressonância magnética e alteração morfológica do parênquima hepático. Scientia Medica, 35(1), e48061. https://doi.org/10.15448/1980-6108.2025.1.48061

Edição

Seção

Artigos Originais