O voluntariado no ensino médico
a experiência em formação social e humana
DOI:
https://doi.org/10.15448/1980-6108.2025.1.47238Palavras-chave:
Voluntariado, Estudantes de Medicina, Covid-19, Formação Social e Humana, Soft Skills.Resumo
O voluntariado tem se revelado cada vez mais importante na atualidade não só para quem o recebe, mas também para quem o pratica. Indubitavelmente, os voluntários se tornam mais capazes de observar os problemas sociais e promover relações empáticas e humanas. Ora, essas competências devem ser, também, transversais na medicina, pelo que, neste estudo, analisa-se a experiência de voluntariado na Unidade Curricular de Formação Social e Humana da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. Também foi avaliado o efeito da pandemia de covid-19 na aprendizagem. Para tal, foi efetuado um estudo de corte transversal, envolvendo os estudantes que frequentaram Formação Social e Humana nos anos letivos de 2017/2018 a 2022/2023, que preencheram um inquérito com várias questões sobre a experiência de voluntariado. Foram obtidas 110 respostas, no entanto 15 respostas foram excluídas por não corresponderem aos critérios de inclusão. De toda a amostra (n = 95), 16 (16,8%) integraram o grupo do covid e 79 (83,2%) o grupo não covid. Após a ação de Formação Social e Humana, os voluntários mostraram ser significativamente mais solidários (p < 0,001), comunicativos (p < 0,001), capazes de se adaptar (p < 0,001), pacientes (p < 0,001), empáticos (p = 0,001), atentos (p = 0,001), capazes de se organizar (p = 0,001), capazes de ouvir (p = 0,001), capazes de trabalhar em grupo (p = 0,006), capazes de cooperar com os outros (p = 0,011) e compreensivos (p = 0,025). O grupo do covid gostou mais da unidade curricular (p = 0,017) e teve mais intenções de a recomendar aos colegas (p = 0,053), face ao grupo do não covid, não tendo sido observadas outras diferenças. Nas questões abertas, os estudantes mencionaram o desejo de voluntariar com mais horas de contacto ou experimentar outros públicos-alvo, bem como alertaram para a possibilidade de considerar a Formação Social e Humana uma unidade curricular obrigatória, ao invés de optativa. Concluiu-se, com este estudo, que o voluntariado em Formação Social e Humana, além de permitir desenvolver competências transversais, traz mais-valias fulcrais para o estudante, quer enquanto agente da sociedade, quer enquanto futuro médico, pelo que a unidade curricular em questão se mostra fundamental no currículo da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.
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