Utopias Autárquicas – Autonomia irracional da natureza

Palavras-chave: Homo Utopicus, Autonomia da natureza, Utopias autárquicas, Ética Irracional.

Resumo

Este artigo pensa as contingências decorrentes das máquinas autônomas da natureza no universo das utopias concretas. Pensa como artefatos podem ganhar autonomia diante da irracionalidade da matéria? É sabido que as máquinas utópicas podem exteriorizar um poder desconhecido do ser humano e alcançar uma condição autárquica diante do descaso de seu criador. Ernst Bloch situa tais utopias no 3.º nível da categoria, um ainda-não-ser, que na sua ontologia responde a “possibilidade conforme estrutura do objeto real”. Contingências e imprevisibilidades advindas neste nível determinam a dimensão autônoma das utopias técnicas. A evolução do processo dinâmico e complexo da matéria – natura naturata (potencialidade-possibilidade passiva) que se acha velada, uma vez desperta assume a dimensão de natura naturans (potência-possibilidade-ativa). A natureza que produz natureza revela que a ação do homem sobre a matéria transforma sonhos utópicos acordados em pesadelos distópicos acordados, determinando uma diversidade de utopias autárquicas que ameaçam a humanidade. Esse contexto recepciona o alvorecer de novas utopias técnicas, que aponta uma não conformidade na geração das máquinas autárquicas bem como, a ausência de uma linguagem ética entre homo utopicus e natura naturans.

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Biografia do Autor

Nelson Costa Fossatti, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS
Doutor em Filosofia. Doutor em Comunicação Social. Mestre em Filosofia. Graduado em Engenharia Eletrônica/Telecomunicações. Pós-graduado em Redes de Comunicação de Dados e Serviços Telemáticos pela Pontifícia Universidade Católica (PUCRS) em Porto Alegre, RS, Brasil. Mestre em Administração Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) em Porto Alegre, RS, Brasil. Professor titular na PUCRS.

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Publicado
2020-05-15
Como Citar
Fossatti, N. C. (2020). Utopias Autárquicas – Autonomia irracional da natureza. Veritas (Porto Alegre), 65(1), e36892. https://doi.org/10.15448/1984-6746.2020.1.36892