Crítica da tecnologia como metafísica: reflexão sobre a narrativa pós-natureza do antropoceno

Palavras-chave: Tecnologia. Metafísica. Antropoceno. Pós-ambientalismo.

Resumo

Este texto propõe uma crítica da tecnologia conforme abordada na narrativa pós-natureza do antropoceno. Para essa narrativa, também chamada de pós-ambientalismo, o antropoceno é o momento histórico em que fica clara a impossibilidade de uma noção idealizada da natureza, distinta da intervenção humana. Neste texto, argumenta-se que, embora tenha méritos no questionamento de aspectos cruciais do pensamento moderno, essa narrativa tem também problemas teórico-conceituais significativos derivados da centralidade atribuída à mediação técnica, que acaba convertendo-a em uma espécie de metafísica. A exposição das teses da narrativa pós-natureza do antropoceno se dá a partir do diálogo com textos de ativistas do pós-ambientalismo, como Michael Shellenberger e Ted Nordhaus, e de pensadores que fornecem a essa corrente o fundamento teórico-conceitual, como Bruno Latour e Peter Sloterdijk. A crítica se ampara na argumentação dos filósofos contemporâneos Dieter Mersch e Andreas Luckner, que desdobram ideias já sinalizadas por Martin Heidegger e indicam caminhos para compreender os limites de perspectivas metafísicas sobre tecnologia.

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Biografia do Autor

Tales Tomaz, Universidade de Salzburgo (PLUS), Salzburgo
Doutor em Ciências pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP, São Paulo, SP, Brasil). Pesquisador na área de economia política da comunicação e das tecnologias no Departamento de Ciências da Comunicação da Universidade de Salzburgo (Áustria).

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Publicado
2020-05-15
Como Citar
Tomaz, T. (2020). Crítica da tecnologia como metafísica: reflexão sobre a narrativa pós-natureza do antropoceno. Veritas (Porto Alegre), 65(1), e36679. https://doi.org/10.15448/1984-6746.2020.1.36679