Victor Klemperer: a linguagem do mal e a nazificação da sociedade alemã

Palavras-chave: nazismo, linguagem, biopolítica, cotidiano, fanatismo, condição judaica.

Resumo

Este artigo contextualiza o nazismo como projeto de degradação da multiplicidade humana a partir da instrumentalização da língua alemã e consequentemente da linguagem como experiência humana. Tal contextualização se inicia apresentando os projetos amplamente conhecidos do nazismo, que se dão à sombra de Auschwitz, para, em seguida, partir à análise das observações de Victor Klemperer sobre a aplicação da LTI (Lingua Tertii Imperii) na sociedade alemã no período que envolveu o entreguerras e o final da Segunda Guerra Mundial, precisamente na cidade de Dresden, onde Klemperer viveu e repensou sua condição judaica. Por meio do uso estratégico da linguagem, o nazismo interveio nos hábitos da sociedade alemã, o que implicou a adesão popular à ideologia do Terceiro Reich, bem como provocou a legitimação da reprodução do mal naquela sociedade, enquanto projeto pervertido de cidadania. Disso resulta uma compreensão biopolítica da linguagem, na medida em que se reconhece o nazismo como doutrina do fanatismo.

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Biografia do Autor

Marcelo Leandro dos Santos, Universidade do Vale do Taquari - Univates

Universidade do Vale do Taquari - Univates

Centro de Ciências Humanas e Sociais - CCHS

Área de Humanidades

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Publicado
2018-04-23
Como Citar
dos Santos, M. L. (2018). Victor Klemperer: a linguagem do mal e a nazificação da sociedade alemã. Veritas (Porto Alegre), 63(1), 150-189. https://doi.org/10.15448/10.15448/1984-6746.2018.1.29499
Seção
Dossiê - Filosofia Judaica