A questão do sentido e do sagrado na modernidade

  • Marcelo Perine Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
Palavras-chave: Modernidade. Virada antropológica. Deus. Fé. Contingência. Sentido.

Resumo

O texto parte de uma compreensão da modernidade nos termos de uma virada antropológica, que caracteriza a cultura ocidental
a partir do século XVII. As figuras de Descartes e de Hobbes assinalam, respectivamente, a descoberta da subjetividade e do indivíduo. Em
seguida, reflete sobre o problema de Deus no discurso filosófico: a atitude da fé é tematizada na compreensão do homem como imagem de
Deus e do mundo como estrutura racional teleologicamente ordenada para Deus. Finalmente, o texto propõe a compreensão da experiência religiosa e da contingência nos termos de uma experiência do sentido, pela qual o ser humano pode abrir-se para a atitude da fé radical como reconhecimento do que dá sentido à existência de cada um.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Marcelo Perine, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

Professor Associado da PUC/SP. Bolsista de produtividade do CNPq. 

Referências

Uma exaustiva exposição das “raízes da modernidade” pode ser encontrada em: LIMA VAZ, H. C. de, Escritos de filosofia VII. Raízes da modernidade, São Paulo 2002.

Cf. LIMA VAZ, H. C. de, Religião e modernidade filosófica, Síntese Nova Fase (Belo Horizonte), v. XVIII, n. 53, abr./jun. 1991, p. 155.

Cf. PLATÃO, Leis, I, 626 D.

Cf. MAQUIAVEL, Discursos sobre a primeira década de Tito Lívio, Livro I, capítulo III. Também no capítulo XVII de O príncipe, Maquiavel afirma que os homens “são ingratos, volúveis, simuladores, covardes ante os perigos, ávidos de lucro”.

Cf. LIMA VAZ, H. C. de, Escritos de filosofia IV, op. cit., p. 288.

Cf. KOLAKOWSKI, L., Metaphysical horror, Oxford 1988, p. 66-67.

Cf. ARENDT, H., A condição humana, Rio de Janeiro 1991, p. 286-292.

Sobre a polêmica em torno da questão da orientação metafísica do pensamento cartesiano após 1637, ver: LIMA VAZ, H. C. de, Escritos de filosofia IV, op. cit., p. 285 ss.

Cf. LIMA VAZ, H. C. de, Antropologia Filosófica I, São Paulo 1991, p. 263.

Cf. LIMA VAZ, H. C. de, Religião e modernidade filosófica, art. cit., p. 154 s.

Cf. LIMA VAZ, H. C. de, Antropologia Filosófica I, op. cit., p. 261.

Cf. LIMA VAZ, H. C. de, Antropologia Filosófica II, São Paulo 1992, p. 115.

Sobre Deus como categoria do discurso filosófico, cf. WEIL, E., Lógica da filosofia, trad. Lara C. de Malimpensa, rev. téc. M. Perine, São Paulo 2012, p. 249-286.

Cf. TOMÁS DE AQUINO, Suma Teológica, I, q. 2, a. 3. Sobre isso ver: BOLINHAS, M. I., Uma releitura das cinco vias de Tomás de Aquino à luz do conceito de ser, in: XAVIER, M. L. L. O., A questão de Deus na história da filosofia, v. 1, Sintra 2008, p. 327-349.

Cf. LIMA VAZ, H. C. de, O problema de Deus no pensamento contemporâneo, art. cit., p. 25.

Cf. PERlNE, M., Deus no discurso filosófico, Síntese Nova Fase (Belo Horizonte), v. XX, n. 63, out./dez. 1993, p. 477-497, republicado em: Eric Weil e a compreensão do nosso tempo. Ética, política, filosofia, São Paulo 2004, p. 227-263.

Cf. LIMA VAZ, H. C. de, O problema de Deus no pensamento contemporâneo, art. cit., p. 21 s.

Cf. SCHULZ, W., Le Dieu de la métaphysique moderne, trad. J. Colette, Paris 1978, p. 36.

Cf. HENRICH, D., La prova ontologica dell’esistenza di Dio. La sua problematica e la sua storia nell’età moderna, trad. S. Carboncini, Napoli 1983, p. 24.

Cf. VALADIER, P., O divino após a morte de Deus segundo Nietzsche, in: LONGLOIS, L.; ZARKA, Y. C., Os filósofos e a questão de Deus, op. cit., p. 293-306, aqui p. 294.

Cf. NIETZSCHE, F., A gaia ciência, § 357.

Cf. LIMA VAZ, H. C. de, A experiência de Deus, em: Experimentar Deus hoje, Petrópolis 1974, p. 76. Sobre a experiência religiosa, ver também MOUROUX, J., L’expérience chrétienne, Paris 1954, p. 13-56.

Cf. MOUROUX, J., op. cit., p. 24.

Cf. BOUILLARD, H., Philosophie et religion dans l’oeuvre d’Eric Weil, Archives de Philosophie (Paris), n. 40, 1977, p. 543-621.

Cf. MAC DOWELL, J. A., A fé como compreensão intuitiva pessoal do sentido da realidade, art. cit., p. 433.

Sobre o coração como lugar da experiência religiosa, ver: MESLIN, M., L’expérience humaine du divin. Fondements d’une anthropologie religieuse, Paris 1988, p. 217-226.

Cf. MAC DOWELL, J. A., A fé como compreensão intuitiva pessoal do sentido da realidade, art. cit., p. 448.

Cf. LIMA VAZ, H. C. de, A experiência de Deus, art. cit., p. 86.

Cf. PASCAL, B. Oeuvres complètes, Paris 1963, p. 523.

Publicado
2014-06-05
Como Citar
Perine, M. (2014). A questão do sentido e do sagrado na modernidade. Veritas (Porto Alegre), 59(1), 174-193. https://doi.org/10.15448/1984-6746.2014.1.17072