Monitoramento metacognitivo de adultos em processo de alfabetização em tarefas de memória, processamento e inteligência geral

  • Márcia Akemi Fujie Universidade Federal de São Carlos
  • Patrícia Waltz Schelini Universidade Federal de São Carlos
Palavras-chave: Alfabetização, Avaliação, Metacognição.

Resumo

A autorregulação refere-se aos pensamentos, sentimentos e ações que são planejados e ciclicamente adaptados para o alcance dos objetivos traçados pelo indivíduo. Dentro dessa totalidade, encontra-se o monitoramento metacognitivo, habilidade pela qual o sujeito “acompanha” e avalia sua própria cognição. O presente estudo teve como objetivo investigar o monitoramento de adultos em processo de alfabetização por meio do julgamento, entendido como uma medida do monitoramento metacognitivo, sobre o desempenho em tarefas cognitivas que avaliam o fator geral de inteligência, a velocidade de processamento e a memória de curto prazo. Também foi investigada a existência de diferenças nas relações entre desempenhos reais e estimados e em quais tarefas cognitivas o desempenho real mais se relaciona ao desempenho estimado. Participaram do estudo 34 alunos de um programa de alfabetização para adultos, de ambos os gêneros e com idade entre 40 e 60 anos. Os materiais utilizados para a coleta de dados foram: Entrevista Inicial (EI), Teste R-1 e os subtestes Código, Procurar Símbolos e Dígitos da Escala Wechsler de Inteligência para Adultos III (WAIS III), e Registro de Julgamento de 0 a 100. Os resultados indicaram que os escores reais dos participantes foram mais baixos quando comparados com sujeitos de maior escolaridade das amostras normativas dos instrumentos. A partir das correlações de Pearson, observou-se correlação significativa entre o desempenho real e o julgamento do desempenho no subteste Códigos.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Márcia Akemi Fujie, Universidade Federal de São Carlos
Psicóloga e mestre em Psicologia pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Atualmente, é doutoranda, com ênfase em Comportamento Social e Processos Cognitivos, no Programa de Pós-graduação em Psicologia (PPGPsi) da UFSCar, e membro do Laboratório de Desenvolvimento Humano e Cognição (LADHECO). 
Patrícia Waltz Schelini, Universidade Federal de São Carlos
Possui graduação em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas, Mestrado em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (bolsista CNPq) e Doutorado em Psicologia pela mesma Universidade (bolsista FAPESP). Pós- Doutora pela Universidade do Minho (Portugal), sob a orientação do Prof. Dr. Leandro da Silva Almeida. Atualmente é Professora Associada 1 do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de São Carlos, onde ministra aulas na graduação e na pós-graduação e desenvolve estudos sobre a inteligência/cognição, metacognição e pensamento imaginativo. É a atual coordenadora do Curso de Graduação em Psicologia da UFSCar.

Referências

Alves, I. C. B. (2002). R-1: Teste Não Verbal de Inteligência – Manual. São Paulo: Vetor.

Benjamin, A. S., Bjork, R. A., & Schwartz, B. L. (1998). The mis-measure of memory: When retrieval fluency is misleading as a meta- mnemonic index. Journal of Experimental Psychology: General, 127, 55-68.

https://doi.org/10.1037/0096-3445.127.1.55

Boruchovitch, E. (2014). Autorregulação da aprendizagem: contribuições da psicologia educacional para a formação de professores. Psicologia Escolar e Educacional, 18(3), 401-409.

https://doi.org/10.1590/2175-3539/2014/0183759

Brasil. (2015). Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anisio Teixeira (Inep). Plano Nacional de Educação PNE 2014-2024. Brasília, DF.

Coelho, F. G. M., Vital, T. M., Novais, I. de P., Costa, G. de A., Stella, F., & Santos-Galduroz, R. F. (2012). Desempenho cognitivo em diferentes níveis de escolaridade de adultos e idosos ativos. Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia, 15(1), 7-15.

https://doi.org/10.1590/S1809-98232012000100002

Cornoldi, C. (2010). Metacognition, intelligence, and academic performance. Em H.S. Waters e W. Schneider. Metacognition, strategy use, and instructions (pp. 257-277). Nova Iorque: The Guilford Press.

Dancey, C. P. & Reidy, J. (2013). Estatística sem matemática para psicologia. Porto Alegre: Artmed. Finn, B. (2008). Framing effects on metacognitive monitoring and control. Memory & Cognition, 36(4), 813-821.

https://doi.org/10.3758/MC.36.4.813

Flavell, J. H. & Wellman, H. M. (1977). Metamemory. In R. V. Kail & J. W. Hagen (Orgs.). Perspectives on the development of memory and cognition (3-33). Hillsdale, NJ: Erlbaum. Flavell, J. H. (1979). Metacognition and cognitive monitoring: a new area of cognitive-developmental inquiry. American Psychologist, 34(10), 906-911.

https://doi.org/10.1037/0003-066X.34.10.906

Flavell, J. H. (1999). Cognitive development: Children’s knowledge about the mind. Annual Review of Psychology, 50, 21-45.

https://doi.org/10.1146/annurev.psych.50.1.21

Flavell, J.H., Miller, P.H., & Miller, S.A. (1993). Cognitive development (3ª ed.). New Jersey: Prentice Hall.

Gotsfritz, M. O. & Alves, I. C. B. (2009). Normas do teste de inteligência não verbal R-1 para adultos não alfabetizados. Interação em Psicologia, 13(1), 59-68.

https://doi.org/10.5380/psi.v13i1.15856

Gutierrez, A. P., Schraw, G., Kuch, F., & Richmond, A. S. (2016). A two-process model of metacognitive monitoring: Evidence for general accuracy and error factors. Learning and Instruction, 44, 1-10.

https://doi.org/10.1016/j.learninstruc.2016.02.006

Haddad, S. & Siqueira, F. (2015). Analfabetismo entre jovens e adultos no Brasil. Revista Brasileira de Alfabetização - ABAlf, 1(2), 88-110.

Jou, G. I., & Sperb, T.M. (2006). A metacognição como estratégia reguladora da aprendizagem. Psicologia: Reflexão e Crítica, 19(2), 177-185.

https://doi.org/10.1590/s0102-79722006000200003

Kessel, R., Gecht, J., Forkmann, T., Drueke, B., Gauggel, S., & Mainz, V. (2014). Metacognitive monitoring of attention performance and its influencing factors. Psychological Research, 78(4), 597-607.

https://doi.org/10.1007/s00426-013-0511-y

Kline, R. B. (2011). Principles and practice of structural equation modeling (3ª ed.). New York: Guilford Press.

Koriat, A. (1997). Monitoring one’s own knowledge during study: A cue-utilization approach to judgments of learning. Journal of Experimental Psychology: General, 126(4), 349-370.

https://doi.org/10.1037/0096-3445.126.4.349

Moraes, M. G. (2005). Alfabetização – leitura do mundo, leitura da palavra – e letramento: algumas aproximações. Revista de Ciências Humanas, Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões, 7(7), 1-11.

Nascimento, E. (2000). Adaptação da Terceira edição da escala Wechsler de inteligência para adultos (WAIS-III) para uso no contexto brasileiro. Tese de doutorado, Universidade de Brasília, Brasília, DF, Brasil.

Oliveira, R. (1973). R-1: Teste Não Verbal de Inteligência – Manual. São Paulo: Vetor. Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. (2014). Ensinar e aprender: alcançar a qualidade para todos. Disponível em:

http://unesdoc.unesco.org/images/0022/002256/225654por.pdf

Ribeiro, V. M. (2006). Analfabetismo e analfabetismo funcional no Brasil. Boletim INAF (São Paulo, Instituto Paulo Montenegro), jul-ago.

Ribeiro, V. M., Vóvio, C. L., & Moura, M. P. (2002). Letramento no Brasil: alguns resultados do indicador nacional de alfabetismo funcional. Educação & Sociedade, 23(81), 49-70.

http://dx.doi.org/10.1590/S0101-73302002008100004

Roebers, C. M., Krebs, S. S., & Roderer, T. (2014). Metacognitive monitoring and control in elementary school children: Their interrelations and their role for test performance. Learning and Individual Differences, 29, 141-149.

https://doi.org/10.1016/j.lindif.2012.12.003

Schelini, P. W., Deffendi, L. T., Fujie, M. A., Boruchovitch, E. & Freitas, M. F. R. L. (2016). Avaliação do monitoramento metacognitivo: análise da produção científica. Avaliação Psicológica, 15(spe), 57-65.

https://doi.org/10.15689/ap.2016.15ee.06

Schraw, G., Crippen, K. J., & Hartley, K. (2006). Promoting self-regulation in Science education: Metacognition as part of a broader perspective on learning. Research in Science Education, 36, 111-139.

https://doi.org/10.1007/s11165-005-3917-8

Schraw, G., Dunkle, M. E., Bendixen, L. D., & Roedel, T. D. (1995). Does a general monitoring skill exist? Journal of Educational Psychology, 87(3), 433-444.

https://doi.org/10.1037/0022-0663.87.3.433

Soares, M. B. (2007). Letramento: um tema em três gêneros (4ª ed.). São Paulo: Autêntica Editora.

Soares, M. B. (2011). Alfabetização e letramento (6ª ed.). São Paulo: Contexto.

Teixeira-Fabrício, A., Lima-Silva, T. B., Kissaki, P. T., Vieira, M. G., Ordonez, T. N., Oliveira, T. B., Aramaki, F. O., Souza, P. F., & Yassuda, M. S. (2012). Treino cognitivo em adultos maduros e idosos: impacto de estratégias segundo faixas de escolaridade. Psico-USF, 17(1), 85-95.

https://doi.org/10.1590/S1413-82712012000100010

Wechsler, D. (1997). Wechsler Adult Intelligence Scale – Third Edition (WAIS-III). Admnistrations and Scoring Manual. San Antonio, Texas: Psychological Corporation.

Zampieri, M. & Schelini, P. W. (2013a). O uso de medidas intelectuais na análise do monitoramento metacognitivo de crianças. Psicologia: Teoria e Pesquisa, 29, 81-88.

https://doi.org/10.1590/S0102-7722013000200007

Zampieri, M. & Schelini, P. W. (2013b). Monitoramento metacognitivo de crianças de acordo com o nível de desempenho em medidas de capacidade intelectual. Psico, 44, 280-287.

Zampieri, M. (2012). Investigação do monitoramento metacognitivo de crianças diante de medidas de capacidades intelectuais. Dissertação de mestrado, Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, SP, Brasil.

Zimmerman, B. J. (2000). Attaining self-regulation: A social cognitive perspective. In M. Boekaerts, P. R. Pintrich & M. Zeidner (Orgs.). Handbook of self-regulation (pp. 13-39). San Diego, CA: Academic Press.

https://doi.org/10.1016/B978-012109890-2/50031-7

Publicado
2018-10-16
Como Citar
Fujie, M. A., & Schelini, P. W. (2018). Monitoramento metacognitivo de adultos em processo de alfabetização em tarefas de memória, processamento e inteligência geral. Psico, 49(3), 285-293. https://doi.org/10.15448/1980-8623.2018.3.27955
Seção
Artigos